Seis dicas de como cuidar das crianças e jovens na pandemia

Diante do agravamento da pandemia, as restrições de circulação voltaram a aumentar. Nesta situação, crianças e jovens passam cada vez mais tempo dentro de casa, em companhia dos eletrônicos.

Cada família está lidando com o quadro de uma forma. E isso muda de acordo as configurações familiares, o modelo de trabalho no qual os pais se encontram e características da própria criança, tais como idade, maturidade, demandas escolares, entre outros. Se as coisas estão funcionando bem na casa sua, ótimo. Se não, veja o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida de todos:

  1. Dica mais importante: comece cuidando da sua própria saúde mental. Você já deve ter percebido que geralmente seu comportamento se reflete no comportamento do seu filho. Assim, para que seus filhos fiquem bem, você precisa estar bem também. E tudo bem se de vez em quando você não esteja bem. Está difícil para todos nós. Se você não estiver bem na maioria dos dias, procure ajuda profissional.
  2. Para oferecer apoio é preciso diálogo. Converse com os seus filhos, mesmo que você não saiba a resposta para tudo. Para que eles possam expor suas vulnerabilidades, você precisa ensiná-los a fazer isso, se expondo também. Ajude-os a entender os seus sentimentos, sem julgamentos. Frases do tipo: “não precisa ficar assim”, “tem pessoas em situações piores” não validam a emoção sentida e os jovens vão aprendendo que há alguma coisa errada em se sentirem tristes, com medo ou com raiva. Não esqueça que as conversas devem ocorrer em um lugar calmo, seguro e acolhedor e sem nenhum eletrônico para distrair.
  3. Mantenha seus filhos informados sobre o que está acontecendo, respeitando a capacidade cognitiva e maturacional de cada um. Selecione informações de fontes confiáveis, limite o tempo de exposição às notícias, pois o excesso de estímulos sobre o tema também gera ansiedade e forneça dados que os auxiliem a adotarem cuidados protetivos (saber da importância das máscaras, da higiene das mãos e do distanciamento social). Tome muito cuidado com fake news e cenários catastróficos. Eles podem estar mais assustados do que demonstram.
  4. Estimule seu filho a se manter em contato com os amigos e familiares. A manutenção dos vínculos é uma peça importante na nossa vida cotidiana e, principalmente, na superação das dificuldades (leia mais sobre o tema aqui – Texto já publicado sobre pertencimento). Fique atento às questões de segurança e de exposição pessoal e ao tempo de uso de eletrônicos (estes temas serão tratados em outros posts).
  5. Defina uma rotina possível de ser seguida e compatível com os seus horários de trabalho e de descanso. A rotina ajuda a criar uma sensação de maior segurança, aspecto fundamental em tempos de incertezas. Nessa nova rotina, inclua tempos livres, atividades físicas e ao ar livre para tomar sol (tipo andar de bicicleta, jogar bola, vôlei, nadar, correr, subir em algo), mantenha os horários de dormir e de acordar e evite o excesso de guloseimas e de vídeos.
  6. Identifique como o seu filho está reagindo à situação da pandemia como um todo. Se ele estiver vivenciando estresse elevado, pode surgir sinais emocionais (irritação e agitação), comportamentais (mais carentes, ou mais retraídos) ou físicos (dores de cabeça, de estômago etc.). Detectar se há sofrimento e como ele se manifesta facilita na hora de oferecer apoio. Como as medidas de isolamento mudam ao longo do tempo (com abertura ou fechamento de escolas, por exemplo), a reação a elas muda também. Observe.

Por fim, de modo a auxiliar a identificar as principais reações ao estresse das crianças e adolescentes, veja abaixo os sintomas de acordo com a faixa etária:

Bebês e crianças de até 2 anos: tendem a ficar mais chorosos, manhosos e a buscarem contato físico com mais frequência.

Crianças de 3 a 6 anos: podem apresentar comportamentos regredidos e voltarem a adotar comportamentos de fases anteriores, tal como voltar a fazer xixi na cama quando já não o faziam mais, ou deixarem de progredir. Crises de raiva e dificuldade para dormir podem se tornar comuns.

Crianças de 7 a 10 anos: são alvos fáceis para informações falsas e tendem a se concentrarem em detalhes, o que as leva a ficarem presas a assuntos não muito construtivos referentes à pandemia. Pode haver maior grau de tristeza, raiva ou medo.

Pré-adolescentes e adolescentes: podem ter reações emocionais intensas. A desregulação emocional pode levar a uma sensação de sobrecarga, ocasionando maior dificuldade em se abrir e falar de suas emoções ou provocarem o afastamento dos amigos. Podem também desenvolver medo de sair de casa ou começarem ou intensificarem o uso de álcool ou drogas.

Este conteúdo foi elaborado com base nas orientações das seguintes organizações inglesas:   – PHE (Public Health England), Sociedade Psicológica Britânica, agência Children´s Comissioner e Comitê Permanente Interagências (IASC).

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