Amor: uma nova visão

O que todos nós queremos é vivenciar o amor. Contudo, nesta busca, nos atrapalhamos e nos perdemos. Gastamos nossa energia com a repetição de velhos hábitos que não nos fazem sair do lugar e que não nos fazem crescer e vivenciar o amor de fato. Comemos demais, compramos demais, brigamos demais, bebemos demais. Tudo para tentar suprir um buraco interno que não tem fim.

Um aspecto que atrapalha a nossa busca pelo amor é a idealização em torno desta emoção. Confundimos amor com uma relação profunda e íntima, quando, na verdade, essas relações são o fruto do amor, e não o amor em si. Assim, a ordem é invertida: não precisamos de uma relação especial para sentirmos o amor. Pelo contrário, ao vivenciarmos o amor repetidas vezes com a mesma pessoa, tendemos a caracterizar essa relação de forma especial.

Nossa visão usual do amor o torna algo muito abrangente e complexo, um emaranhado de emoções contraditórias, de expectativas e de inseguranças. Contudo, quando entendemos o amor sob a perspectiva do corpo, de nosso funcionamento corporal, percebemos que o amor é uma emoção e assume as mesmas características das demais emoções positivas: seu alcance é amplo, mas sua duração é curta. Além disso, ele é contextual e vinculado às nossas interpretações.

O amor, portanto, é um micro momento de calor e conexão que compartilhamos com outro ser vivo. E esta conexão pode ser compartilhada com um estranho, com um amigo, com um namorado, com um animal de estimação. Ela permite enxergar o outro por inteiro, de forma desinteressada, com carinho e compaixão. Pena que, por ser emoção e não relação, dure tão pouco.

Contudo, apesar da fugacidade das emoções, no momento em que elas ocorrem, há um efeito imediato sobre o nosso cérebro e as nossas perspectivas e visão sobre o mundo ao nosso redor se ampliam, nos tornando mais flexíveis, receptivos, criativos e sábios. Com o passar do tempo, ao ampliarmos a vivência de emoções positivas em nosso dia a dia, vamos ampliando o nosso conhecimento, nossa resiliência, nossa integração social e nossa saúde física e emocional. Há, portanto, uma espiral ascendente das emoções positivas (Leia mais aqui).

Fica mais fácil de entender esse impacto das emoções positivas sobre o nosso funcionamento global quando pensamos na situação contrária: já percebeu que quando estamos com raiva ou tristes a nossa percepção se reduz, tendemos a ficar focamos em uma questão que nos incomoda, nossos pensamentos ficam mais limitados e os nossos recursos de solução de problemas muitas vezes nos deixam na mão? Isso ocorre porque não conseguimos pensar fora da caixa e ficamos repetindo padrões de pensamento e comportamento que são mais do mesmo, formando uma espiral descendente das emoções negativas.

E por que todos nós estamos em busca do amor? Porque o amor é uma emoção suprema, que permite se conectar de verdade com o outro e, por isso, nos traz vitalidade e a sensação de estarmos vivos de verdade. Ele nos nutre tanto em termos emocionais e espirituais quanto nutre também o nosso corpo. E por ser uma emoção suprema, o amor potencializa todos os benefícios que recebemos ou experimentamos com as demais emoções positivas.

O amor então nos traz vitalidade e energia. Ele altera a nossa bioquímica corporal que, por sua vez, impacta o nosso DNA, potencializando positivamente a sua manifestação, favorecendo a expressão de aspectos genéticos positivos, fazendo-o movimentar aspectos fundamentais de nossa arquitetura celular nos próximos meses ou anos.

Este nutriente essencial, que surge de uma conexão verdadeira e positiva com outros seres vivos, nos faz tão bem e é tão necessário para a nossa saúde e bem-estar, que passamos a vida toda em busca dele. Contudo, como nos atrapalhamos e confundimos amor com relacionamentos especiais ou com desejo e prazer, não o encontramos tão facilmente e criamos hábitos substitutivos em seu lugar.

Então se neste Dia dos Namorados você não estiver vivenciando um relacionamento positivo que lhe faça sentir o amor enquanto emoção, saiba que você pode exercitá-lo um pouco promovendo pequenas conexões profundas com aquelas pessoas com que você convive.

Leia aqui mais um texto sobre o amor sob a perspectiva das emoções.

Referência: Amor 2.0, de Barbara Fredrickson.

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