Ancestralidade, viagem, pintura e mistério

A exposição Lindeza, do artista visual David Almeida, entrou em ressonância com o meu coração. Ao ouvir sobre a proposta da exposição – retratar em pinturas as paisagens de uma viagem para visitar as cidades nordestinas onde viveram os antepassados do artista – emocionei-me com a busca de David e a forma como ele encontrou para elaborar o reencontro com suas raízes e ancestralidades.

O estudo sobre ancestralidades e minhas próprias raízes têm me acompanhado nos últimos anos. Em minha trajetória profissional como psicóloga, fascinei-me pelo inconsciente, alegrei-me com as proposições e descobertas da psicologia positiva e honrei meus antepassados por meio das constelações familiares. O caminho que percorro enquanto psicóloga, David percorre como artista.

Seu encontro com o inconsciente, representado pela sua fala como mistério, se manifesta por meio das imagens que emergem em sua obra. Os inconscientes pessoal e coletivo se apresentam o tempo todo em nossas vidas sobre diversas formas, e quando associados às imagens, seus poderes de captura e de identificação são muito potentes. A imagem enquanto manifestação do inconsciente transborda os limites da tela e se comunica diretamente com o que há de mais pulsante em nós.

As constelações familiares também retratam imagens do inconsciente. Ao iniciar uma constelação, o constelado entra em uma espécie de transe regressivo e traz para a cena (representada por pessoas, bonecos ou outras âncoras) as imagens de seu inconsciente a respeito do tema a ser constelado. E ao entrar em ressonância com o seu inconsciente, seus antepassados começam a aparecer em cena também. Não aqueles reais (seja lá o que isso for), mas as representações que carregamos a respeito de nossa ancestralidade e que, tal como uma herança, nos aprisiona e nos liberta em um destino compartilhado.

David fez esse movimento de auto constelação por meio de uma viagem. Passou 2 meses quase à deriva, vendo novas/velhas paisagens, ouvindo histórias, construindo novas significações. E o que chegou de seus ancestrais virou Arte, colocando todo esse movimento de encontro e ressignificação a serviço da Vida.

Projeto Conversa

Nesta quarta-feira, dia 8 de julho, às 18h, estarei com o David Almeida (@almeidadavid) participando do projeto Conversa, da Referência Galeria de Arte. Será uma conversa muito interessante, alinhando arte e psicologia.

A live será transmitida pelo insta da Referência: @referenciaarte

Necessidade de pertencer e isolamento social

Há décadas pesquisas no campo da psicologia indicam que o ser humano precisa se sentir pertencente a um grupo social para se sentir bem. Esta necessidade teria raízes evolutivas, pois teria garantido, no passado, que nos aliássemos e pudéssemos superar as adversidades do ambiente físico que nos circundava e nos ameaçava.

Os estudos sobre a necessidade de pertencer iniciaram na década de 50 e, apesar de terem sido utilizados várias palavras ou expressões para nomear o fenômeno, todos eles fazem referência à necessidade de se conectar com outras pessoas como um aspecto motivacional importante em nossas vidas. O mais popular destes estudos é a pirâmide da hierarquia das necessidades básicas de Maslow, na qual o pertencimento aparece como o terceiro fator motivacional humano.

Em 1995, o tema ganhou bastante destaque com os estudos promovidos por Baumeister & Leary, nos quais os autores propõem, alinhados ao pensamento de Maslow, que a necessidade de pertencimento (need to belong) é um fator motivacional fundamental e inato.

Diante da necessidade de pertencimento, a qualidade de nossos relacionamentos é um fator chave de nossa felicidade, pois a interação positiva com outras pessoas atua como proteção contra inúmeros problemas psicológicos, em particular, a depressão.1

A sensação de pertencimento traz, portanto, diversos benefícios sobre a nossa vida psíquica, tais como o fortalecimento de nossa autoestima e da percepção de autoeficácia. Além disso, conforme dito anteriormente, quem se sente pertencendo a um grupo tende a sofrer menos de depressão, ansiedade e estresse. Há benefícios também sobre a saúde física, com o aumento da imunidade e da longevidade. Pertencer, portanto, é tão importante para a nossa saúde quanto se alimentar bem e se exercitar.

Por outro lado, não se sentir pertencendo, ou seja, quadros de isolamento ou de baixa percepção de suporte social traz vários riscos para a saúde, tais como o aumento da mortalidade, a adoção de comportamentos de risco, adoecimento psíquico e comportamentos de automutilação (ASIS). O não pertencimento também possui impacto futuro e crianças que não foram devidamente inseridas em grupos familiares e sociais durante a infância apresentaram maior risco de doenças cardíacas na vida adulta.

A necessidade de pertencimento, contudo, está mais relacionada à percepção que temos a respeito da qualidade da nossa inserção em grupos sociais significativos do que à participação ativa e efetiva em um desses grupos.

Trata-se, portanto, de uma sensação de pertencer, de ser aceito, de fazer parte. Um jovem, por exemplo, pode ter uma participação ativa em uma sala de aula, mas não se sentir pertencente àquele grupo. Por outro lado, uma pessoa tímida e mais reservada pode se sentir fazendo parte de um grupo, mesmo que não se manifeste muito.

Em um contexto de isolamento social como o que estamos vivenciando atualmente, a sensação de pertencimento pode ser fortalecida por meio de interações virtuais, desde que elas propiciem, de fato, conexão. Para isso, é preciso estar verdadeiramente presente. E presença pressupõe atenção, interação, intenção.

Pertencimento na adolescência

As necessidades de pertencimento presentes desde o início da infância se acentuam durante a adolescência. Aqueles que se sentem pertencentes a um grupo de amigos apresentam mais facilidade na transição para a vida adulta e maior ajuste/adequação psicossocial.

Por outro lado, durante este período em que a necessidade de pertencer é premente, o risco de isolamento social é maior, pois os adolescentes já se distanciaram de seus pais para se aproximarem de seus pares e são mais vulneráveis a experiências sociais negativas. Neste contexto, ter um relacionamento com professores e sentir-se valorizado no ambiente escolar é um fator importante no desenvolvimento do adolescente.

Por passar boa parte de seu tempo no ambiente escolar, o senso de pertencimento a uma escola possui um profundo senso de conexão que irá influenciar comportamentos e pensamentos durante a vida adulta.

Neste sentido, a escola possui um importante papel ao reforçar e valorizar o senso de pertencimento. Nesta etapa da vida, os pais possuem pouca influência e os adolescentes nem sempre encontram suporte social entre outros jovens.

Contudo, atualmente, os adolescentes estão afastados do ambiente escolar real e estão imersos no ambiente virtual durante longos períodos de tempo. É preciso, portanto, que os pais estejam atentos à qualidade destas interações virtuais. Elas estão promovendo conexão ou reforçando ainda mais o isolamento? O jovem está se sentindo pertencente ao grupo familiar, ao grupo de amigos, à turma da escola? Como ele está vivenciando este fenômeno de interação quase que exclusivamente virtual? Quando estas interações ocorrem, elas pressupõem presença ou apenas uma postura passiva e distraída?

O poder da presença

Uma das maiores pesquisadoras sobre a presença é Amy Cuddy, autora do livro O Poder da Presença. Em outro texto, falei um pouco sobre a pesquisa dela sobre posturas de poder. Aqui vou escrever sobre outro aspecto apresentado no livro: a presença, aspecto fundamental para minimizar o isolamento social por meio das interações virtuais.

A presença é algo que é sentido e percebido enquanto nos relacionamos. Conseguimos nos sentir presentes e conseguimos saber se aqueles com os quais nos relacionamos estão presentes também. E como se dá a manifestação da presença? Por meio, principalmente, da comunicação não verbal, como a nossa voz, as nossas expressões faciais, a direção do nosso olhar, os nossos gestos e as nossas posturas.

A presença também pressupõe coerência entre o que dizemos e aquilo que pensamos, nossos valores e crenças. Para estarmos presentes, além de estarmos verdadeiramente interessados na conexão, na interação, no que o outro tem a dizer, temos de acreditar naquilo que dizemos, sermos sinceros. E para isso, é preciso estar disposto a estar vulnerável a ponto de expressar-se verdadeiramente. É preciso também acreditar em suas habilidades e capacidades e querer expressá-las. Presença, portanto, é antes de tudo, aceitar-se e aceitar o outro, sendo capazes de sermos nós mesmos e permitindo que o outro também se mostre tal como é.

Vania Moraes – Psicóloga

Você pode ler mais sobre o papel dos relacionamentos positivos nestes dois textos sobre os componentes da felicidade e do bem-estar: Os cinco princípios da felicidade e Os cinco elementos essenciais do bem-estar.

Referências:

  1. Allen K.; KernFisher e Robinson (2009), em Seligman, M. e Rashid, T, (2019) Psicologia Positiva, o Manual do Terapeuta (cap. 18). Relações positivas.
  2. M.L. (2017) School Belonging in Adolescents. Theory, Research and Practice (cap. 2). The need to belong. Ed. Springer Singapore

Coronavírus – Um convite ao amadurecimento

“Chegamos a um momento de deixarmos de ter opinião sobre as coisas, porque o que vem por aí é tão diferente e tão novo em relação a tudo o que vivemos, que não vale a pena ter opinião sobre as coisas. É preferível abrirmos às infinitas possibilidades que se mostram, para que através desse olhar atento daquilo que se mostra, encontrarmos o nosso lugar, encontrarmos o que precisa ser feito… permitir viver o momento presente e permitir que as possibilidades nasçam dessa observação”.

Esta frase da terapeuta sistêmica Maria Gorjão Henriques captou minha atenção há algumas semanas. Seu pensamento sobre os efeitos sistêmicos do coronavírus é apresentado no vídeo Fragilidade Sistêmica Mundial.

Dias depois, ao ler o livro Desatando os laços do destino, de Bert Hellinger, o mesmo pensamento se apresentou: a verdade “emerge do oculto e volta a submergir nele. Por isso, tampouco podemos apreendê-la. Nós nunca a seguramos. Alguns julgam que é válida e eterna a verdade que julgam ter nas mãos. Não, a verdade só se mostra por um instante e volta a submergir. Por conseguinte, a cada vez que emerge, ela é diferente.

Nossas verdades submergiram sob os efeitos do coronavírus.

Esta pandemia nos convoca a assumirmos, cotidianamente, a posição de não-saber, de olhar para o fenômeno e tentar apreendê-lo, sem poder contar com nossas referências anteriores. Tudo agora é inusitado e desafiador.

Mas não é assim a Vida?

O vírus nos tira de nossa posição arrogante, na qual já sabemos, e nos remete à nossa condição humana de eternos aprendizes. Tudo são apostas, probabilidades e conjunturas. Já era assim antes, mas a ilusão nos mantinha “a salvo”. Agora ela já não serve mais.

Neste momento de crise, para lidar com a ansiedade do desconhecido apenas a fé nos serve. A fé em algo maior, na Vida, em Deus. Sem fé, e sem que se acredite em um sentido para a vida, só resta o caos. Se você não acredita em Deus, busque acreditar em algo que transforme a sua vida em algo como um propósito pelo qual lutar. Pode ser o amor à sua família, pode ser um trabalho de caridade. Acreditar na positividade é hoje em dia mais do que uma forma de ser mais feliz, mas um mecanismo de sobrevivência e de manutenção do equilíbrio emocional.

É hora de sairmos da ilusão do poder e do controle, uma posição psicologicamente infantil, para amadurecermos e nos colocarmos pequenos diante da grandeza da Vida.

Amadurecer não é se tornar grande, rígido e poderoso, saber-dor de todas as respostas. Amadurecer é se tornar pequeno, humilde, permitindo que o a Vida siga e atue. É permitir que o destino se manifeste e siga seu fluxo. É ter fé no futuro e se reconhecer como não saber-dor (grande parte de nosso sofrimento advém daquilo que “sabemos”, das verdades e crenças que construímos para contar a nossa história pessoal).

Amadurecer é se libertar das ilusões infantis e olhar para a realidade como ela é: fragmentada, temporária e emergente, pois assim o somos enquanto expectadores. E a Verdade só pode ser captada por nossos olhares limitados, de forma limitada. E cada vez que ela emerge, como nos apresenta Hellinger, ela emerge diferente e nosso olhar sobre ela é diferente também.

Amadurecer também é abrir mão do pensamento mágico. Sem autocuidado e sem solidariedade não há saída possível. Eu não existo sem o outro e, portanto, cuidar de mim é cuidar do outro e o cuidado do outro sobre si repercute positivamente em mim. Não há mágica, apenas assunção de responsabilidade. Lembrando que responsabilidade não é poder e controle.

Quando somos pais, empregadores, líderes não temos controle sobre nossos filhos, subordinados ou liderados. Mas quando assumimos estas funções com responsabilidade, admitimos a transitoriedade da vida e tomamos decisões que são na verdade apostas e probabilidades, e nunca respostas definitivas. E tomar uma decisão é sempre um ato de fé. É se jogar no escuro e esperar que dê tudo certo. Ao tomarmos decisões, acolhemos os fragmentos de verdade/realidade de que dispomos, os submetemos às nossas crenças e valores e nos iludimos de que estamos tomando as melhores decisões.

Se a decisão foi feita de uma forma madura e responsável, ela nos traz tranquilidade. Repousamos sobre ela. Se a decisão foi tomada de forma atabalhoada, muito influenciada por nossas questões inconscientes, ela não nos traz conforto, apenas apreensão e insegurança.

Sejamos, portanto, pequenos, maduros e responsáveis. Ao sermos pequenos, aceitamos a Vida tal como ela é e se apresenta momentaneamente. Não lutamos contra ela. Ao sermos responsáveis, assumimos a nossa nobreza diante da grande teia de complexidades e inter-relações que nos compreende e nos abraça.

Vania Moraes – Psicóloga

O que é Psicologia Positiva?

