Você tem medo de quê?

No post anterior, falamos um pouco sobre o que é autoestima e apresentamos dicas para lidar com problemas relacionados a ela. Agora vamos discutir dificuldades que surgem no nosso dia a dia quando a nossa autoestima está lá embaixo…

Uma autoestima elevada nos permite viver plenamente. Quando nos sentimos confiantes, nos lançamos diante dos desafios, desenvolvemos as nossas potencialidades e nos sentimos merecedores de tudo o que conquistamos. Por outro lado, quando a nossa autoestima está baixa, surgem sentimentos de insegurança e de inadequação.

Diante dessa realidade, surgem medos que podem tolher o nosso potencial e minimizar as possibilidades de sermos mais felizes. Um medo muito comum está relacionado a “o que os outros vão pensar”. Em situações como essa, nossas decisões deixam de ser balizadas em nossas crenças, valores e motivações e passam a ser baseadas em uma expectativa de agradar o outro.

Por exemplo, se Mariana tem baixa autoestima relacionada ao trabalho (discutimos no texto anterior que a autoestima pode ser situacional), mesmo que ela tenha capacidade de assumir grandes projetos e desafios, ela pode evitar situações de exposição com receio do que os seus colegas de trabalho irão pensar (“lá vai a aparecida”, “puxa-saco”, “ambiciosa”, “dormiu com o chefe” e por aí vai).

Outra dificuldade que pode surgir da baixa autoestima é a dificuldade em dizer não. Nesse mesmo ambiente de trabalho, o Alfredo, colega de Mariana, pode estar atolado de trabalho, enquanto seus colegas passam o dia tomando cafezinho, porque ele não consegue dizer não ao chefe quando ele lhe pede mais um relatório, mais uma análise, mais isso e mais aquilo. Por não reconhecer o seu próprio valor, Alfredo tem medo de dizer não e perder o emprego. Assim, ele não consegue negociar a priorização das tarefas e está sempre sobrecarregado.

Um terceiro medo que pode surgir é o medo de fracassar. Para evitar o fracasso, nem tentamos. Quando começamos a criar desculpas para não fazermos aquilo que queremos fazer, é hora de avaliarmos se não estamos fugindo com medo de fracassarmos. É o caso de João, colega de Alfredo, que passa o dia tomando cafezinho, pois odeia o seu emprego atual, mas tem medo de tentar outra coisa. Só de pensar em ser reprovado em uma entrevista de emprego, ele já pensa em deixar tudo como está e vai tomar mais um café.

Com isso, vemos que a autoestima pode ser uma potencializadora de nossas forças e virtudes, mas também pode ser uma grande sabotadora. Por traz de todos esses medos está uma mesma necessidade essencial: a necessidade que temos de sermos aceitos e validados por nossos pares. Contudo, nos esquecemos de que essa validação começa em nós mesmos, como o nosso amor próprio, com nossa autoconfiança e com nossa autocompaixão.

Somos nós mesmos que temos de reconhecer o nosso valor, as nossas forças, as nossas virtudes e até os nossos defeitos. Nos conhecendo, podemos utilizar o que temos de melhor para superarmos as dificuldades e desenvolver as características e as competências que nos faltam para chegarmos onde desejamos.

E você, tem medo de quê?

Vania Moraes, psicóloga e life coach