Vida financeira positiva

Para se ter uma vida com mais positividade, precisamos ter equilíbrio financeiro. Consumir de forma consciente e compatível com os nossos ganhos é fundamental ao nosso bem-estar. Contas que não fecham, consumismo exagerado e dívidas crescentes causam preocupação, ansiedade e gasto de energia psíquica.

Mas como ter equilíbrio financeiro diante de tantas opções de consumo? O primeiro passo é se organizar, analisar gastos e priorizar o que é realmente importante. Há despesas que são essenciais para a nossa qualidade de vida: habitação, saúde, transporte, educação, entre outros. Nesse caso, o que temos a fazer é escolher produtos e serviços que nos ofereçam uma boa relação custo-benefício e que caibam no nosso orçamento.

Porém a vida não são apenas necessidades vinculadas à sobrevivência. Opções de consumo que nos trazem prazer também são importantes. E aí a Psicologia nos oferece dicas de como fazer escolhas que maximizem o nosso bem estar e a nossa felicidade, tanto a curto quanto a longo prazo.

Experiências versus Bens Materiais

Em um artigo publicado no Journal of Consumer Psychology , Thomas Gilovich, Amir Kumar e Lily Jampol (2004) apresentam uma série de pesquisas que indicam que gastos com experiências (ex: viajar) trazem maior satisfação e felicidade que gastos com bens materiais (ex: comprar um carro novo). Isso acontece, entre outros motivos, porque:

  1. as experiências reforçam relações sociais (aspecto fundamental à nossa felicidade) de modo mais rápido e efetivo que bens materiais. Já reparou como conversas sobre experiências em comum facilita a aproximação entre pessoas e que conversas sobre posses pode gerar antipatias?
  2. experiências compõem uma grande parte da nossa personalidade. Boa parte do que somos, nossa identidade pessoal, diz respeito ao que fazemos ou já fizemos ao longo da vida e não aos bens que possuímos;
  3. mesmo que uma experiência não saia como programada, ela pode ser extremamente divertida, ao contrário do que geralmente acontece com a aquisição de um bem entregue com características diferentes do que foi combinado;
  4. experiências não sofrem depreciação. Uma boa lembrança não perde valor com o passar do tempo. Enquanto o seu tablet já não vale hoje o que valia no ano passado, a experiência de ter passado uma semana de férias com seus avós que já faleceram permanecerá para sempre significativa.
  5. experiências são avaliadas em si mesmas, gerando menor comparação social que os bens materiais.

Em relação a este último aspecto, os autores apresentam o seguinte exemplo: você pode estar muito satisfeito com o seu Toyota Corolla modelo básico, recém-adquirido. Contudo, sua satisfação diminui quando você compara sua recente aquisição com a versão luxo do mesmo carro. Comparar o que nós temos com o que os outros têm exerce um efeito poderoso sobre a nossa própria satisfação. É a velha história da “grama do vizinho”.

No entanto, quando se trata de experiências, a comparação fica mais difícil. Você pode comparar uma viagem de férias ao Nordeste com uma a Paris e achar que esta última lhe proporcionaria mais prazer. Será? Como afirmar que uma família que passou as férias nos Champs-Élysées se divertiu mais que uma família que passou as férias em uma pousada na beira da praia em Maceió? Difícil, pois diversos aspectos intangíveis entrariam na comparação. Mas você pode facilmente afirmar que um Audi A3 é melhor que um Fiat Palio, pois há muitos aspectos objetivos passíveis de mensuração.

Portanto, sempre que possível, reserve uma parte do seu orçamento à aquisição de experiências. Enriqueça a sua jornada, dê preferência na companhia de pessoas que multiplicarão o retorno do seu investimento.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Referências:
Gilovich, T., et al., A wonderful life: experiential consumption and the pursuit of happiness, Journal of Consumer Psychology (2014), http://dx.doi.org/10.1016/j.jeps.2014.08.004

O que temos a aprender com a Mulher Maravilha – parte 2

O filme Mulher Maravilha, atualmente em cartaz nos cinemas, surpreende pelo conteúdo mitológico e histórico que se sobrepõe às cenas de ação. Filme dinâmico, mas ao mesmo tempo envolvente e provocador, desperta reflexões sobre a igualdade de gênero, o papel da mulher na Segunda Grande Guerra, a inadequação das roupas tipicamente femininas às atividades laborais, entre outros.

Contudo, a reflexão que considero mais importante na história é sobre o merecimento. Ao se surpreender com uma humanidade extremamente corrompida pela guerra, a heroína passa a repetir o discurso que ouviu entre as amazonas que a criaram: a humanidade não a merece, não merece o seu esforço. Ao longo do filme, contudo, ela consegue amadurecer este entendimento e perceber que não se trata de merecimento ou não. Suas boas ações estavam atreladas aos seus valores pessoais, ao que ela acreditava ser certo e não sobre o mérito do recebedor da ação.