Quando falamos em Psicologia Positiva, naturalmente criamos uma falsa dicotomia entre “positivo” e “negativo”, como se fosse possível localizar a experiência humana em um desses polos. Contudo, positivo e negativo, dentro da perspectiva da Psicologia Positiva, deve ser entendido como fazendo parte de um continumm no qual os fenômenos humanos acontecem e enriquecem a experiência humana, ora pendendo mais para um lado, ora pendendo mais para o outro.

Nesse contexto, não há, por exemplo, como sentir apenas emoções positivas. As emoções negativas fazem parte da complexidade da natureza humana e é importante que elas estejam lá. A Psicologia Positiva, portanto, não contrapõe as experiências positivas às negativas, mas direciona o seu olhar para aquilo que está funcionando bem e que permite ao ser humano desenvolver o seu potencial e florescer.

Assim, ao voltar o olhar para as potencialidades humanas, a Psicologia Positiva não ignora que o desenvolvimento de qualquer potencial pressupõe a superação de dificuldades, momentos de tristeza e frustração, além de toda uma infinidade de eventos, sentimentos e pensamentos que compõem a nossa vida.

O foco, portanto, é observar o que faz com que algumas pessoas, apesar de todos os contratempos e dificuldades, prosperem, se sentam felizes e realizadas, enquanto outras muitas vezes se perdem nas tramas cotidianas ou não enxergam a luz no fim do túnel.

Muitas vezes, apenas a mudança de nosso olhar, do foco que damos ao que acontece ao nosso redor, já contribui muito para a mudança do nosso bem-estar.

E você, onde está a sua atenção no dia de hoje? Nas experiências positivas ou negativas?

Saiba mais sobre Psicologia Positiva aqui.

Vania Moraes – Psicóloga

Resoluções de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.

Receita de Ano Novo, Carlos Drummond de Andrade , Editora Record. 2008.

Quando se aproxima a virada de um ano, geralmente nos propomos ‘Resoluções de Ano Novo”. Mas da mesma forma como propõe o poeta, tudo que se propõe novo começa em nós. E é justamente por isso que nossas resoluções muitas vezes não atingem o mês de fevereiro, pois ficamos na expectativa de que os outros mudem ou que as coisas mudem, quando na verdade nós que somos responsáveis pelas mudanças que queremos em nossas vidas. Como não nos comprometemos com nós mesmos, seguimos, ao longo do ano, fazendo as resoluções de segunda-feira, as resoluções da próxima semana, do mês seguinte, sempre adiando para o futuro o alcance de objetivos que são importantes para nós.

A proposta deste texto é, então, auxiliá-lo para que seus Resoluções se transformem em Conquistas de Ano Novo, a serem comemoradas em dezembro de 2019, ou muito antes disso, de acordo com o seu empenho e comprometimento.

A primeira questão é refletir: minhas resoluções são decisões de fato ou apenas listas de desejos? Estou verdadeiramente comprometido com aquilo a que me proponho? Quando decidimos de fato fazer algo, não há nada que nos detenha. Enfrentamos os contratempos, os desânimos, o cansaço e seguimos firmes em nossos objetivos. O problema é que essa postura é muito mais uma exceção do que a regra do nosso comportamento. Desejamos mudar uma série de hábitos, mas raramente decidimos de fato mudá-los.

A segunda questão é: o que de verdade eu quero mudar? Será que eu realmente quero parar de comer besteiras ou eu estou me enganando? Quando eu digo que irei economizar no próximo ano eu estou de fato querendo guardar dinheiro e abrir mão de consumir várias coisas ou eu vou guardar dinheiro se der e como der? Eu realmente quero mudar? O que eu ganho mantendo o meu comportamento atual? Com certeza um monte de coisas. Se você quiser mesmo mudar comportamentos é importante observar quais são os ganhos indiretos que você obtém ao mantê-los e avaliar se você está disposto a abrir mão deles.

A terceira questão é que tendemos a fazer uma nossa lista de Resoluções que se parece mais com uma lista de supermercado. Ou seja, uma lista muita grande, às vezes sem muita reflexão prévia e que, por isso, não tem foco e cansa só de olhar. Ao ver uma lista enorme de mudanças a serem feitas o seu cérebro vai jogar contra você. Afinal, nosso cérebro funciona pela lei do menor esforço, da economia de energia, pois além das suas vontades de emagrecer ou de economizar, ele precisa administrar o sistema digestivo, o circulatório, linfático…toda uma série de relações sinápticas complexas e que te mantém vivo e saudável. Diante da sua lista, seu cérebro pensará: “ok, na segunda semana de janeiro ele já vai ter desistido disso e tudo volta ao normal“. Assim, a lista de supermercado de desejos possui dois problemas principais: ela é desmotivadora e nada convincente.

Para lidar então com essas questões, há algumas estratégias a serem seguidas:

  1. Priorize o que é de fato importante e foque nisso. Faça uma lista de tudo o que você gostaria de mudar no ano que vem. Agora veja se existe algum aspecto dessa lista que, se efetivamente modificado, irá proporcionar ganhos em outros aspectos da lista. Por exemplo, uma de suas metas pode ser praticar exercícios físicos. Ao decidir fazer um esporte e se comprometer com isso, outros benefícios podem ser conquistados como consequência: aumento da disposição, emagrecimento, aumento da autoestima, melhoria dos relacionamentos (ao se sentir mais disposto, você dedica mais energia às suas relações ou se abre a novos relacionamentos), entre diversos outros.
  2. Estabeleça objetivos que sejam claros e desafiadores e que lhe permitam utilizar as suas forças, talentos e recursos. Se um dos seus objetivos é melhorar a sua vida financeira, observe quais são as suas forças pessoais e talentos e como você pode utilizá-los a seu favor. Se você possui uma força de liderança, mobilize as demais pessoas da sua família a se engajarem nesse objetivo com você; se você é bom em planilhas Excel, elabore um bom registro de gastos, com o qual você possa se divertir enquanto preenche e controla suas despesas. Mas se você não gosta de planilhas e é bom em relacionamentos pessoais, você pode fazer, por exemplo uma organização simples de seus gastos e receitas e invista em outras fontes de renda vendendo produtos de catálogo, por exemplo. Se você, por outro lado, tem habilidade em aprender, utilize seu amor ao aprendizado para se informar ao máximo sobre finanças pessoais. Veja no que você é bom e use isso ao seu favor.
  3. Seja bastante específico ao definir suas metas. Se você quer emagrecer, de quantos quilos você quer se livrar, e em quanto tempo? Quer só perder gordura ou quer substitui-la por massa muscular? Se você quer aumentar sua renda, qual é o valor exato que você quer passar a ganhar? E quando você quer começar a ganhar esse valor? E como será isso, conseguindo uma promoção no trabalho ou por meio de uma segunda fonte de renda?
  4. Suas metas devem ser desafiadoras, mas alcançáveis. Objetivos audaciosos demais irão te desmotivar. Pequenas conquistas, mas consistentes, aumentam o sentimento de autoeficácia e, com isso, a motivação em prosseguir.
  5. Aprenda com os erros e antecipe obstáculos. Lembre-se da lista de resoluções do ano passado (provavelmente será muito parecida com a deste ano) e observe o que foi que não deu certo. O que você aprendeu com essas experiências? Se você se matriculou em uma academia e nem turismo você fez por lá, o que você pode tirar de aprendizado dessa experiência? Como você pode enfrentar os obstáculos que surgirão? O que você pode fazer de diferente para que dê certo em uma próxima vez? Matricular-se em uma academia mais próxima do trabalho? Priorizar atividades coletivas em que você possa estar rodeado de pessoas que te ajudem a se sentir motivado? Transforme culpa em aprendizado.
  6. Comemore e reforce os seus acertos. Com certeza este foi um ano em que muitas coisas boas aconteceram em sua vida. Seja grato a tudo de bom que aconteceu, observe como você foi capaz de realizar muitas coisas e perceba como você se comportou nessas situações de sucesso. O que você fez? Qual foi o seu pensamento enquanto se engajava nas ações? Como você mobilizou os recursos que tinha? Aproveite as festas de final de ano para celebrar com seus amigos e familiares as suas conquistas e se permita se sentir muito feliz com isso.
  7. Seja otimista. As pessoas otimistas possuem uma forma de ver e explicar o mundo que lhes permitem interpretar as adversidades e os problemas por meio de filtros positivos, o que promove: aumento de habilidades de resolução de problemas e de controle do estresse, redução da ansiedade e da depressão, aumento da resiliência e da adaptabilidade, melhora da saúde física e mental, além de ampliar o foco, a persistência e a capacidade de atingir objetivos. Se você é pessimista, não use isso como desculpa. O otimismo pode ser aprendido. Transforme as suas crenças pessimistas em crenças em suas potencialidades e capacidade de enfrentar desafios.
  8. Trabalhe todos os dias em seus objetivo principal. Depois de priorizar o que é importante, de definir uma meta específica e desafiadora, faça um plano de ação e invista tempo nele todos os dias. O alcance de nossos objetivos envolve comprometimento e engajamento. É preciso investir energia física e cognitiva diariamente. Esforço e dedicação fazem parte do processo de mudança. Mas ao final, a recompensa vale a pena. Se você deseja modificar um hábito, você pode transformá-los em mini-hábitos e praticá-los todos os dias. Assista aqui um vídeo ilustrativo sobre os mini-hábitos produzido pelo canal IlustradaMente.

Aproveite a energia e a expectativa positivas que acompanham a chegada de um novo ano e utilize isso como um motor para mudanças de comportamento que lhe façam mais feliz e realizado.

Feliz 2019! 🙂

O consumo consciente e o efeito manada

Um aspecto importante de nossa felicidade são as escolhas que fazemos cotidianamente a respeito de vários aspectos de nossas vidas. Algumas escolhas são mais complexas, como, por exemplo, em qual escola matricular os filhos, outras mais simples, como decidir onde passar a noite de Natal.

Há também as escolhas corriqueiras, que, ao serem quase automáticas, muitas vezes nem se parecem com escolhas e se tornam hábitos. Geralmente esses hábitos só se tornam conscientes quando começam a nos trazer algum incômodo ou dificuldade. É o caso, por exemplo, das nossas escolhas para o café da manhã: onde nosso famoso pãozinho francês quentinho com manteiga nos hipnotiza e nos faz esquecer da dieta.

Com o nosso consumo acontece a mesma coisa. Muitas vezes adquirimos produtos ou serviços de forma habitual, quase automática, sem reflexão. Compramos os produtos que já estamos acostumados a comprar, sem nos questionarmos se realmente precisamos deles ou se eles realmente possuem a melhor relação custo-benefício para nós. Muitas vezes damos preferência a uma marca porque já estamos acostumados com ela sem avaliarmos se ela é de fato a melhor opção.

Neste processo de compra pouco ou nada consciente, muitas vezes somos vítimas do efeito manada. Fenômeno muito estudado no âmbito da psicologia econômica e da psicologia social, o efeito manada diz respeito às influências que os grupos ou grandes influenciadores possuem sobre o nosso comportamento. Quantas vezes adquirimos um produto que está na moda para meses ou até mesmo dias depois eles ficarem esquecidos nos armários ou nas gavetas?

A moda existe, portanto, porque as pessoas e suas decisões são influenciadas pelo comportamento coletivo. Há modismos no consumo de roupas, acessórios, equipamentos eletrônicos e até brinquedos. Em uma reportagem sobre o assunto, um adolescente aparece falando sobre a compra de um produto: “Eu não queria ficar de fora, né?”.

É justamente esse receio de ficar de fora, de ser diferente e, em uma última análise, ser rejeitado pelo grupo, que nos move a sermos cada vez mais parecidos uns com os outros, comprando o que os outros compram e agindo com os outros agem, sem nenhuma reflexão ou avaliação sobre o que de fato é importante e significativo para nós. Afinal, “ficar de fora” fere uma necessidade fundamental do ser humano que é a necessidade de pertencer.

Em razão dessa necessidade de pertencer, as pessoas agem em conformidade com o seu grupo social de referência. “Está todo mundo…” Se está todo mundo comprando ou fazendo algo, deve ser bom, certo? Nem sempre. Pode ser que algo que seja bom para o seu vizinho não seja bom para você.

O efeito manada também está muito presente no mercado financeiro e já levou muitas pessoas à falência no mercado de ações. Há também a situação em que um boato sobre uma eventual falência de um banco pode provocar uma corrida para o resgate do dinheiro mantido na instituição e esse fenômeno pode de fato, acionar uma falência.

Em uma pesquisa realizada por Milton Valejo Sanches no período de janeiro de 1995 a maio de 2012, identificou-se tendências relacionadas ao efeito manada entre os agentes brasileiros atuantes na bolsa de valores. Além de observar a presença do efeito manada, o autor observou que esse efeito se reduziria (em vez de elevar-se como seria esperado em uma compreensão de senso comum) em períodos marcados por crises financeiras.

Do resultado dessa pesquisa, podemos inferir que em situações de crise, as pessoas tendem a se tornar mais cautelosas e atentas às suas decisões de consumo ou de investimento, o que minimizaria a influência do comportamento coletivo sobre o comportamento individual.

Além da necessidade de pertencer, o efeito manada está associado também à forma como o nosso cérebro funciona. Como nosso cérebro gosta de economizar energia no processo de tomada de decisão, ele prefere confiar na opinião de outras pessoas que, teoricamente, já decidiram anteriormente sobre o assunto e, a partir dai, replicar o mesmo comportamento que já foi validado socialmente, mesmo que este não seja o melhor comportamento a ser adotado por aquela pessoa em uma dada situação.

Assim, ir contra ao efeito manada exige um duplo esforço: refletir sobre o comportamento, saindo do automatismo e da imitação do comportamento coletivo, e a coragem de se diferenciar do grupo, correndo-se o risco de sofrer algum tipo de rejeição social, sempre dolorida. Devido ao esforço exigido, o efeito manada, apesar de pouco racional, continua fortemente presente em nossa sociedade e em nossa vida privada.

