A Psicologia Positiva é para mim?

A Psicologia Positiva é para todos. Ciência do comportamento focada em ajudar as pessoas a definirem seus propósitos de vida de modo que ela seja plena de significado, a Psicologia Positiva também se preocupa com a jornada, com o percurso percorrido até se chegar à sua meta, à sua moeda final.

Em uma sociedade excessivamente materialista como a nossa, encontrar significado e propósito na vida muitas vezes não é uma tarefa fácil. Geralmente trabalhamos naquilo que nos provê dinheiro e segurança. E não há nada de errado nisso. Contudo, uma vida plena e feliz supõe o envolvimento com algo que tenha um sentido maior, algo que nos faça pular da cama de manhã motivados e animados para darmos mais um passo. E isso não é o comum. Pelo contrário, tem sido cada vez mais uma exceção. Acordamos cedo, corremos o dia todo, nos esforçamos para cumprir nossos afazeres, mas muitas vezes fica a sensação de que estamos fazendo muito e, ao mesmo, tempo, não estamos fazendo nada de nossas vidas. Se você se sente assim, a Psicologia Positiva é para você.

Por outro lado, há aqueles que encontram sua missão, seguem em frente e se motivam, se esforçam cada dia mais, mas não param para apreciar a jornada. Não reparam nas flores do caminho. Não fazem as pausas necessárias para usufruir os pequenos prazeres da vida que alimentam a nossa alma e fazem nossa vida mais feliz. Se você está nesta correria atualmente, a Psicologia Positiva é para você também.

Se você tem metas que nunca consegue realizar, começa a fazer algo novo, mas não consegue sustentar essas mudanças ao longo do tempo, a Psicologia Positiva pode te ajudar. Ela nos mostra como promover mudanças duradouras e significativas de modo a superarmos os empecilhos mais comuns que nos mantém na mesmice cotidiana e na procrastinação.

Se você tem filhos e quer prepará-los para enfrentar os desafios da vida, a Psicologia Positiva pode lhe dar dicas poderosas. Educar não é nada fácil, mas há balizadores que podem nos orientar nesta tarefa diária.

Ansiedade, insegurança, depressão, desorganização são problemas cada dia mais comuns e que podem ser abordados sob uma perspectiva leve e prática. Falta de autoestima, perda da capacidade de sonhar, relacionamentos confusos e infelizes também podem ser transformados.

Enfim, a Psicologia Positiva é para todos nós, que somos humanos, que amamos, que sofremos, que nos alegramos, que sonhamos e que nos esforçamos para termos uma vida melhor, uma vida mais feliz.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Yes, we can!

Auto eficácia, segundo Bandura* (1994), são crenças a respeito das nossas capacidades para obtermos determinado nível de performance em uma determinada atividade. Por que é importante estudar e compreender a auto eficácia? Porque ela influencia a forma como pensamos, agimos, sentimos e nos motivamos.

Características de pessoas com alto senso de eficácia:

  • Possuem segurança a respeito de suas habilidades pessoais e enfrentam os obstáculos como desafios a serem superados em vez de ameaças a serem evitadas.
  • Diante das dificuldades, em vez de desistirem, persistem e permanecem motivadas e, por isso, tendem a obter melhores resultados, o que reforça a sua auto imagem positiva.
  • Ampliam e sustentam seus esforços diante do fracasso, recuperando-se rapidamente diante de contratempos ou falhas.
  • Relacionam o fracasso ao esforço insuficiente ou a conhecimentos e habilidades deficitários e criam estratégias para superar essas dificuldades.
  • Não se posicionam como vitimas das circunstâncias e, por isso, são menos vulneráveis ao estresse e à depressão.

Veja abaixo um gráfico que esquematiza o funcionamento básico da auto eficácia:

Auto eficácia2

E como aumentar a percepção de auto eficácia? Há quatro caminhos possíveis:

Domínio de experiências desafiadoras. Um senso duradouro de eficácia advém da superação de obstáculos por meio do esforço perseverante. Neste sentido, dificuldades servem a um importante propósito: ensinar que o sucesso geralmente requer esforço permanente. Se em nossa história de vida triunfamos apenas em situações simples e fáceis, qualquer falha irá nos desencorajar. Por outro lado, se nos convencemos que possuímos as características necessárias para a superação dos desafios, perseveramos diante das adversidades e rapidamente superamos os contratempos.

Modelagem. Ao vermos pessoas parecidas conosco atingindo bons resultados em determinada situação, nós acreditamos que também somos capazes. Quanto mais semelhantes, maior a percepção de que temos chances similares de prosperarmos. Por meio destes modelos, observamos quais foram as estratégias e habilidades que deram certo e passamos a nos espelhar neles.

Persuasão social. Pessoas que são convencidas de que possuem as habilidades necessárias para realizar determinada atividade tendem a mobilizar maior esforço e sustenta-lo ao longo do tempo em vez de se ancorar nas dificuldades ou deficiências pessoais. Além de alimentar as crenças de que as pessoas são capazes, temos de estruturar situações em que elas possam praticar tais habilidades e obter êxito, evitando coloca-las prematuramente em situações em que elas provavelmente fracassarão. Mais importante do que aquilo que dizemos, é o que os indivíduos de fato observam na realidade ao se colocarem em ação.

Redução e reinterpretação de sintomas físicos. Tendemos a interpretar nossas reações fisiológicas e humores diante de eventos potencialmente estressantes como sinais de vulnerabilidade. Se vamos falar em público e sentimos o coração palpitar, podemos desenvolver a crença de que temos dificuldade com situações que exigem exposição e passamos a temer tais ocorrências. Por outro lado, qualquer grande autor relata sentir as mesmas emoções antes da estreia de um espetáculo, mas ele se energiza com tal sensação e a utiliza como facilitadora da performance. As reações corporais são as mesmas, mas a forma como elas são interpretadas são diferentes e influenciam a nossa crença de auto eficácia.

Mudanças na nossa percepção de auto eficácia, portanto, são fundamentais para aumentarmos a nossa performance e nossa realização pessoal. Com isso, aumentamos nosso bem-estar e autoestima e nos fortalecemos para enfrentar as dificuldades inerentes à vida.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Referência: Bandura, A. (1994). Self-efficacy. In V.S. Ramachaudran (Ed.), Encyclopedia of human behavior (vol. 4, pp. 71-81). New York: Academic Press. (Reprinted in H. Friedman [Ed.], Encyclopedia of mental health. San Diego: Academic Press, 1998).
*Albert Bandura, importante psicólogo canadense, professor da Stanford University, dedica-se, entre outros assuntos, ao estudo da auto eficácia e suas implicações para os processos cognitivos, afetivos e motivacionais dos indivíduos.