Muitas vezes ao longo da nossa vida, nos vemos diante de dilemas morais relacionados ao benefício de pessoas que não consideramos merecedoras de nossos préstimos. A Mulher Maravilha então nos dá seu exemplo de que o mais importante, o fator crucial em qualquer ação é se esta é compatível com nossos valores pessoais.

Além disso, avaliar o merecimento dos outros é uma tarefa muito difícil e arriscada, pois sempre estamos diante de uma realidade fragmentada, complexa e contaminada pelo nosso próprio viés de observador. Se não temos condições de julgar o mérito dos outros, melhor deixar o nosso julgamento para avaliarmos as nossas próprias ações, superando um modelo dicotômico de vilão ou herói, e fortalecendo nossa coerência pessoal por meio do investimento de nossa energia em algo que acreditamos ser bom.

Ser íntegro e agir em conformidade com o que valorizamos, nos fornece uma confiável bússola de atuação.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O que temos a aprender com a Mulher Maravilha – Parte 1

Sucesso nas telas, a personagem Mulher Maravilha tem muitas lições a nos ensinar. A primeira delas, mais relacionada à Psicologia Positiva, são as posturas de poder. Já reparou como os super-heróis estão sempre em posturas assertivas, demonstrando segurança e controle da situação?

Nós também podemos assumir tais posturas em nossa vida cotidiana, principalmente quando não estamos nos sentindo seguros. Amy Cuddy, psicóloga social americana, dedicou muitos anos ao estudo das posturas de poder ou de fraqueza e como elas influenciam a nossa autoestima e assertividade.

O que ela descobriu? Quando exercitamos posturas de poder ao longo do dia (são necessários pelo menos 2 minutos na postura para que o nosso cérebro aumente a produção de testosterona e reduza a produção de cortisol), começamos a acreditar que somos capazes de enfrentar os desafios do dia a dia e, ao acreditarmos em nós mesmos, obtemos um melhor desempenho. Ao obtermos um melhor desempenho, somos reforçados a respeito de nossa capacidade e assim vamos aos poucos fortalecendo a nossa autoestima, em um círculo virtuoso.

Mas precisamos ter cuidado no uso das posturas quando não estamos em um local reservado. Da mesma forma que transmitimos uma mensagem de poder ao nosso cérebro, repassamos a mesma mensagem àqueles que estão à nossa volta. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, ao assumirmos uma postura demasiadamente impositiva, os entrevistadores podem se sentir confrontados. Em uma situação como esta, a postura pode ser adotada na sala de espera ou até em um banheiro próximo.

A lógica da postura de poder é a ocupação de espaço: pernas e braços abertos, queixo para cima, ombros para trás, pernas abertas ou sobre a mesa. Isto também se refere à forma como utilizamos nossa voz: fala em um ritmo calmo, em tom de voz adequado, permitindo-se instantes de silêncio, ou seja, ocupando o espaço interpessoal necessário à boa comunicação.

Se você tem dificuldades relacionadas à assertividade e à autoestima, reserve dois minutos do seu dia para se sentir poderoso. Pare em frente ao espelho e assuma a postura da mulher maravilha ou do super homem. Permita que o seu corpo e, consequentemente seu cérebro, se sinta forte e capaz.

Assista aqui ao vídeo do TED onde Amy Cuddy apresenta de forma resumida o resultado de suas pesquisas.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Sugestão de leitura: O Poder da Presença, Amy Cuddy (Ed. Sextante)

Amor 2.0

Leitura inspiradora, Amor 2.0 de Barbara Fredrickson, é um livro provocador. Ao desconstruir o conceito de amor como algo seletivo e duradouro, a autora propõe que, por se tratar de uma emoção, o amor é estado momentâneo.

Momentâneo? Isto mesmo! E por ser momentâneo, exige conexão. E podemos estabelecer conexões verdadeiras até mesmo com estranhos. Opa! Mas amor não é algo que eu sinto apenas por pessoas íntimas, com quem estabeleço relações duradouras? A autora propõe que não.

Para experimentarmos o amor, precisamos da presença simultânea de três elementos:

  1. compartilhamento de uma ou mais emoções positivas com outra pessoa;
  2. sincronia entre a bioquímica e o comportamento de vocês dois;
  3. atenção mútua

Ou seja, sentimentos e comportamentos entram em sintonia e vocês se tornam reflexo e extensão um do outro. Abordaremos de forma mais aprofundada estes conceitos em outros posts, mas o ponto importante que destaco hoje é a necessidade de conexão.

Mensagens do tipo: “amo vc, bjs” não geram conexão. Não há contato físico, olhar, voz, toque ou sintonia. Trata-se de uma mera abstração.

Portanto, aproveite este dia para entrar em conexão verdadeira com quem você ama. Esteja verdadeiramente presente, olhe nos olhos, dedique atenção, desligue o smartphone. Afinal, o amor exige presença emocional e física. O amor exige tempo e dedicação.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Amor 2.0 da Barbara Fredrickson está disponível na Amazon: Amor 2.0