Por sua forte influência sobre o comportamento e sobre a tomada de decisão, o efeito manada é muito utilizado pelo marketing para fazerem as pessoas consumirem mais. São utilizados diversos recursos, como por exemplo o uso de influenciadores (garotos e garotas propagandas) ou pelo apelo aos milhares de seguidores que já fizeram uso daquele produto e que agora dão o depoimento de o quanto ele é bom. Presente também sob a forma de fake news, o efeito manada pode influenciar milhares de pessoas na formação de opinião sobre determinado produto, assunto ou pessoa.

O efeito manada também valida comportamentos agressivos e violentos. É ele que torna uma discussão em um estádio de futebol um verdadeiro barril de pólvora. Basta um primeiro soco ou ato de vandalismo para a violência de disseminar rapidamente e pessoas que são normalmente pacíficas se verem praticando atos extremamente violentos sem nenhuma reflexão.

Se você acha que suas escolhas de consumo são verdadeiras decisões, pare e avalie novamente. Será que você não está adquirindo um produto porque está na moda ou porque alguma blogueira famosa está usando também? Ao emitir opinião sobre um fenômeno você verdadeiramente se debruçou e refletiu sobre o assunto, ou está apenas replicando a opinião de alguém?

Diferenciar-se do comportamento coletivo pode ser a princípio extremamente difícil, mas é fundamental para a nossa felicidade. Qualquer decisão a ser tomada, seja ela vinculada à aquisição de algum produto ou não, deve ser refletida para que esteja alinhada ao que é verdadeiramente importante para nós. Nossos valores, princípios e sonhos devem ser os principais balizadores de nossos comportamentos. Afinal, não são os outros que sofrerão com as consequências de nossas ações, mas nós mesmos. Além disso, também podemos ser influenciadores de grupos ao começarmos a investir em nossa felicidade e não na aquisição de produtos desnecessários.

Quer saber mais sobre o assunto, assista a trechos de um bate papo que tive com Vital Fagundes, do programa Contas no Azul, transmitido no Facebook:

Vania Moraes, psicóloga e life coach
Referências: Sanches, M. V. (2013). Comportamento de Manada em Direção ao Índice de Mercado evidências no mercado brasileiro de ações. São Paulo: Dissertação de Mestrado na Universidade de São Paulo.

Comfort food

Você já ouviu falar em comfort food? Comidas conforto ou comidas reconfortantes são aquelas cuja ingestão está associada à promoção de emoções positivas, como alívio, nostalgia, consolo psíquico ou sensação de bem-estar.

Uma de suas principais características é que são geralmente alimentos ricos em açúcares e carboidratos. Dificilmente uma alface ou um rabanete irão desempenhar esse papel reconfortante quando nos sentimos tristes ou estressados. Nessas situações, quando comemos algo que nos traz alívio ou bem-estar, preferimos alimentos mais calóricos e que fazem parte de nossas memórias afetivas.

As comidas conforto, portanto, variam de acordo com a cultura em que estamos inseridos e com nossas histórias pessoais e familiares. Enquanto para um americano o cachorro-quente pode ser facilmente percebido com um comfort food, para um mineiro essa função de reconforto emocional será mais facilmente exercida por um café com leite ou um pão de queijo quentinho.

A comida conforto, portanto, é a comida ou bebida consumida quando se busca uma sensação de alívio, de segurança subjetiva ou uma compensação emocional. As preferências alimentares de conforto são formadas geralmente durante a infância e estão associadas a memórias agradáveis e prazerosas.

Essa relação de resposta emocional à comida não diz respeito ao alimento em si, mas ao que ele representa, aos significados atribuídos a ele no passado e que são socialmente reforçados ao longo da vida. Sem que tenhamos muita consciência dessa relação emocional com a comida, ela acaba influenciando fortemente nossas escolhas e, em um contexto de reeducação alimentar, dificulta a mudança de nossos hábitos alimentares.

O conceito de comfort food é bastante explorado pelo marketing. Muitas propagandas fazem referência a essa relação emocional com a comida e os alimentos são apresentados em contextos sociais em que a troca de afetos é evidente e onde as pessoas aparecem felizes em suas relações sociais.

Contudo, o que a ciência tem descoberto é que o efeito da comfort food é muito mais subjetivo que objetivo, ou seja, efeitos positivos reais sobre o nosso humor são dificilmente comprovados. Ou seja, comemos para nos sentirmos melhores, mas quando pesquisadores medem o humor antes e depois da ingestão de alimentos reconfortantes após situações estressantes ou tristes, não se observa mudança significativa no padrão emocional.

Assim, enquanto a maioria das pessoas acredita que a comida conforto eleva o seu humor, achados empíricos que forneçam suporte a essa crença são difíceis de encontrar. Em razão disso, há publicações sugerindo que a própria noção de comida conforto seria um mito. Se é um mito ou não, não podemos dizer, pois ainda há muitas incertezas que nos impedem de afirmar ou de negar que um alimento reconfortante pode, de fato, oferecer benefícios psicológicos a quem o consome.

Além da dificuldade de se comprovar que determinados alimentos realmente melhoram o nosso humor, há achados que indicam que mulheres, após consumirem comfort food, tendem a se sentir culpadas, provavelmente em razão do alto valor calórico geralmente presente nesses alimentos. Dessa forma, além de dificilmente terem efeitos positivos sobre a nossa saúde emocional, se forem ingeridos com culpa, terão um efeito negativo evidente.

Outras pesquisas indicam também que, enquanto mulheres tendem a fazer uso de comfort food em situações de solidão, depressão ou culpa, o que reforçaria uma espiral negativa no uso desses alimentos, homens tendem a fazer uso de comfort food como recompensa por conquistas pessoais. Esses achados relacionados ao uso do alimento como “prêmio” se contrapõem ao conceito usual de comfort food associado a tentativa de se contrabalançar emoções negativas, pois ele também pode ser utilizado na presença de emoções positivas, para reforçá-las.

Em razão dos achados pouco conclusivos relacionados ao uso da comida para o alívio de emoções negativas, talvez seja interessante, quando nos sentirmos sozinhos, estressados ou tristes, adotar outras estratégias que possam de fato melhorar o nosso humor em vez de atacarmos a caixa de bombom mais próxima (leia aqui dicas de como lidar com o estresse sem descontar na comida).

Ou então, caso você decida fazer uso da comida conforto de forma deliberada, experimente convidar alguém para compartilhar este momento com você, pois, ao contrário da comfort food, as relações afetivas têm comprovadamente efeito positivo sobre o nosso bem-estar e felicidade. Portanto, se for para enfiar o pé na jaca, faça-o em boa companhia! 😉

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Referências:

Spence, C., Comfort food: A review, International Journal of Gastronomy and Food Science 9 (2017) 105-109 (https://doi.org/10.1016/j.ijgfs.2017.07.001)

5 elementos essenciais do bem-estar

Em Wellbeing: The Five Essential Elements (Bem-estar: Os Cinco Elementos Essenciais), os autores Tom Rath e Jim Harter compartilham os resultados de um estudo de referência sobre o bem-estar e suas implicações para organizações e indivíduos. O estudo foi conduzido pelo instituto Gallup em 150 países e seu objetivo era investigar quais são os aspectos que contribuem para melhorar nosso bem-estar.

Os resultados desta ampla pesquisa indicam que existem cinco elementos universais e interconectados que moldam nossas vidas: bem-estar profissional, bem-estar social, bem-estar financeiro, bem-estar físico e bem-estar comunitário.

Psicologia_Positiva_5_elementos_essenciais do bem_estar

 

O bem-estar profissional significa ter amor pelo que fazemos, gostar do se faz todos os dias e se sentir motivado e energizado para ir em busca de nossos objetivos. Quando passamos a maior parte da nossa vida investindo em atividades que não nos trazem retorno em termos de realização, sentido e propósito, vamos perdendo a nossa energia e motivação aos poucos.

O caso extremo da ausência de bem-estar profissional é a situação de desemprego. Os estudos realizados pelo Instituto Gallup relevaram que tendemos a nos recuperar mais rapidamente da morte de um parente próximo do que de um período continuado de desemprego. Há outros estudos da Psicologia do Trabalho que demonstram a associação entre desemprego e depressão ou a outras formas de adoecimento psíquico. Afinal, somos aquilo que fazemos e boa parte de nossa identidade é construída a partir de nossa vida profissional.

O bem-estar social significa ter relacionamentos fortes e amor em nossas vidas. Ele diz respeito ao cuidado que dispensamos às pessoas de quem gostamos e que são importantes e significativas para nós. Muitas vezes nós não dispensamos às pessoas que amamos o carinho que elas merecem: falamos de qualquer jeito, não temos paciência, ficamos presos aos smartphones ou adiamos uma conversa por que estamos “ocupados”. Portanto, se você quiser fortalecer o seu bem-estar social, priorize momentos para estar com a família ou com os amigos, apesar da correria do dia a dia. Além disso, escolha bem sua rede de relacionamentos e seja um influenciador positivo dentro das mesmas.

O bem-estar financeiro significa administrar sua vida econômica de modo a reduzir estresse e a aumentar a segurança financeira. Ou seja, bem-estar financeiro é não ter de se preocupar com dinheiro e administrar sua vida de forma eficaz. O mais importante não é o quanto você ganha, mas como você administra o que ganha.

Quando estamos devendo, sem capacidade de pagamento, a nossa qualidade de vida diminui. Nos sentimos ansiosos, estressados e pressionados e, muitas vezes, não vislumbramos um futuro positivo e próspero em nossa frente. É por isso que o bem-estar financeiro está mais relacionado à forma como administramos o nosso dinheiro do que com quanto a gente ganha.

Além disso, um aspecto importante de nossa vida financeira é a referência que utilizamos para avaliarmos nossos ganhos. Se precisamos de mil reais para viver bem, mas estamos em um contexto em que as outras pessoas ganham 10 mil, vamos nos sentir pobres. Por outro lado, se precisamos dos mesmos mil reais para viver bem, mas ganhamos 900 reais e as pessoas ao nosso redor ganham 500, começamos a nos sentir privilegiados.

Outros aspecto importante é que, no gasto do dinheiro, temos mais satisfação quando gastamos com experiências, quando ajudamos ou doamos aos outros e quando gastamos juntos. Para saber mais sobre esse assunto, leia aqui.

O bem-estar físico significa ter boa saúde e energia suficiente para realizar as atividades do dia a dia. Alguns parâmetros são importantes e mundialmente conhecidos: ter um sono de qualidade para que o nosso cérebro possa trabalhar bem nos processos de memorização, criatividade, etc; ter bons hábitos alimentares (leia aqui sobre como nossas emoções impactam a nossa alimentação); a prática de exercícios físicos regulares e que nos tragam prazer, entre outros.

Por fim, o bem-estar comunitário está relacionado com a conexão que desenvolvemos com o lugar em que vivemos, sentindo-nos seguros e tendo orgulho de nossa comunidade. Essa “comunidade” tanto pode ser a nossa cidade, quanto o nosso bairro, a nossa igreja, um grupo com o qual temos um relacionamento próximo e com o qual contribuímos diretamente e nos sentimos realizados por isso. Quando temos um forte laço comunitário, o nosso bem-estar social também tende a se fortalecer, pois ampliamos a nossa rede de apoio e de amizade.

A vida urbana nos conduz no sentido contrário ao do bem-estar comunitário, mas é importante se sentir fazendo parte da cidade, do bairro ou pelo menos da quadra ou rua em que vivemos. Uma forma de desenvolver essa sensação de pertencimento é por meio da apreciação da beleza e da cultura da cidade, seja em seus aspectos urbanos ou naturais, ou por meio da doação de tempo ou de dinheiro em prol de nossa comunidade.

A foto que ilustra esse texto é de um ipê amarelo, homenagem à minha amada cidade de Brasília, local onde eu desenvolvo o meu bem-estar comunitário ;). E você? Em qual desses aspectos do bem-estar você quer investir para aumentar a sua felicidade?

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Automutilação Sem Ideação Suicida (ASIS)

Hoje o nosso blog irá abranger um tema atual e importante e cada vez mais presente no nosso dia a dia, principalmente entre jovens: Automutilação Sem Ideação Suicida – ASIS (Non-Suicidal Self-Injury – NSSI).

O que é a ASIS? Ela envolve situações em que o indivíduo provoca intencionalmente lesões em seu próprio corpo sem que tenha, com isso, o objetivo de se matar. Além disso, trata-se de lesões que não possuem validação social, diferentemente do que ocorre com tatuagens ou piercings. Geralmente as lesões são provocadas por cortes, mas também podem ocorrer pancadas propositais, queimaduras.

Mas o que leva uma pessoa a se auto mutilar? Geralmente há vários aspectos associados à questão. Um dos principais motivos associados a essa prática é o objetivo de desviar a atenção de uma outra dor, maior ainda, de caráter subjetivo. Assim, a autolesão surge com o intuito de aplacar ou de diminuir uma dor emocional, uma angústia, com a qual a pessoa não consegue lidar. A autolesão, então, é uma tentativa de alívio da dor. Contudo, como não age sobre a causa do problema, a transferência de uma dor subjetiva para uma dor física é momentânea, dura no máximo algumas horas, e ainda pode ser acompanhada por culpa depois.

Outro objetivo associado à autolesão é a autopunição. Nessas situações, ocorre geralmente entre pessoas com baixa autoestima, que se sentem inúteis, um peso para a família ou para a sociedade. A automutilação nessas circunstâncias acontece como uma punição por ser assim.

Pode aparecer em pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção, com o objetivo de se perceber no controle da situação e para facilitar o foco em uma atividade. Ocorre ainda como um pedido de ajuda, uma forma de se comunicar que há algo de errado acontecendo. Há aqueles que praticam a autolesão para se mostrarem fortes e desafiadores. Em casos em que a pessoa se sente esvaziada de emoções, apática, pode aparecer como uma tentativa de se sentir real, de se sentir algo, uma emoção. Também pode se associar a casos de bullying e cyberbullying.

