Psicologia Positiva não é ser feliz o tempo todo

Sempre que um movimento social começa a ganhar força, logo surgem seus opositores. Com a Psicologia Positiva (PP) não é diferente e à medida que ela cresce e se destaca no Brasil, começam a surgir textos e matérias em oposição, afirmando que a venda da felicidade é falacioso e enganoso, pois incutiria na população uma imposição de um padrão comportamental que conduziria à ansiedade e à frustração.

Barbara Fredrickson, uma das principais referências em PP e pesquisadora das emoções positivas há mais de 20 anos, diz que um conhecimento superficial da PP pode produzir mais malefícios que benefícios, pois pode induzir a uma percepção equivocada da área, que corroborariam as críticas acima apontadas. Foi por isso que escrevi o texto de hoje: para esclarecer e alertar que PP não é sobre ser feliz o tempo todo.

O primeiro ponto, discutido aqui anteriormente no texto Permissão para ser humano, é que somos plurais e todas as emoções que compõem a nossa vida são importantes, sejam elas positivas ou negativas. A raiva, a tristeza, o desgosto, o medo nos acompanham desde a nossa origem pré-história e serviram e ainda servem a nossa sobrevivência individual e como espécie. Além disso, para além de sua função evolucionista, as emoções negativas nos permitem sentir empatia, promover mudanças sociais importantes e nos impulsionam para a ação. E mesmo que elas não fossem cruciais em nossas vidas, a PP não seria ingênua de achar que seria capaz de desenvolver ações e terapêuticas capazes de acabar com a infelicidade. Isso seria charlatanismo.

O que a PP propõe, ao contrário, é acrescentar (e não substituir) o estudo das emoções positivas, do bem estar e da felicidade, das forças pessoais e das virtudes humanas aos tradicionais campos de pesquisa da Psicologia, ampliando-os e não reduzindo-os. A PP também se dispõe a pesquisar formas de aumentar a positividade em nossa vida, ja sabendo de antemão que a negatividade faz parte de nossa condição humana, nos ensinando como viver a vida de forma a favorecer e reforçar as emoções positivas e a diminuir a duração e o impacto das emoções negativas.

Vivemos em um momento em que a PP está na moda, principalmente depois da ascensão do Coaching no Brasil. E isso é muito bom. Contudo, poucas são as pessoas que realmente se preocupam em ter uma formação aprofundada na área e em conhecer essa ciência a fundo. Por isso, muitas vezes a PP soa como algo banal e fantasioso, pois começou a ser propagada de forma superficial e, algumas vezes, equivocada.

Por traz disso, há algumas vezes o interesse mercadológico em vender uma solução rápida para o sofrimento humano. Contudo, não há mágica. Para aprender a ser mais feliz, é necessário um esforço diário para a mudança de hábitos e de padrões mentais arraigados. E o que a PP tem a oferecer são descobertas científicas que nos apontam caminhos simples, práticos e duradouros nessa eterna jornada em direção à felicidade.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

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