Você conhece suas forças pessoais?

Tenho certeza de que você é capaz de encher uma folha de caderno com os seus defeitos… E as suas qualidades, você conhece? Quais são suas competências e habilidades? Você consegue responder a essa pergunta com facilidade? Sente vergonha em dizer em voz alta que você é bom em alguma coisa?

Geralmente nós focamos a nossa atenção nos nossos defeitos. Somos criados desta forma e aprendemos a sempre estar atentos ao que podemos fazer melhor. É a velha história de tentar ensinar o peixe a voar em vez de incentivá-lo a ser o peixe mais rápido do cardume. Quando recebíamos uma prova corrigida na escola, olhávamos para as questões que erramos e nem tomávamos consciência das questões que acertamos. O erro torna-se o foco da nossa atenção desde muito cedo em nossa vida.

A consequência mais comum disso é que não nos tornamos conscientes de nossas forças pessoais, que são as ferramentas de trabalho que carregamos conosco e que podem nos ajudar a superar os desafios e as dificuldades. Assim os problemas se tornam mais difíceis de serem superados, pois não temos ciência de quais são os recursos intrapessoais de que dispomos para resolvê-los. Se Mateus tem elevada capacidade de liderança, mas, por outro lado, é desorganizado, um bom exercício é começar a ser líder de si mesmo, distribuindo suas atividades, estabelecendo suas metas, acompanhamento seus resultados da mesma forma como ele faz com a sua equipe. Se Marlene tem uma grande capacidade de amar e está com dificuldade de cuidar da sua saúde, se alimentar bem e praticar exercícios, por exemplo, porque não voltar essa capacidade de amor para si mesma, se amando a ponto de cuidar de si como cuida dos demais?

São questões simples, que fazem diferença significativa em nossas vidas, mas que muitas vezes passam desapercebidas na correria do dia a dia. Como nosso olhar está treinado para buscar o erro, para encontrar os defeitos, não desenvolvemos a capacidade de nos apropriarmos de nossas forças pessoais para as utilizarmos sempre que precisamos. Fazemos isso com nossas vidas, com nossos filhos, com nossas equipes de trabalho. As avaliações de desempenho nas organizações valorizam o que pode ser melhorado em vez de reforçar os pontos positivos. Os diagnósticos buscam identificar os problemas, em detalhar e aprofundar no que não está indo bem. Por que não começarmos a focar no que funciona em nossas vidas, naquilo em que somos bons?

Experimente conhecer e fortalecer as suas forças pessoais e você sentirá efeitos imediatos em sua felicidade.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Seja grato para ser mais feliz

Todos nós corremos atrás da nossa felicidade, muitas vezes sem saber muito bem o que temos perseguido. Já discutimos anteriormente que um ponto chave para uma vida mais feliz é ter um propósito que fará a sua vida ter significado e que nos trará mais motivação para superarmosos desafios do dia a dia.

Falamos também da importância de se olhar para o passado e ressignificá-lo, construindo uma nova história de vida, sob uma perspectiva mais positiva, e nos libertando de crenças limitadoras que nos prendem e nos impedem de prosperar.

Outro aspecto importante é acrescentarmos momentos de prazer ao nosso dia a dia para não transformarmos a nossa vida, como diz Tal Ben-Shahar no livro Seja Mais Feliz, em uma corrida de ratos em um laboratório.

Há também atitudes simples que podem aumentar o nosso bem-estar e até diminuir a depressão. Uma delas é ser grato. Falamos sobre o poder da gratidão em um dos primeiros post deste site. E isso não foi à toa. A gratidão é um elementado fundamental à nossa felicidade.

No livro Florescer, Martin Seligman nos fala de alguns exercícios simples que podem nos tornar mais felizes e o primeiro deles é escrever uma carta de gratidão. Para isso, basta se lembrar de alguém que tenha feito ou dito algo que mudou a sua vida para melhor e a quem você ainda não tenha tido a oportunidade de agradecer adequadamente. Agora experimente escrever uma carta de gratidão a esta pessoa e entregá-la pessoalmente. Depois me conte como foi que você se sentiu durante a experiência e nos dias seguintes.

Mas por que a gratidão pode nos criar mais felicidade em nossas vidas? Porque quando sentimos gratidão nos beneficiamos de uma lembrança agradável de um acontecimento positivo em nossa vida. Começamos, paulatinamente, a mudar o foco do nosso olhar, acrescentando lentes cor de rosa que nos fazem ver que, apesar de toda e qualquer dificuldade, sempre há algo de bom a que podemos nos sentir gratos.

Todos os meus pacientes atualmente recebem um pequeno diário de gratidão logo nas primeiras sessões. No começo eles não sabem muito bem o que registrar no diário. “Mas o que eu devo escrever?”, perguntam. E eu respondo: “se for um dia bom, escreva sobre o que tornou esse dia bom, se for um dia ruim, seja grato por estar respirando, por exemplo”.

Segundo Tal Ben-Shahar, ao escrever todos os dias sobre três ou cinco aspectos que nos fizeram feliz ao longo do dia, sejam coisas grandes ou pequenas, passamos progressivamente a:

  • manter o frescor das emoções positivas em nossa mente;
  • refletir sobre o significado dos acontecimentos em nossa vida;
  • desfrutar melhor dos momentos bons;
  • valorizar os eventos positivos em vez de considerá-los como algo já garantido ou conquistado.

Em dias de chuva aqui em Brasília, já temos um bom motivo para sermos gratos. Choveu? Registre no seu diário da gratidão! Não choveu, este também pode ser um bom motivo para sermos gratos, não? 😉

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Florescer do Martin Seligman está disponível na Amazon: Florescer