Há ainda um efeito de contágio, pois a prática é propagada entre grupos, principalmente por meio do uso de redes sociais. Os grupos de automutilação acabam se tornando um espaço de pertencimento, que ensina a como se auto lesionar, a como disfarçar, e o indivíduo passa a se sentir parte de uma comunidade que compartilha da sua dor.

Em razão de suas características (dificuldade de lidar com sofrimento psíquico, baixa autoestima e existência de grupos de pares que compartilham os mesmos comportamentos), a automutilação tem se tornado cada dia mais comum entre jovens e adolescentes. Os dados epidemiológicos são frágeis, principalmente por se tratar de um tema que gera constrangimento e que é difícil de ser mensurado, mas há a percepção de crescimento pelos profissionais de saúde.

Apesar de não estar associada à ideação suicida, há um grande risco de alguém que pratique ASIS se tornar um suicida potencial (em torno de 25% dos que se mutilam tentam se suicidar posteriormente). Assim, além do prejuízo imediato associado ao dano corporal e ao sofrimento psíquico, há ainda o risco de perda da vida com o agravamento do quadro.

Um baixo repertório emocional para lidar com frustração, somado à imaturidade do cérebro adolescente, que os conduz a praticar atos sem muita reflexão prévia, torna os jovens mais suscetíveis a essas ações. Este comportamento está muito associado à sensação de falta de sentido na vida e ocorre também em situações de distanciamento emocional da família, com sensação de crescente solidão e falta de suporte emocional.

Vivemos um momento de grande desconexão social, que desestimula o contato visual, prejudicando a comunicação não verbal, e as pessoas ficam com a sensação de que o outro não a entende de fato. Além disso, em um ambiente em que somos medidos pelo nosso desempenho, perdemos o direito de sermos e nos sentirmos vulneráveis. Desta forma, as emoções negativas não possuem mais validação social e temos de escondê-las para transmitirmos uma imagem de sucesso e autocontrole. Em todas as mídias, há uma pressão enorme para que sejamos felizes e se não o somos, deve ser porque tem algo de errado com a gente (leia mais sobre esse tema no texto Você não precisa ser feliz).

Uma forma de se aproximar de pessoas que praticam a ASIS é por meio de uma curiosidade respeitosa, em que se reconhece que a ação, por mais estranhamento que ela cause, tem uma razão de ser para quem a pratica. O objetivo é entender como esse comportamento auxilia a pessoa a lidar com seus problemas e, a partir daí, poder ajudá-lo a desenvolver outras formas de manejo das dificuldades pessoais.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Fonte: Dra. Jeniffer Muehlenkamp (EUA) no curso Automutilação Sem Intenção Suicida, promovido pelo Instituto Vita Alere.

O Paradoxo do Propósito

“Se um único homem alcançar a mais elevada qualidade de amor, isto será suficiente para neutralizar o ódio de milhões” Mahatma Gandhi

Em um mundo em que a vida parece muitas vezes carecer de sentido, muitos textos  e livros sobre Propósito têm sido divulgados pela mídia. A proliferação de questionamentos sobre qual é o nosso papel na sociedade, sobre qual é a nossa missão de vida, indica que há algo em nossa subjetividade que falta, que denuncia um quê de vazio.

O livro Propósito: a coragem de ser quem somos, de Sri Prem Baba, figura na lista de livros mais vendidos desde o início de 2017. Além de seus seguidores espirituais, muitas outras pessoas em busca de sentido na vida, principalmente na esfera profissional, devoram suas páginas em busca de resposta. Alguns a encontram, outros, não.

Também tem sido muito divulgado o conceito japonês de Ikigai, que seria, em uma tradução livre, a razão de viver, aquilo que nos motiva. O Ikigai seria o ponto de interseção entre:

  1. o que você ama;
  2. aquilo em que você é bom;
  3. algo pelo que você pode ser pago;
  4. o que o mundo precisa.

A mandala abaixo ilustra bem a dinâmica entre esses 4 aspectos:

Psicologia_Positiva_Ikigai

Existe um livro do autor Ken Mogi chamado Ikigai: os cinco passos para encontrar seu propósito de vida e ser mais feliz. E por que mais feliz? Porque desde Victor Frankl, no livro Em busca de sentido, é sabido que significado, sentido e propósito tornam a nossa existência mais satisfatória e feliz.

Conforme apresentei no texto 5 princípios básicos da Felicidade, significado e realização, atributos que permeiam uma vida com propósito, são dois dos cinco ingredientes fundamentais para o bem estar e para a felicidade, conforme formulado pelo grande pesquisador em Psicologia Positiva Martin Seligman.

Tanto a leitura desses livros quanto um trabalho de autoconhecimento por meio de um processo psicoterapêutico podem lhe auxiliar a encontrar o seu propósito, a descobrir um caminho profissional que lhe traga sentido e realização. Mas pensar em propósito, em contribuição para o mundo, também significa pensar em si. E aí está o grande paradoxo que envolve uma vida com propósito.

A nossa primeira e principal missão na vida é o nosso autodesenvolvimento. Se você tiver de investir em um propósito, invista neste: sua melhoria permanente. Toda mudança significativa começa de dentro para fora e só podemos oferecer ao outro aquilo que temos dentro de nós.

A grande contribuição que podemos dar ao mundo é amar, e o movimento em direção ao amor começa dentro de nós mesmos. Por outro lado, e por isso este tema é tão complexo e paradoxal, o movimento em direção a nós mesmos envolve também um movimento em direção ao outro, para que o processo de melhoria interna não seja puramente egoico e, consequentemente, vazio. Autodesenvolvimento envolve primeiro olhar para si, assumindo consciência de quem se é e, em seguida, envolve olhar para o outro com tolerância e empatia.

Encerro com uma citação de Divaldo Franco: “A única forma de mudar o mundo é se nós nos mudarmos interiormente”.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Como enfrentar o estresse sem descontar na comida

Um dos fatores que nos impulsiona a comer de forma desequilibrada é o estresse cotidiano. Além de provocar o aumento da produção do hormônio cortisol, que biologicamente atrapalha o processo de emagrecimento, o estresse ainda nos induz a comer mais e de forma pouco saudável. Quando estamos estressados a tendência é darmos preferência a alimentos doces ou gordurosos.

E por que isso acontece? Porque não aprendemos a desenvolver formas saudáveis de lidar com o estresse. Desde crianças, aprendemos a como nos comportar, a como dizer “por favor” e “obrigado”, aprendemos a ler e a escrever, história, geografia…, mas não aprendemos a lidar com as nossas emoções. Não sabemos lidar com a ansiedade, com a frustração, com o estresse, com a raiva e com o rancor. Mal sabemos lidar com o amor. Por isso, quando nossas emoções nos incomodam, utilizamos os gatilhos comportamentais que estão à nossa disposição: comer, beber, fumar, jogar, comprar, entre outros.

Esses são comportamentos que geram prazer imediato e aliviam o estresse momentaneamente. Contudo, por não agirem sobre a causa do estresse, ele continua a nos incomodar, nos induzindo a continuar comendo, bebendo, comprando, fumando…

E quais são as estratégias que efetivamente nos ajudam a lidar com o estresse e que ainda trazem benefícios à nossa saúde física e psíquica?

  1. Adquirir consciência do que está realmente acontecendo;
  2. Conhecer os nossos sentimentos mais íntimos;
  3. Entender quais necessidades pessoais precisam ser satisfeitas e como elas impactam nossas emoções;
  4. Identificar quais são os principais eventos que desencadeiam o estresse no dia a dia. Eventos positivos também podem ser fonte de estresse;
  5. Estabelecer estratégias para enfrentar os problemas, sem procrastinação ou sofrimento;
  6. Adotar hábitos saudáveis de sono, exercício físico, meditação e respiração consciente.

Mas não tente fazer tudo de uma vez, senão você provavelmente ficará estressado!! 🙂

Privilegie ações que terão os melhores resultados e que sejam mais fáceis para começar. À medida que você for percebendo diminuição no seu nível de estresse diário, reconheça e valorize suas ações e aprofunde o processo de transformação.

Fazendo pequenas mudanças, mas mantendo o processo em andamento, logo você terá uma vida menos estressante e mais feliz.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

 

Emoções interferem no emagrecimento

Antes de iniciar uma dieta ou de procurar um nutricionista, faça a seguinte autoavaliação:

  • Você está realmente disposto a mudar?
  • Você vai realmente modificar seus hábitos alimentares?
  • Como anda a sua autoestima?
  • Se você emagrecer, você vai conseguir conviver com a sua nova imagem corporal?
  • Quais são as emoções associadas à sua alimentação?

O texto de hoje irá abordar este último aspecto: emoções versus alimentação.

Desde pequenos, enquanto somos amamentados, a alimentação vincula-se de forma indissociável aos afetos. Isso ocorre porque somos alimentados ao mesmo tempo em que somos acalentados. Choramos e, como consequência, recebemos ou não o seio (ou a mamadeira), estando ou não com fome. Nesta dinâmica entre bebê e cuidador (que exercerá a função materna mesmo que não seja a mãe de fato), estabelecem-se significados, bons ou ruins, associados à escassez, à abundância, aos desejos e às necessidades, que irão acompanhar a nossa alimentação até o final da vida.

Sobre os conteúdos emocionais criados no passado, enquanto ainda não éramos conscientes do que estava acontecendo, não há como intervir diretamente. Contudo, somos capazes de nos tornarmos conscientes de quais são os significados atualmente associados ao ato de comer e transformá-los. Afinal, os afetos e significados passados vão sendo modificados ao longos dos anos e novas simbologias vão sendo criadas por nós, somando às primeiras vivências infantis os elementos culturais, os gostos, as experiências e as emoções associadas à comida.

Para nos tornarmos conscientes de nosso padrão emocional relacionado à comida, o primeiro passo é observar-se com atenção: por que você come? quando come? o que come? Come porque tem fome, ansiedade, tédio, ou nem sabe o porquê? Come quando está sozinho, quando está acompanhado, come mais de dia, de noite, em casa? Quando está triste come mais ou menos que o normal? Ataca uma caixa de bombons quando está pressionado por um prazo de entrega no trabalho?

Quando começamos a observar nosso comportamento, começamos a entender quais são os nossos principais hábitos alimentares e porque eles foram sendo criados e mantidos. Em seguida, após nos tornarmos conscientes, torna-se mais fácil ir substituindo hábitos que não são saudáveis por outros que irão contribuir com a nossa qualidade de vida e felicidade.

Além da substituição dos hábitos, podemos também mudar a forma como enxergamos e interpretamos os alimentos e as emoções associadas a eles. Essa é a base da nossa felicidade segundo a Psicologia Positiva: olhar a realidade e decidirmos quais são os significados, positivos ou não, que iremos atribuir a essa realidade. Se decidirmos ter uma relação mais saudável com a comida, associando a alimentação à qualidade de vida e ao nosso bem estar físico, potencializamos a tomada de consciência alimentar e nos fortalecemos para mudarmos a nossa alimentação.

Mudar hábitos alimentares e emoções associadas à comida, não é fácil. Contudo, é um caminho necessário para alcançarmos bem estar físico e, com isso, sermos mais felizes. Além disso, ao nos tornarmos mais conscientes de nossas emoções, passamos a ter maiores chances de conseguirmos mudar outros aspectos de nossas vida tornando-os mais positivos.

E você? Quais são as emoções associadas à sua alimentação?

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Como salvar seu relacionamento

Relacionamentos positivos são um dos pilares da felicidade. Por isso, caso você já esteja em um relacionamento amoroso, é melhor investir energia para que ele funcione e floresça do que se acomodar em uma relação desgastada ou partir para uma separação. É claro que não estou falando aqui de relacionamentos abusivos. Neste caso, quanto antes você sair fora, menores são os riscos de adoecimento psíquico. Meu foco aqui são relacionamentos amorosos normais, ou seja, ruins, mas não abusivos.

Como assim que os relacionamentos normais são ruins? É isso mesmo. Apenas uma pequena minoria de relacionamentos amorosos são efetivamente positivos e felizes. E o que diferencia esse pequeno percentual de casais dos demais? O que faz um relacionamento feliz?

Os relacionamentos, quando não estão florescendo, são fonte de muito desgaste e infelicidade. Por isso, há um número muito grande de relacionamentos desfeitos. Contudo, cada vez mais as pessoas investem menos tempo e energia em suas relações. Amor exige conexão, admiração, intimidade e respeito.

Segundo Tal Ben-Shahar, “o componente mais importante e desafiador de uma relação feliz não é encontrar a pessoa certa, mas sim cultivar a relação escolhida.” No entanto, as pessoas passam o tempo todo comparando os seus parceiros a ideais inatingíveis, focando nos defeitos em vez das qualidades, perdendo a admiração e, muitas vezes, até o respeito pelo outro.

Dois grandes pesquisadores sobre o tema são John Gottman e David Schmart. Segundo eles, para que um relacionamento funcione é preciso:

  • investir no outro. Um relacionamento positivo demanda tempo, paciência, doação, carinho e cuidado. Rituais, momentos compartilhados, objetivos comuns mantêm um relacionamento sólido.
  • compartilhar intimidade, ou seja, se permitir conhecer e ser conhecido. Essa é a parte mais difícil: poder olhar para o que há de negativo no outro sem perder a admiração e permitir que o outro faça a mesma coisa em relação a você. Pode parecer estranho, mas há muitas pessoas que chegam em terapia pensando em se separar, mas que nunca tiveram uma conversa franca com seus(suas) companheiros(as).
  • permitir que haja conflito no relacionamento. Conflito não é briga, agressão ou falta de respeito. Conflito é discordar de forma que permita que o outro entenda quais são os comportamentos dele(a) que causam insatisfação. Há sempre formas saudáveis de se dizer a mesma coisa e franqueza e grosseria não são sinônimos.
  • apreciar o que há de positivo no outro, fomentando a admiração. Essa é a regra de ouro da Psicologia Positiva: focar no positivo. Como você pode admirar alguém se você enxerga apenas os defeitos da outra pessoa? No começo da relação, você só via o que havia de positivo. Por que agora você só consegue ver o negativo? Que tal manter um equilíbrio de modo que você aprenda a aceitar os defeitos do outro ao mesmo tempo em que mantém as qualidades em primeiro plano?

