Psicologia e Pandemia – A resiliência e ancoragem no presente

No texto anterior, falei um pouco sobre as fases do luto descritas por Elisabeth Kübler-Ross e a pandemia de Covid-19 que estamos enfrentando. Uma dessas fases é a aceitação. Na aceitação, vemos a realidade como ela é, assimilando-a. Não nos sentimos mais desesperados e podemos desenvolver a resiliência.

A resiliência é capacidade de nos mantermos íntegros, com saúde mental e equilíbrio emocional diante de situações adversas ou desafiadoras. Para aumentarmos a resiliência diante dos desafios que a vida apresenta, podemos adotar as seguintes atitudes ou comportamentos:

  • Separar o que pode ser controlado daquilo que não pode ser controlado. Após fazermos esta separação, focamos naquilo que pode ser feito.
  • Ser flexível: tentar coisas novas ou novas formas de fazer o que fazíamos antes. Com as demandas do isolamento aprendemos rapidamente a trabalharmos de casa, comprarmos por delivery, nos comunicarmos por chamada de vídeo. Podemos levar essa postura flexível como uma aprendizagem para além da pandemia.
  • Ter , ou seja, um sentimento de que pertencemos algo maior, independente de uma crença religiosa. Quanto mais nos percebemos pertencendo a algo, mais sentido e significado tendemos a atribuir ao que estamos vivenciando.
  • Estabelecer relações de confiança. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença quando temos de enfrentar qualquer período difícil. A ampliação de nossas relações positivas pressupõe uma verdadeira conexão com os outros e, para isso, é necessário presença (falarei um pouco mais sobre isso abaixo).
  • Repensar a forma como vemos a vida. Nós acreditamos que a vida é muito difícil, que tudo que queremos é difícil de alcançarmos, que o mundo não é justo? Onde esses pensamentos estão te levando? Não se trata de adotarmos pensamento mágico e acharmos que basta pensarmos que algo bom se concretiza. Mas a forma como pensamos influencia nossas emoções e nossos comportamentos e isso sim interfere na nossa realidade (leia mais aqui).
  • Praticar gratidão, que também aumenta o nosso bem-estar e as nossas emoções agradáveis. Ao que você é grato no dia de hoje? Tendemos a considerar as coisas que temos (vida, saúde, família, casa, fonte de renda, segurança) como garantidas e não prestamos mais atenção ao quanto elas são bênçãos pelas quais temos de agradecer todos os dias (leia mais aqui).
  • Desenvolver otimismo e um mindset de desafio. Podemos ver os problemas como intransponíveis e devastadores ou como oportunidades de nos superarmos, de sermos criativos e de nos desenvolvermos. Busque as evidências de que algo é muito ruim e de que nada dará certo, questione essas evidências com base na realidade, reformule seus pensamentos por meio da frase: “Uma melhor forma de ver isso é…” e planeje as mudanças que deseja adotar.

Para estarmos verdadeiramente presentes e conectados em nossas relações é preciso demonstrarmos isso por meio de nossos gestos, nossos olhares, nosso tom de voz e pelas expressões faciais. É praticamente impossível conseguir estabelecer uma verdadeira conexão por meio de mensagens de texto, pois nenhum desses aspectos da comunicação não verbal é transmitido por zap. Neste período de isolamento social, dê preferência a contatos que promovam algum tipo de presença: chamadas de vídeo, ligações telefônicas (tão raras hoje em dia), encontros via zoom, meet, teams, etc.

Outro aspecto importante para que haja presença em nossas relações é a coerência entre o que falamos, o que pensamos e o que sentimos. Se estamos comunicando algo em que não acreditamos, não conseguimos nos conectar com nossos interlocutores de forma verdadeira. Para sermos coerentes é preciso aceitação de si e do outro.

Uma forma de exercitarmos a presença e ainda reduzirmos a ansiedade antecipatória (tão desafiadora em momentos como esse em que estamos vivendo), é a prática da ancoragem no presente. Algumas formas de praticá-la são por meio da meditação ou mindfulness (atenção plena), que também ajudam a aumentar a resiliência e o autoconhecimento. Há milhares de vídeos e aplicativos gratuitos disponíveis para quem quer aprender mais sobre o tema.

Outra forma rápida e simples de ancorar-se no presente e evitar a ansiedade antecipatória é nomear 5 coisas do ambiente ao redor (mesa, cadeira, almofada, travesseiro, luminária…), respirar e observar que nada do que foi imaginado (dos pensamentos ansiosos) aconteceu de fato.

Por último, o silêncio é uma ferramenta poderosa de ancoragem no presente e uma forma de lidarmos com a ansiedade. Durante o período de confinamento, contudo, está mais difícil de praticar o silêncio. Mas se você tiver a oportunidade de silenciar o ambiente e a si mesmo, aproveite-a!

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