Felicidade e consumo

Escrevi anteriormente um texto sobre como as nossas escolhas financeiras podem contribuir para o aumento da nossa felicidade. A conclusão de pesquisadores do tema é que investir em experiências (ex: viagem) traz mais felicidade a médio e longo prazo que gastar com objetos (ex: carro). No post apresento essa questão de forma mais aprofundada. Leia que vale a pena.

Me lembrei desse assunto após ler um texto chamado Pessoas felizes não precisam consumir sobre a obra do filósofo Serge Latouche. O primeiro ponto que me chama a atenção é o tema da matéria. A tal felicidade realmente está na moda. Anos atrás não veríamos um texto sobre felicidade divulgado na mídia de forma tão despudorada. Felicidade era um tema secundário, nada sério, associado à auto-ajuda. Agora virou assunto importante e amplamente divulgado. Que bom!

A segunda questão é o velho dilema entre o ser e o ter. Para os psicólogos essa discussão é antiga. Nossa sociedade conseguiu inverter os parâmetros que referenciam o que o ser humano deve ser, afastando-o de uma reflexão sobre quais são os valores e as virtudes fundamentais para a Humanidade e estabelecendo castas de consumo que definem quem você é e o quanto você vale. Dentro dessa lógica, eu não preciso questionar minhas ações, o que é importante para mim e qual o impacto do meu comportamento sobre o mundo. Eu preciso de uma bolsa de marca, um celular de última geração, um carro potente e fotos que atestem isso publicadas no Instagram.

O terceiro ponto é o argumento do texto que indica que o caminho possível para o capitalismo é a diminuição no consumo. Ai estamos falando um pouco de Minimalismo, uma proposta muito interessante de repensar o consumo a partir de valores pessoais e do que é realmente necessário possuir. Sem acúmulos, sem exageros, sem uso de produtos para cobrir falhas de autoestima. Afinal, de quantos pares de sapato você precisa para ser feliz?

Contudo, não podemos reduzir o consumo a uma questão de felicidade ou de autoestima. As pessoas não consomem apenas porque estão infelizes ou insatisfeitas com suas vidas e consigo mesmas. Isso acontece muito sim, mas temos de lembrar que existem milhares de pesquisas em neuromarketing ensinando pessoas a vender produtos a outras que não estão pensando em consumi-las. Criam-se necessidades, valores, soluções para problemas antigos. E tudo isso é muito sedutor.

Enquanto há um ramo da ciência pesquisando sobre como tornar as pessoas mais felizes (Psicologia Positiva), já também inúmeros laboratórios interessados em descobrir como fazer essas mesmas pessoas utilizarem o consumo como suposta forma de diminuir a infelicidade. Geralmente a primeira perde fácil, pois para ser feliz é preciso muito mais esforço do que para comprar algo novo, mesmo que para isso seja necessário se endividar.

Por fim, esse texto mostra que a felicidade não é um assunto individual e egoísta, mas um tema necessário para que toda a Humanidade possa progredir, com menos consumismo, menos degradação ambiental e com escolhas mais conscientes e coerentes com nossos valores pessoais e nosso propósito de vida.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Para ler o texto Pessoas felizes não precisam consumir clique aqui.

Para saber mais sobre o Minimalismo, há boas opções de leitura com preço acessível:

 

 

 

 


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