Como você pode ter percebido, investir em um relacionamento é um trabalho duro, mas necessário. Além disso, esses mesmos princípios podem ser adaptados a outras relações, como familiares ou de amizade. Ser feliz demanda mudança de comportamento e no modo de enxergar a vida. E um bom lugar para se começar é justamente nos nossos relacionamentos mais importantes.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

5 princípios básicos da Felicidade

Com o advento da Psicologia Positiva, surgiram inúmeros estudos sobre a Felicidade em diversos centros de pesquisa em todo o mundo. Nesse contexto, destaca-se a obra de Martin Seligman, disponível em seus livros Aprenda a ser otimista, Felicidade autêntica e Florescer.

Neste último, Seligman associa a Felicidade há 5 componentes fundamentais para que as pessoas possam florescer, ou seja, para que elas possam funcionar de forma positiva de modo a potencializar o seu crescimento e bem estar. São eles:

  1. Emoções positivas. As emoções positivas promovem a expansão de nosso repertório de pensamentos e ações e a construção de recursos pessoais (físicos, intelectuais, sociais e psicológicos). Leia mais sobre a importância das emoções positivas aqui, aqui e aqui.
  2. Engajamento. Uma pessoa engajada é aquela que é capaz de integrar valores, sentimentos, pensamentos e ações em um todo harmonioso, surgindo uma sólida  sensação de significado. Há coerência interna e compromisso com um propósito. Uma pessoa engajada tende a fazer pleno uso de suas forças pessoais e pratica suas virtudes.
  3. Relacionamentos positivos. Funcionamos melhor quando somos apoiados por uma rede de conexões significativas. Tanto pessoas extrovertidas quando introvertidas vivenciam mais emoções positivas quando em situações sociais, mesmo que os introvertidos tirem mais proveito da solidão.
  4. Significado. Uma vida significativa implica em um senso mais profundo de realização, que surge quando empregamos nossas forças para alcançar um propósito maior que nós mesmos.
  5. Realização.  Nossas realizações dependem que nossas ações estejam alinhadas ao um objetivo. Um objetivo importante e bem definido pode influenciar altos níveis de performance. Assim, alinhar objetivos pessoais a um propósito de vida potencializa o nosso desempenho.

O florescimento (flourishing), portanto, é um estado no qual o indivíduo nutre emoções positivas em relação a vida, promove relacionamentos saudáveis, realiza o seu potencial e atinge objetivos imbuídos de propósito.

Contudo, de acordo com uma ampla pesquisa feita por Corey Keyes nos Estados Unidos, apenas 17,2% da população adulta americana está florescendo. A maioria (56,6%) possui apenas uma saúde mental moderada. Isso indica que as pessoas não estão realmente bem, felizes e realizadas, mas apenas “ok”.

E você? Como anda a sua vida? Florescendo em direção a uma vida mais feliz e cheia de propósito? Espero que sim. 🙂

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Veja abaixo os livros Martin Seligman sobre Psicologia Positiva citados no início do texto (ao clicar sobre os nomes abaixo você será direcionado para a página da Amazon):

Felicidade e consumo

Escrevi anteriormente um texto sobre como as nossas escolhas financeiras podem contribuir para o aumento da nossa felicidade. A conclusão de pesquisadores do tema é que investir em experiências (ex: viagem) traz mais felicidade a médio e longo prazo que gastar com objetos (ex: carro). No post apresento essa questão de forma mais aprofundada. Leia que vale a pena.

Me lembrei desse assunto após ler um texto chamado Pessoas felizes não precisam consumir sobre a obra do filósofo Serge Latouche. O primeiro ponto que me chama a atenção é o tema da matéria. A tal felicidade realmente está na moda. Anos atrás não veríamos um texto sobre felicidade divulgado na mídia de forma tão despudorada. Felicidade era um tema secundário, nada sério, associado à auto-ajuda. Agora virou assunto importante e amplamente divulgado. Que bom!

A segunda questão é o velho dilema entre o ser e o ter. Para os psicólogos essa discussão é antiga. Nossa sociedade conseguiu inverter os parâmetros que referenciam o que o ser humano deve ser, afastando-o de uma reflexão sobre quais são os valores e as virtudes fundamentais para a Humanidade e estabelecendo castas de consumo que definem quem você é e o quanto você vale. Dentro dessa lógica, eu não preciso questionar minhas ações, o que é importante para mim e qual o impacto do meu comportamento sobre o mundo. Eu preciso de uma bolsa de marca, um celular de última geração, um carro potente e fotos que atestem isso publicadas no Instagram.

O terceiro ponto é o argumento do texto que indica que o caminho possível para o capitalismo é a diminuição no consumo. Ai estamos falando um pouco de Minimalismo, uma proposta muito interessante de repensar o consumo a partir de valores pessoais e do que é realmente necessário possuir. Sem acúmulos, sem exageros, sem uso de produtos para cobrir falhas de autoestima. Afinal, de quantos pares de sapato você precisa para ser feliz?

Contudo, não podemos reduzir o consumo a uma questão de felicidade ou de autoestima. As pessoas não consomem apenas porque estão infelizes ou insatisfeitas com suas vidas e consigo mesmas. Isso acontece muito sim, mas temos de lembrar que existem milhares de pesquisas em neuromarketing ensinando pessoas a vender produtos a outras que não estão pensando em consumi-las. Criam-se necessidades, valores, soluções para problemas antigos. E tudo isso é muito sedutor.

Enquanto há um ramo da ciência pesquisando sobre como tornar as pessoas mais felizes (Psicologia Positiva), já também inúmeros laboratórios interessados em descobrir como fazer essas mesmas pessoas utilizarem o consumo como suposta forma de diminuir a infelicidade. Geralmente a primeira perde fácil, pois para ser feliz é preciso muito mais esforço do que para comprar algo novo, mesmo que para isso seja necessário se endividar.

Por fim, esse texto mostra que a felicidade não é um assunto individual e egoísta, mas um tema necessário para que toda a Humanidade possa progredir, com menos consumismo, menos degradação ambiental e com escolhas mais conscientes e coerentes com nossos valores pessoais e nosso propósito de vida.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Para ler o texto Pessoas felizes não precisam consumir clique aqui.

Para saber mais sobre o Minimalismo, há boas opções de leitura com preço acessível:

 

 

 

 

Você tem medo de quê?

No post anterior, falamos um pouco sobre o que é autoestima e apresentamos dicas para lidar com problemas relacionados a ela. Agora vamos discutir dificuldades que surgem no nosso dia a dia quando a nossa autoestima está lá embaixo…

Uma autoestima elevada nos permite viver plenamente. Quando nos sentimos confiantes, nos lançamos diante dos desafios, desenvolvemos as nossas potencialidades e nos sentimos merecedores de tudo o que conquistamos. Por outro lado, quando a nossa autoestima está baixa, surgem sentimentos de insegurança e de inadequação.

Diante dessa realidade, surgem medos que podem tolher o nosso potencial e minimizar as possibilidades de sermos mais felizes. Um medo muito comum está relacionado a “o que os outros vão pensar”. Em situações como essa, nossas decisões deixam de ser balizadas em nossas crenças, valores e motivações e passam a ser baseadas em uma expectativa de agradar o outro.

Por exemplo, se Mariana tem baixa autoestima relacionada ao trabalho (discutimos no texto anterior que a autoestima pode ser situacional), mesmo que ela tenha capacidade de assumir grandes projetos e desafios, ela pode evitar situações de exposição com receio do que os seus colegas de trabalho irão pensar (“lá vai a aparecida”, “puxa-saco”, “ambiciosa”, “dormiu com o chefe” e por aí vai).

Outra dificuldade que pode surgir da baixa autoestima é a dificuldade em dizer não. Nesse mesmo ambiente de trabalho, o Alfredo, colega de Mariana, pode estar atolado de trabalho, enquanto seus colegas passam o dia tomando cafezinho, porque ele não consegue dizer não ao chefe quando ele lhe pede mais um relatório, mais uma análise, mais isso e mais aquilo. Por não reconhecer o seu próprio valor, Alfredo tem medo de dizer não e perder o emprego. Assim, ele não consegue negociar a priorização das tarefas e está sempre sobrecarregado.

Um terceiro medo que pode surgir é o medo de fracassar. Para evitar o fracasso, nem tentamos. Quando começamos a criar desculpas para não fazermos aquilo que queremos fazer, é hora de avaliarmos se não estamos fugindo com medo de fracassarmos. É o caso de João, colega de Alfredo, que passa o dia tomando cafezinho, pois odeia o seu emprego atual, mas tem medo de tentar outra coisa. Só de pensar em ser reprovado em uma entrevista de emprego, ele já pensa em deixar tudo como está e vai tomar mais um café.

Com isso, vemos que a autoestima pode ser uma potencializadora de nossas forças e virtudes, mas também pode ser uma grande sabotadora. Por traz de todos esses medos está uma mesma necessidade essencial: a necessidade que temos de sermos aceitos e validados por nossos pares. Contudo, nos esquecemos de que essa validação começa em nós mesmos, como o nosso amor próprio, com nossa autoconfiança e com nossa autocompaixão.

Somos nós mesmos que temos de reconhecer o nosso valor, as nossas forças, as nossas virtudes e até os nossos defeitos. Nos conhecendo, podemos utilizar o que temos de melhor para superarmos as dificuldades e desenvolver as características e as competências que nos faltam para chegarmos onde desejamos.

E você, tem medo de quê?

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Como aumentar a autoestima?

A autoestima está relacionada à imagem que fazemos de nós mesmos e a um julgamento associado a essa imagem. Quanto pior o julgamento que fazemos, pior nos sentimos. Para nos protegermos dessa sensação negativa, criamos as barreiras ao redor de nós mesmos e assumimos atitudes que minimizam o nosso risco de exposição social.

Assim como acontece em outros fenômenos subjetivos, a nossa autoimagem é formada a partir de interpretações que fazemos a nosso respeito, tanto em relação ao nosso corpo físico quanto em relação ao nosso comportamento ou desempenho social. Ao longo do tempo, nos tornamos presos a essa autoimagem e ao que ela significa para nós. Deixamos de frequentar determinados ambientes ou até mesmo sabotamos nossas relações para evitarmos qualquer risco associado a um novo abalo à nossa já enfraquecida autoestima.

Existem dois níveis de problema de autoestima: um situacional e outro caracterológico (associado à identidade pessoal). O primeiro é mais superficial e está associado a determinadas situações ou circunstâncias. Nesse caso, a autoestima está comprometida em alguns aspectos, mas fortalecida em outros. Por exemplo, uma pessoa pode se sentir insegura nos relacionamentos amorosos, mas se sentir em casa em um ambiente corporativo altamente competitivo. Ou, ao contrário, se avaliar como um pai carinhoso e capaz, mas um fracasso no mundo dos negócios.

Para superar problemas de autoestima em nível situacional, a principal ferramenta é o tratamento das distorções cognitivas, que ocorre principalmente por meio da ênfase nas forças pessoais, do desenvolvimento de novas aptidões e da modificação de padrões de pensamento que conduzem a interpretações negativas sobre determinado comportamento ou característica pessoal.

Já problemas de autoestima relacionados à própria identidade pessoal, que conduzem a pessoa a um sentimento de ser ruim, envolvem um trabalho mais profundo. Nesse caso, a mudança dos padrões de pensamento apenas não é suficiente, pois a pessoa tende a se sentir incapaz e inapta em várias esferas da vida. Para pessoas que possuem esse tipo de problema de autoestima, o tratamento deve repousar na própria identidade pessoal, de onde se originam os pensamentos negativos.

Um ponto fundamental para modificação da identidade pessoal é o desenvolvimento de comportamentos de bom desempenho que vão, pouco a pouco, auxiliando na mudança de nossa percepção sobre nós mesmos. Dessa forma, para além do sentir-se bem consigo, é preciso principalmente investir em ações que reforcem a percepção de autoeficácia. Repetir para si mesmo que se é bom em algo sem sê-lo de fato não nos convence e gera dissonâncias cognitivas que não irão fortalecer a nossa autoestima.

Assim, alteração de autoimagem exige esforço, desempenho e não é feito de um dia para outro. Mas a partir do momento que começamos a perceber que nosso esforço vai, aos poucos, melhorando a nossa performance, seja em qual esfera da vida estamos nos dedicando (trabalho, estudos, relacionamentos) vamos nos sentindo melhor com nós mesmos.

Durante este processo, é necessário também assumir um compromisso de não julgamento e o desenvolvimento de compaixão por si mesmo.

Quando fortalecemos a nossa autoestima, ampliamos a nossa sensação de liberdade. Nos sentimos seguros e capazes de ousarmos mais, de agirmos em direção às nossas metas e de caminharmos com mais determinação em direção ao nosso propósito de vida. Para isso, o primeiro passo é identificar se a nossa autoestima está fortalecida ou se há problemas em níveis mais superficiais ou profundos. Em seguida, investir na mudança do nosso padrão de pensamento, minimizando distorções e cultivando a nossa autoaceitação.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Você não precisa ser feliz

Nenhuma emoção é feita para durar para sempre, mesmo aquelas que nos fazem bem. Um conhecimento superficial da Psicologia Positiva pode nos levar a acreditar que precisamos ser felizes. Mas não se trata de perseguirmos um ideal de felicidade permanente e falacioso. A proposição é aumentar a positividade em nossas vidas utilizando nós mesmos como referência, com ponto de partida.

É por isso que esse blog se chama “Você Mais Feliz”: como você pode ser um pouco mais feliz do que costuma ser? Você se sente deprimido? Como podemos lhe ajudar a se sentir um pouco menos esvaziado amanhã? Se sente ansioso? Como reduzir um pouco da ansiedade e inserir momentos de tranquilidade em seu dia a dia? Essa é a nossa proposta de trabalho.

Não se trata, portanto, de um mantra “seja positivo não importa o que aconteça”. A proposta é ser autêntico, humano, estar aberto a todas as coisas boas que acontecem em nossas vidas e às quais não prestamos atenção ou não valorizamos. Também temos como objetivo ajudar você a ressignificar eventos negativos e traumáticos para que, além do sofrimento, eles também possam contribuir para o seu crescimento pessoal.

Não se trata de forçarmos a felicidade em nossa vida, mas de estarmos abertos a ela. É mais efetivo focarmos nas circunstâncias do nosso dia a dia e tentarmos aumentar a positividade nos eventos cotidianos que tentarmos controlar as nossas emoções para nos sentirmos felizes, pois isso é artificial.

E como fazemos isso? Priorizando atividades que irão nos proporcionar emoções positivas e quando elas surgirem, darmos a devida atenção a elas. Quantas vezes deixamos de tomarmos um café com um amigo querido porque temos algo urgente para fazer e que se pensarmos um pouco não é tão urgente assim?

Quando priorizarmos a positividade em nossa vida, ampliamos a quantidade de emoções positivas que experimentamos, nos sentimos mais satisfeitos com a vida de forma geral, reduzimos sintomas depressivos, melhoramos nossos relacionamentos e nos tornamos mais resilientes. Diante de todos esses benefícios eu te pergunto: você já sabe o que contribui para a sua vida ser mais feliz? Já começou a priorizar o que é mais importante para você?

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O papel evolutivo das emoções positivas

Este é o terceiro post de uma série de textos sobre as emoções. Vamos falar agora da importância delas para a sobrevivência e para a evolução da humanidade.

Da mesma forma como acontece com as emoções negativas, as emoções positivas também possuem grande valor evolutivo para a espécie humana. Enquanto as negativas nos preparam para sobreviver ao aqui e agora, as positivas nos preparam para “sobrevivermos” no futuro.

As emoções negativas nos induzem a uma ação específica (fuga, por exemplo), ao passo que as emoções positivas funcionam no sentido contrário: elas enriquecem o nosso repertório comportamental e nos proporcionam maior abertura para o novo.

Como isso acontece? As emoções positivas ampliam nossos “modelos mentais” (mindset) e nos tornam mais abertos a novas experiências. Por exemplo, se você vai a uma palestra sobre um assunto novo e se sente feliz por ter ido, aumentam as chances de você ir a outras palestras no futuro. À medida que você tem contato com novos assuntos, sua visão de mundo se amplia e você adquire diferentes conhecimentos e habilidades. Se, em outro exemplo, você conhece uma pessoa e daí nasce uma amizade que lhe traz alegria, aumentam a chance de você se abrir para conhecer novas pessoas e construir novas amizades. Assim, quanto mais experienciamos emoções positivas, mais nos tornamos abertos, interessados, criativos, resilientes, generosos e conectados. Com isso, ampliamos nossos recursos pessoais.

Observamos, portanto, que as emoções positivas nos ajudam a lidar com situações relacionadas, prioritariamente, ao nosso crescimento e desenvolvimento pessoal e não  à nossa sobrevivência física. Assim, os benefícios não são percebidos imediatamente, mas nos momentos seguintes. E, por isso, elas ajudam na construção do nosso futuro, produzindo efeitos profundos e duradouros.

Mas não adianta sentirmos emoções positivas de forma espaçada. Elas precisam estar presentes de forma significativa em nosso dia a dia. Para explicar essa noção, a pesquisadora Barbara Fredrickson utiliza a metáfora da nutrição: não adianta comermos bem de vez em quando. Para termos uma alimentação efetivamente saudável, os bons nutrientes devem fazer parte da nossa dieta cotidiana.

Falamos em outra ocasião sobre a sutileza e a fugacidade das emoções positivas. Mas apesar dessas características, elas são motores poderosos que nos impulsionam, pois ampliam a nossa visão sobre a vida e enriquecem nosso repertório comportamental.

Quer aprender mais sobre as nossas emoções? Então leia aqui e aqui as publicações anteriores sobre o tema.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Emoções positivas contrabalançam as negativas

Dando continuidade ao estudo das emoções, neste post irei escrever sobre o equilíbrio necessário entre as emoções positivas ou negativas.

Os eventos negativos quando ocorrem tendem a receber maior atenção que os positivos. Evolutivamente, isso permitiu que estivéssemos alertas em situações ameaçadoras. Dessa forma, nosso cérebro foi desenhado de forma a nos proteger dos perigos, focando mais nossa atenção no que pode ser ruim ou hostil.

As reações corporais desencadeadas com as emoções negativas também tendem a ser mais fortes e claras. Quando sentimos medo, tristeza ou raiva, todo o nosso organismo parece ser tomado pela emoção. Assim, diante de um evento negativo, dedicamos maior atenção e experienciamos uma maior reação corporal, o que fortalece a nossa percepção negativa e a nossa memorização do acontecimento. Isto é conhecido pelos pesquisadores como o viés negativo (negative bias) das emoções.

Emoções positivas, por outro lado, são muito mais sutis e o viés negativo pode nos cegar diante das oportunidades de sentirmos emoções positivas. Quando acontece algo ruim no nosso trabalho, por exemplo, o dia todo parece marcado por aquele evento e tudo o que aconteceu de bom adquire uma tonalidade menos viva. É como se o nosso cérebro delineasse com uma caneta marca texto os eventos ruins e deixasse em segundo plano os acontecimentos positivos. Enquanto sentimos raiva com bastante vitalidade, a serenidade, a gratidão e a alegria são percebidas de forma muito mais leve e suave.

Para contrabalançar esse viés negativo, é preciso estar familiarizado com a sutileza das emoções positivas e estar com o marcador colorido a postos para assinalá-las quando elas surgirem. Mas além do uso da nossa atenção consciente diante das nossas emoções positivas, temos também uma ajuda da própria natureza. Com exceção de pessoas que vivem em situações de extrema pobreza ou em regiões de conflito, para a maioria dos seres humanos, os eventos positivos são muito mais frequentes que os negativos. Dessa forma, haveria uma compensação positiva (positive offset) do viés negativo por meio da frequência maior de eventos positivos.

Para permitir, entretanto, que um evento positivo se transforme em uma emoção positiva é preciso atenção, abertura e predisposição. Do contrário, as emoções positivas podem ser vivenciadas como “neutras”. Uma das dez emoções positivas categorizadas pela pesquisadora Barbara Fredrickson é o interesse. Se você é uma pessoa que se sente a maior parte do tempo interessada e curiosa sobre o que acontece ao seu redor, sobre a magnitude de nossa existência, você pode tender a achar que isso é algo banal. Contudo se você começar a perceber que seu interesse pela vida é de fato uma emoção positiva e que nem todo mundo se sente assim, você pode passar a valorizar essa sensação e perceber que a sua vida é repleta de emoções positivas.

Além do interesse, as outras nove emoções positivas são: amor, alegria, gratidão, serenidade, esperança, orgulho, diversão, inspiração e admiração. Veja abaixo uma tabela com as principais características de cada um delas:

Psicologia_Positiva_Emoçoes_positivas

Se você tende a prestar pouca atenção ao que acontece de positivo em seu dia a dia, um bom exercício é o diário de gratidão (você pode ler mais sobre ele aqui), um treino excelente para nos ensinarmos a focar no que acontece de bom em nossa vida, equilibrando a balança das emoções naturalmente.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Conhecendo mais nossas emoções

Este é o primeiro de uma série de textos que irei publicar sobre as emoções. Essas reflexões baseiam-se na obra de Barbara Fredrickson, uma das precursoras da Psicologia Positiva, autora de dois livros (Amor 2.0 e Positivity) e de diversos artigos científicos.

Para entender as emoções e seus impactos sobre a nossa vida cotidiana, a autora apresenta um gráfico que ilustra o funcionamento básico de qualquer emoção, seja ela positiva ou negativa:

Observamos no gráfico acima que, de acordo com a forma como apreendemos um evento, surgem diferentes reações em nosso corpo, que, por sua vez, provocam diversas respostas comportamentais, que vão desde a vontade de não sentir mais aquela emoção novamente até comportamentos para mudar ou repetir aquela sensação corporal.

A partir dessa análise inicial, é possível extrair as seguintes observações sobre o funcionamento das emoções:

  • elas não são etéreas, mas “incorporadas” (embodied), ou seja, elas se manifestam em nosso corpo e envolvem mudanças em nossas sensações, percepções, postura, voz, face, etc.
  • por serem vivenciadas no corpo, elas são transmitidas aos outros, que percebem as nossas alterações corporais. Assim elas não são experiências privadas, mas compartilhadas e se espalham pelo ambiente. Elas tendem a ser contagiantes.
  • as reações corporais e, portanto, as nossas emoções, são decorrentes da forma como interpretamos a realidade e não das circunstâncias reais que vivenciamos. Elas dependem do nosso “mindset“, ou seja, do nosso modo usual de pensar e interpretar a vida e os seus acontecimentos cotidianos.
  • os eventos não precisam ser reais ou externos à nossa mente para despertarem nossas emoções. Uma simples lembrança e a forma como a interpretamos pode provocar raiva, alegria, admiração.
  • as respostas às emoções são diversas e variam de pessoa para pessoa. Há pessoas, inclusive, que se sentem ameaçadas quando sentem emoções positivas.
  • por dependerem da forma como apreendemos os eventos, as emoções sofrem influência da nossa história de vida, da nossa personalidade e da cultura onde estamos inseridos.

Outro aspecto importante que a autora destaca é que as emoções seguem uma espiral: cada emoção sentida em um dado instante afeta as emoções que serão sentidas nos instantes seguintes. Se sentirmos alegria hoje, tendemos a nos sentir mais alegres amanhã.

Dessa forma, podemos observar que, apesar de não termos controle sobre as emoções em si, podemos modificar a forma como interpretamos os acontecimentos, tornando-os, por exemplo, menos ameaçadores. Não podemos ordenar ao nosso coração que não dispare quando sentimos medo, mas podemos diminuir a nossa tendência de sentir medo aos nos sentirmos mais seguros.

Pessoas que sentem medo de falar em público, por exemplo, terão mais facilidade de superar esta dificuldade se em vez de focarem na tentativa de controlar suas reações corporais (tentando parar de tremer, de sentir frio na barriga, de suar), investirem na mudança de percepção da situação (de ameaçadora para desafiadora).

Ao conhecermos mais sobre nossas emoções e reações diante dos acontecimentos, aprendemos mais sobre nós mesmos e sobre como nossa visão de mundo (mais positiva ou mais negativa) influencia a forma como nos sentimos e nos comportamos.

E você, já parou para pensar sobre como você tende a interpretar os acontecimentos?

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Amor 2.0 da Barbara Fredrickson está disponível na Amazon: Amor 2.0

Psicologia Positiva não é ser feliz o tempo todo

Sempre que um movimento social começa a ganhar força, logo surgem seus opositores. Com a Psicologia Positiva (PP) não é diferente e à medida que ela cresce e se destaca no Brasil, começam a surgir textos e matérias em oposição, afirmando que a venda da felicidade é falacioso e enganoso, pois incutiria na população uma imposição de um padrão comportamental que conduziria à ansiedade e à frustração.

Barbara Fredrickson, uma das principais referências em PP e pesquisadora das emoções positivas há mais de 20 anos, diz que um conhecimento superficial da PP pode produzir mais malefícios que benefícios, pois pode induzir a uma percepção equivocada da área, que corroborariam as críticas acima apontadas. Foi por isso que escrevi o texto de hoje: para esclarecer e alertar que PP não é sobre ser feliz o tempo todo.

O primeiro ponto, discutido aqui anteriormente no texto Permissão para ser humano, é que somos plurais e todas as emoções que compõem a nossa vida são importantes, sejam elas positivas ou negativas. A raiva, a tristeza, o desgosto, o medo nos acompanham desde a nossa origem pré-história e serviram e ainda servem a nossa sobrevivência individual e como espécie. Além disso, para além de sua função evolucionista, as emoções negativas nos permitem sentir empatia, promover mudanças sociais importantes e nos impulsionam para a ação. E mesmo que elas não fossem cruciais em nossas vidas, a PP não seria ingênua de achar que seria capaz de desenvolver ações e terapêuticas capazes de acabar com a infelicidade. Isso seria charlatanismo.

O que a PP propõe, ao contrário, é acrescentar (e não substituir) o estudo das emoções positivas, do bem estar e da felicidade, das forças pessoais e das virtudes humanas aos tradicionais campos de pesquisa da Psicologia, ampliando-os e não reduzindo-os. A PP também se dispõe a pesquisar formas de aumentar a positividade em nossa vida, ja sabendo de antemão que a negatividade faz parte de nossa condição humana, nos ensinando como viver a vida de forma a favorecer e reforçar as emoções positivas e a diminuir a duração e o impacto das emoções negativas.

Vivemos em um momento em que a PP está na moda, principalmente depois da ascensão do Coaching no Brasil. E isso é muito bom. Contudo, poucas são as pessoas que realmente se preocupam em ter uma formação aprofundada na área e em conhecer essa ciência a fundo. Por isso, muitas vezes a PP soa como algo banal e fantasioso, pois começou a ser propagada de forma superficial e, algumas vezes, equivocada.

Por traz disso, há algumas vezes o interesse mercadológico em vender uma solução rápida para o sofrimento humano. Contudo, não há mágica. Para aprender a ser mais feliz, é necessário um esforço diário para a mudança de hábitos e de padrões mentais arraigados. E o que a PP tem a oferecer são descobertas científicas que nos apontam caminhos simples, práticos e duradouros nessa eterna jornada em direção à felicidade.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Psicologia Positiva não é autoajuda

Quer encontrar um livro de Psicologia Positiva (PP)? Vá até a sessão de autoajuda da livraria mais próxima. Você vai encontrar livros muito bons por lá. Antes de ir à sessão de livros de Psicologia, eu sempre passo antes pela Autoajuda e é lá que eu encontro os melhores materiais de estudo. Por que isso acontece?

Provavelmente porque se trata de uma grande mudança de paradigma na Psicologia. Antigamente, assuntos como felicidade, bem-estar, propósito não eram objeto de estudo científico de forma sistematizada e residiam de forma preponderante no campo da autoajuda. Sair de um modelo focado na doença e no sofrimento para uma linha teórica focada na felicidade é uma mudança muito ampla e significativa para a Psicologia. Assim, pode ficar parecendo que muitas das coisas que os autores de PP divulgam em seus livros é autoajuda mesmo. Mas não é.

Qual a diferença? Existem várias. A primeira delas é que PP é ciência. Os principais autores da área escrevem dos maiores centros de pesquisa em Psicologia do mundo. Eles estão conectados com o que está sendo produzido de mais moderno na área de comportamento humano e de neurociências. São atualizados e inovadores. Assumiram o compromisso de romper com a crença comum de que a Psicologia deve se ater ao sofrimento psíquico. Mesmo porque a melhor forma de combater a depressão é por meio de uma vida com significado e prazerosa, temas de estudo da PP.

Outra grande diferença é que a PP não fornece fórmulas prontas de felicidade. Os estudos indicam que emoções positivas, engajamento, relacionamentos gratificantes, ter um propósito na vida e nossas realizações pessoais são aspectos que tornam nossa vida mais feliz. Mas construir emoções positivas, encontrar o que faz sentido para cada um, ajudar a superar os desafios de um relacionamento difícil, ir em busca de nossas realizações não são passíveis de serem aprendidos em livros. Eles podem até nos indicar caminhos, mas a jornada é muito mais complexa do que as leituras de autoajuda nos fazem crer.

E cada um irá descobrir o seu próprio caminho. O que faz a vida ter sentido para mim é com certeza diferente do que faz ela ter sentido para você. E o respeito à subjetividade e à trajetória individual e social de uma pessoa é uma das grandes contribuições da Psicologia para a Humanidade, seja ela de qual linha teórica for.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Psicologia Positiva não é pensamento positivo

Um resultado positivo dificilmente advém de um pensamento negativo, mas isso acontece. E não é tão raro assim, pois os resultados que colhemos são fruto de nossas ações, de nossos comportamentos, de nossos hábitos e também de nossos pensamentos.

Tudo começa pelo pensamento. Mas não termina nele. Há uma sequência de eventos, desde o pensar e o imaginar até o atingimento de um objetivo. Se apenas pensamos de forma positiva, mas não partimos para a ação e para o empenho individual, dificilmente colheremos os frutos de nossos pensamentos, salvo um acaso da sorte. E você não quer apenas contar com a sorte, quer?

Além disso, há pessoas pessimistas e ansiosas que alcançam bons resultados, provavelmente porque se preparam para enfrentar as adversidades que supõem que irão encontrar. O problema nesses casos é que trata-se de uma jornada de sofrimento, desgastante, que muitas vezes não compensa o objetivo alcançado. E é provável que o resultado fosse ainda melhor se além do bom desempenho, houvesse bons pensamentos associados a ele.

Há vários estudos que demonstram que a nossa mente não diferencia a nossa imaginação ou conteúdos assistidos em um filme da realidade. E as pesquisas já avançaram tanto nesse campo que há muito tempo o treinamento de atletas de alta performance já envolve a simulação mental do desempenho em uma competição.

Charles Duhigg, em seu livro O Poder do Hábito, cita a rotina de treinamentos do campeão olímpico de natação Michael Phelps. Parte dos seus treinos consistia em se imaginar nadando em sua melhor performance, segundo a segundo, simulando mentalmente a totalidade de seus movimentos, sentido o contato do seu corpo com a água, a resistência que essa oferecia, o momento certo de virar. Por que ele fazia isso e tantos outros atletas fazem isso atualmente? Porque o ensaio mental nos prepara para enfrentarmos desafios reais.

Mas ele não é suficiente. É preciso praticar, praticar, praticar. Errar, aprender com os erros, reforçar os acertos e perseverar. Se mantemos um pensamento positivo enquanto lutamos pelo que queremos conquistar, excelente! O pensamento positivo irá nos trazer otimismo, resiliência, resistência à frustração e nos ajuda a superarmos as nossas crenças limitantes. Mas pensamento positivo não é suficiente. A ação é sempre necessária.

Por isso, Psicologia Positiva começa com o pensamento sim. É ele que nos traz clareza sobre o nosso propósito, que nos ajuda a formular objetivos, nos mantém conectados com o que faz sentido para nós e nos organiza para a ação. Mas Psicologia Positiva também está relacionada com hábitos e rotinas saudáveis, viabilizadores de felicidade, e com comportamentos produtivos e realizadores.

Portanto, além de um pensamento positivo, tenha um comportamento positivo.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Você quer ter sucesso?

Todo mundo quer ter sucesso na vida. Contudo, muitos desistem e pensam no sucesso apenas como um sonho distante. Outros estão na correria do dia a dia e não têm muita clareza de para onde estão indo. Se tudo mundo quer ter sucesso, mas poucos investem para tanto, e menos pessoas ainda o alcançam, o que acontece?

Como o foco da Psicologia Positiva está no que funciona, para entender melhor o sucesso, as pesquisas e os estudos da área baseiam-se na observação de quem de fato o alcançou. Quais são, portanto, as características das pessoas com sucesso?

Foram mapeados cinco aspectos:

  • Objetivos bem claros
  • Resiliência
  • Otimismo
  • Modelos para copiar
  • Foco nas forças pessoais

Observe que “circunstâncias favoráveis” ou “ser rico” não fazem parte dessa lista. Então, provavelmente, para a maioria das pessoas que obteve sucesso, triunfar não foi uma tarefa fácil.

E a primeira dificuldade começa com a pergunta: O que é sucesso para você? Você tem consciência do que você quer alcançar e do porque isso é importante? Sucesso é um objetivo intangível e precisa ser transformado em algo mais palpável para que você saiba se está indo na direção certa ou não. Onde você estará quando atingir o sucesso que almeja? Você sabe quais os passos necessários para chegar lá?

O segundo ponto está no entendimento de que sucesso trará felicidade e é justamente o contrário. Pessoas felizes têm mais sucesso que pessoas infelizes. Portanto, corra atrás da sua felicidade e você terá sucesso.

E os cinco aspectos apontados acima são justamente características de pessoas felizes. O ponto inicial é ter um propósito, que possa ser convertido em objetivos claros. Ele também precisa ser motivador o suficiente para você ter resiliência diante das dificuldades para que não desista, mas aprenda com os erros e os insucessos, se fortalecendo. Para ser motivador, ele precisa ser importante para você, precisa ser algo que você valorize.

Um propósito de vida é algo que traz valor para você e para os outros. Qual é a sua missão? O que você veio fazer neste mundo, nesta vida? Qual é a sua contribuição? Se você tivesse sucesso em seu propósito e ficasse muito rico com isso, mas as pessoas não pudessem ver a sua riqueza, dinheiro seria importante quando você pensa em ter sucesso? Ou os seus indicadores de sucesso estariam mais relacionados ao que você pode fazer de diferença no mundo?

O otimismo, por outro lado, está relacionado à percepção da sua capacidade de realização. Essa habilidade é potencializada quando utilizamos nossas forças pessoais e quando temos modelos para copiar. Quando obsersamos pessoas que conquistaram aquilo que queremos conquistar, conseguimos aumentar a nossa clareza do que é preciso fazer para alcançarmos aos nossos objetivos. Se você sabe onde quer chegar e tem as forças necessárias para isso, trabalhe com otimismo, pois as suas chances de sucesso são muito grandes! Se ainda lhe falta desenvolver habilidades específicas, utilize suas forças para lhe ajudar a desenvolvê-las.

E, enquanto caminha em direção ao seu propósito, utilizando suas forças pessoais de forma otimista, aprecie o que há de bom na sua vida, torne a sua jornada prazerosa e positiva. Insira momentos de prazer ao longo do dia, tendo cuidado para que eles não te desviem dos seus objetivos.

E tenha sempre em mente: onde você quer estar daqui a 5 anos?

Vania Moraes, psicóloga e life coach

 

Você conhece suas forças pessoais?

Tenho certeza de que você é capaz de encher uma folha de caderno com os seus defeitos… E as suas qualidades, você conhece? Quais são suas competências e habilidades? Você consegue responder a essa pergunta com facilidade? Sente vergonha em dizer em voz alta que você é bom em alguma coisa?

Geralmente nós focamos a nossa atenção nos nossos defeitos. Somos criados desta forma e aprendemos a sempre estar atentos ao que podemos fazer melhor. É a velha história de tentar ensinar o peixe a voar em vez de incentivá-lo a ser o peixe mais rápido do cardume. Quando recebíamos uma prova corrigida na escola, olhávamos para as questões que erramos e nem tomávamos consciência das questões que acertamos. O erro torna-se o foco da nossa atenção desde muito cedo em nossa vida.

A consequência mais comum disso é que não nos tornamos conscientes de nossas forças pessoais, que são as ferramentas de trabalho que carregamos conosco e que podem nos ajudar a superar os desafios e as dificuldades. Assim os problemas se tornam mais difíceis de serem superados, pois não temos ciência de quais são os recursos intrapessoais de que dispomos para resolvê-los. Se Mateus tem elevada capacidade de liderança, mas, por outro lado, é desorganizado, um bom exercício é começar a ser líder de si mesmo, distribuindo suas atividades, estabelecendo suas metas, acompanhamento seus resultados da mesma forma como ele faz com a sua equipe. Se Marlene tem uma grande capacidade de amar e está com dificuldade de cuidar da sua saúde, se alimentar bem e praticar exercícios, por exemplo, porque não voltar essa capacidade de amor para si mesma, se amando a ponto de cuidar de si como cuida dos demais?

São questões simples, que fazem diferença significativa em nossas vidas, mas que muitas vezes passam desapercebidas na correria do dia a dia. Como nosso olhar está treinado para buscar o erro, para encontrar os defeitos, não desenvolvemos a capacidade de nos apropriarmos de nossas forças pessoais para as utilizarmos sempre que precisamos. Fazemos isso com nossas vidas, com nossos filhos, com nossas equipes de trabalho. As avaliações de desempenho nas organizações valorizam o que pode ser melhorado em vez de reforçar os pontos positivos. Os diagnósticos buscam identificar os problemas, em detalhar e aprofundar no que não está indo bem. Por que não começarmos a focar no que funciona em nossas vidas, naquilo em que somos bons?

Experimente conhecer e fortalecer as suas forças pessoais e você sentirá efeitos imediatos em sua felicidade.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Seja grato para ser mais feliz

Todos nós corremos atrás da nossa felicidade, muitas vezes sem saber muito bem o que temos perseguido. Já discutimos anteriormente que um ponto chave para uma vida mais feliz é ter um propósito que fará a sua vida ter significado e que nos trará mais motivação para superarmosos desafios do dia a dia.

Falamos também da importância de se olhar para o passado e ressignificá-lo, construindo uma nova história de vida, sob uma perspectiva mais positiva, e nos libertando de crenças limitadoras que nos prendem e nos impedem de prosperar.

Outro aspecto importante é acrescentarmos momentos de prazer ao nosso dia a dia para não transformarmos a nossa vida, como diz Tal Ben-Shahar no livro Seja Mais Feliz, em uma corrida de ratos em um laboratório.

Há também atitudes simples que podem aumentar o nosso bem-estar e até diminuir a depressão. Uma delas é ser grato. Falamos sobre o poder da gratidão em um dos primeiros post deste site. E isso não foi à toa. A gratidão é um elementado fundamental à nossa felicidade.

No livro Florescer, Martin Seligman nos fala de alguns exercícios simples que podem nos tornar mais felizes e o primeiro deles é escrever uma carta de gratidão. Para isso, basta se lembrar de alguém que tenha feito ou dito algo que mudou a sua vida para melhor e a quem você ainda não tenha tido a oportunidade de agradecer adequadamente. Agora experimente escrever uma carta de gratidão a esta pessoa e entregá-la pessoalmente. Depois me conte como foi que você se sentiu durante a experiência e nos dias seguintes.

Mas por que a gratidão pode nos criar mais felicidade em nossas vidas? Porque quando sentimos gratidão nos beneficiamos de uma lembrança agradável de um acontecimento positivo em nossa vida. Começamos, paulatinamente, a mudar o foco do nosso olhar, acrescentando lentes cor de rosa que nos fazem ver que, apesar de toda e qualquer dificuldade, sempre há algo de bom a que podemos nos sentir gratos.

Todos os meus pacientes atualmente recebem um pequeno diário de gratidão logo nas primeiras sessões. No começo eles não sabem muito bem o que registrar no diário. “Mas o que eu devo escrever?”, perguntam. E eu respondo: “se for um dia bom, escreva sobre o que tornou esse dia bom, se for um dia ruim, seja grato por estar respirando, por exemplo”.

Segundo Tal Ben-Shahar, ao escrever todos os dias sobre três ou cinco aspectos que nos fizeram feliz ao longo do dia, sejam coisas grandes ou pequenas, passamos progressivamente a:

  • manter o frescor das emoções positivas em nossa mente;
  • refletir sobre o significado dos acontecimentos em nossa vida;
  • desfrutar melhor dos momentos bons;
  • valorizar os eventos positivos em vez de considerá-los como algo já garantido ou conquistado.

Em dias de chuva aqui em Brasília, já temos um bom motivo para sermos gratos. Choveu? Registre no seu diário da gratidão! Não choveu, este também pode ser um bom motivo para sermos gratos, não? 😉

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Florescer do Martin Seligman está disponível na Amazon: Florescer

Modelo Hambúrguer de Felicidade

Tal Ben-Shahar, no livro Seja Mais Feliz, apresenta um capítulo inteiro sobre a necessidade de conciliarmos o presente e o futuro. Tenho falado bastante sobre isso por aqui: a nossa felicidade deve ser vista como uma linha temporal contínua, em que vamos pouco a pouco plantando as sementes de uma vida próspera e feliz.

Neste capítulo, Tal nos narra um episódio de sua vida em que estava treinando para um torneio anual de squash. Como parte de seu treinamento, ele havia adotado uma dieta bastante equilibrada  e, por isso, prometeu a si mesmo um prêmio ao final do torneio: um porre de junk food. Assim, quando o torneio acabou, a primeira coisa que Tal fez foi comprar 4 (!!!) hambúrgueres do seu sabor favorito.

Após um mês de restrições, ele iria agora se esbaldar! Contudo, antes de dar a primeira mordida no primeiro hambúrguer, Tal parou e percebeu que ele não queria comer todos aqueles sanduíches de uma vez, pois apesar da privação pela qual passou, ele se sentia bem e saudável. Ele percebeu que uma orgia alimentar não lhe faria bem, não o tornaria mais feliz e satisfeito, pelo contrário.

Foi assim que ele desenvolveu o “modelo hambúrguer” de felicidade, associando um hambúrguer para cada arquétipo de felicidade:

  1. Hedonismo: o primeiro arquétipo/hambúrguer refere àquele a que ele tinha acabado de renunciar, ou seja, o junk food e que está associado ao benefício presente com um dano futuro. Este modelo é o terror das dietas, pois comemos o brigadeiro hoje sem nos lembrarmos do pneuzinho de amanhã!
  2. Rato de laboratório: o segundo arquétipo refere-se ao benefício futuro com um dano presente. Ou seja, seria comer um hambúrguer saudável e insosso. É o que faz o rato de laboratório, quando se priva de algo no presente para alcançar um ganho no futuro.
  3. Niilismo: já pensou comer um hambúrguer sem graça e ainda por cima não saudável? É o que meu amigo César chama de “caloria inútil”: te engordou sem lhe proporcionar nenhum prazer. É o dano presente com um dano futuro. Esse modelo se aplica a alguém que não desfruta o presente sem ter também a noção de objetivo futuro.
  4. Felicidade: que tal um hambúrguer gostoso e saudável? Algo que lhe trará benefício presente e futuro? Esta é a receita da felicidade: atividades prazerosas no presente que também nos trazem satisfação futura.

Esses quatro modelos acima são simplificações teóricas e não pessoas reais, mas eles nos ajudam a entender quais são os modelos de felicidade que estamos empregando em nossas vidas e porque muitas vezes as coisas não estão saindo como esperávamos. No dia a dia, adotamos um pouco de cada um desses modelos, mas tendemos a agir mais de uma forma que de outra.

Alguém que se priva da convivência da família e dos amigos para crescer na carreira, tende a adotar mais o modelo “rato de laboratório”, pois está sacrificando o seu presente em busca de uma satisfação futura. Quem vive uma vida de prazeres imediatos (comida, sexo, drogas, jogos, etc), privilegia o hedonismo e muitas vezes sacrifica o seu futuro, tanto em termos de saúde quando de realização pessoal. Por outro lado, quem deixou de acreditar no significado da vida, seguindo preso às suas crenças limitantes, tende a seguir um modelo mais niilista. Tenho visto pessoas jovens presas a este modelo, sem capacidade de sonhar com o futuro, arrastando-se como se tivesse 200 anos e não 20, 30, 40 ou 60. Por fim, há aqueles que aprenderam a sabedoria da vida: fizeram as pazes com o seu passado, apreciando a beleza do presente e admiram um futuro lindo e repleto de significados.

E você? Em qual modelo de felicidade você está apoiando as suas escolhas de vida?

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Revisitando o passado

Nos dois últimos textos, falamos sobre o presente e o futuro. No futuro é onde alocamos nossos sonhos, nosso propósito de vida, nossos projetos pessoais. No presente, está o prazer da jornada, a necessidade de sermos felizes agora, enquanto caminhamos. Mas tanto o nosso presente quanto o nosso futuro estão intimamente relacionados ao nosso passado, à nossa história de vida e, principalmente, aos significados que atribuímos a tudo o que vivenciamos.

É no passado que construímos as crenças que nos limitam e nos impedem de avançar e de alcançarmos sucesso e realização. Fico pensando sobre onde estaríamos agora se não fossem as âncoras que criamos a partir de nossas crenças… Com certeza nosso barco já teria avançado mais e estaríamos para além do nosso campo de visão atual, em mar aberto.

Criamos nossas crenças limitantes com o objetivo de nos protegermos do sofrimento, para evitarmos que nosso barco fique à deriva. Contudo, para não naufragarmos, mantemos o barco atracado, preso às nossas auto-limitações. De que serve um barco que não navega? E como navegar em alto mar sem correr nenhum risco?

Grande parte de nossas crenças autolimitantes são construídas a partir dos outros, principalmente nossos pais. Herdamos medos, expectativas, desilusões. Também criamos crenças a partir de eventos e dos significados que atrelamos a esses eventos. Se vou mal na prova de matemática é porque “não sou bom com números“. Se minha namorada me troca por outro é porque “não tenho sorte no amor“. Se perco dinheiro em um investimento ruim, é porque “não nasci para ganhar dinheiro“. E por aí vai…

E essas pseudo verdades são repetidas por nós mesmos até se tornarem verdades de fato. Ajustamos nossos comportamentos a essas crenças de forma a não contrariá-las, pois precisamos que elas sejam verdadeiras para que o mundo seja um lugar seguro e previsível para vivermos. Além disso, elas nos mantém em nossa zona de conforto. Para que vamos perder tempo estudando se não temos vocação com números mesmo? Aos poucos vamos reduzindo nossas possibilidades e potencialidades na vida. Vamos acreditando que podemos menos, que merecemos menos, que somos menos.

A boa notícia é que do mesmo jeito que nossas crenças podem nos limitar, elas também podem nos fazer brilhar! Seguindo a mesma lógica, se acreditamos que somos bons nadadores, iremos nadar bem. Se acreditarmos que somos inteligentes, teremos facilidade em aprender. Se nos consideramos esforçados, não vamos desistir facilmente.

E você? Quais são as crenças que estão limitando ou impulsionando a sua vida? Reveja suas verdades e aposte que você pode ir mais além. Se você acreditar que pode ser feliz, você será, pois seus pensamentos e decisões estarão conectados com este propósito de felicidade. Caso tenha dificuldade em descobrir quais são suas crenças, pois geralmente elas estão atreladas a conteúdos inconscientes, ou emocionalmente dolorosos, procure ajuda de um profissional.

O importante é acreditar e seguir em frente. Sempre. Como diriam os Los Hermanos: “Aponta pra fé e rema…”

Vania Moraes, psicóloga e life coach

 

Aprecie a jornada

Comentamos no post anterior sobre a importância de se ter um propósito na vida para que ela faça sentido e para que possamos nos sentir realizados. A partir de um ponto de chegada definido, estabelecemos metas e transformamos os desafios em combustível para a ação.

Ter um propósito, portanto, significa investir no futuro. E o presente, como fica? O presente é tão importante quanto. Podemos pensar na vida como uma grande viagem. Temos o nosso ponto de chegada, a nossa estação almejada, seja ela qual for. Mas enquanto trabalhamos nela, enquanto estamos alojados em nossa poltrona no trem, apreciamos as paisagens, fazemos um lanche gostoso pelo caminho e interagimos com as pessoas ao nosso lado.

Se você estiver com um cachorro no carro e abrir a janela, ele vai subir nas patas traseiras para colocar o focinho para fora. Sempre acho engraçado ver esta cena. O cachorro está lá, curtindo o passeio, sem se importar se tem trânsito, se o motorista é barbeiro, se a roupa está bonita, se o cabelo irá bagunçar com o vento. Ele aprecia a jornada. Se tiver alguém para ele latir no caminho, mais divertido fica.

E a gente? A gente tem pressa. E cada dia mais. Estamos preocupados com o futuro, com as contas a pagar, com o chefe para o qual não podemos latir, com o filho que não pára de pular no sofá, com a barriga que insiste em aumentar ao longo dos anos. Nos preocupamos o tempo todo e não apreciamos a jornada.

Se o trânsito está lento, coloque uma música boa para ouvir. Hoje não dependemos mais do rádio para ouvirmos a música que queremos na hora em que queremos. Se o chefe está no seu pé, convide um amigo divertido para tomar um café. Se o filho não pára quieto, aproveite a energia dele e se energize também, volte a ser criança por uns momentos.

Enfim, escolha atividades simples e prazerosas que façam sentido para você. Atividades que lhe tragam satisfação, conexão com as pessoas, que lhe permitam apreciar a paisagem. Se a viagem está longa e cansativa, veja como torná-la mais agradável.

Pare agora e pense em alguma coisa prazerosa que você gostaria de fazer e apenas faça! Não espere a lista de metas do Ano Novo. O presente é o momento ideal.

E, principalmente, comemore as pequenas conquistas cotidianas. Se o que você quer alcançar ainda está muito distante, faça um plano de como chegar até lá e comemore cada pequena vitória. Aprecie o que você já conquistou e seja grato a você e a todos que lhe ajudaram.

O caminho para a felicidade envolve a adoção de hábitos e comportamentos que trazem benefício agora e no futuro. Enquanto perseguimos a nossa razão de ser e de estar no mundo, precisamos ter pequenos momentos de alegria e satisfação ao longo dos dias, conciliando prazer e significado, aproveitando-se a jornada enquanto perseguimos nossas metas de vida.

São os sorrisos que conquistamos ao longo do caminho que tornarão o nosso propósito de vida ainda mais importante e significativo.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

 

Velha demais para isso… será?!!

Falando um pouco mais sobre a busca de um propósito na vida, tenho ouvido muitas pessoas lamentarem que já estão velhas para investirem em seus sonhos, que agora é tarde demais. Geralmente são pessoas que estão na faixa dos 40 a 50 anos e que se percebem em um ponto da vida profissional em que há pouca perspectiva de mudança. Entrar em um novo mercado e competir como os mais jovens para eles é impensável. Os poucos que desafiam esta lógica acabam se tornando exceções heroicas, que, muitas vezes, ganham destaque em matérias na mídia, reforçando o caráter de excepcionalidade de suas ações.

Há aproximadamente dez anos, participei de um curso com Joel Dutra, uma referência no Brasil em gestão de pessoas, no qual ele apresentava dados que indicavam um movimento interessante. Como saímos muito jovens da faculdade e começamos a investir em nossa carreira por volta dos 20 anos, quando chegamos aos 40, duas décadas depois, já temos muito conhecimento e experiência em nosso campo de atuação e, muitas vezes, nos sentimos pouco desafiados e desmotivados. É o momento em que muitos fazem a mudança na carreira, voltando a atenção para antigos projetos juvenis que insistem em nos cutucar de vez em quando. Geralmente surgem novos hobbies ou o investimento em serviços voluntários. Contudo, em meu círculo de convivência, poucas vezes vi este movimento se concretizar em uma verdadeira mudança de carreira, em um recomeçar do zero e partir para o desbravamento de um mundo novo.

Em um contexto de um país economicamente instável e vivenciando crises sucessivas, fica realmente difícil ousar um pouco mais. E é mais sensato fazer mudanças graduais na esfera profissional ou investir na realização de sonhos por meio de hobbies ou de projetos paralelos. A forma não é o mais importante. O que interessa é se mover, voltar a sonhar e transformar os sonhos em ações. Parar de se queixar e começar a transformar a sua própria realidade.

Para além das questões econômicas que não somos capazes de controlar, há aspectos subjetivos e psicológicos que demandam apenas o nosso esforço para que a mudança seja possível. A reflexão proposta aqui, portanto, é sobre o foco que damos em nossas características individuais. Quando dizemos que estamos “velhos demais para isso”, estamos focando em nossos defeitos (em nossa sociedade a juventude é percebida como um valor em si mesmo a ser perseguido eternamente) e não em nossas forças pessoais. A ditadura da perfeição em que vivemos atualmente, além de nos fazer acreditar que não somos bons o suficiente, ainda mata os nossos sonhos mais genuínos. Se, diante de nossos projetos, pararmos de focar em nossas rugas e cabelos brancos e passarmos a pensar em nossas virtudes, os desafios se tornam combustível de ação e não barreiras intransponíveis.

Quando focamos em nossa imperfeição, em nossos defeitos, estamos focando na escassez, na falta, e não na abundância, nas nossas virtudes e em nossos valores pessoais. Para sermos felizes, além de visualizarmos um propósito e exercermos ações em busca deste objetivo, precisamos acreditar em nós mesmos, no que temos de bom a acrescentar ao mundo e, para isso, precisamos ter a coragem de sermos imperfeitos. A permissão para sermos imperfeitos, além de nos libertar, nos possibilita nos conectarmos também. Ao nos permitirmos demonstrar nossas vulnerabilidade, nossa humanidade, permitimos àqueles que nos rodeiam que façam o mesmo e, assim, nos abrimos a conexões verdadeiras e genuínas, que nos farão crescer juntos. O medo de não sermos aceitos, nos mantém desconectados das demais pessoas, assim como o medo de fracassar é o que nos impede de termos sucesso.

Em vez de ficar se perguntando se você merece ser feliz, ser amado e ter sucesso na vida, dê um voto de confiança a si mesmo, siga em frente, trabalhe duro, saia de sua zona de conforto e depois de um tempo, colha os frutos de seu trabalho. E quando começar a ter uma colheita farta, você passará a acreditar mais em si mesmo e os seus defeitos ou a sua idade não terão mais importância.

Clique aqui e assista a um vídeo inspirador de mulheres que começaram a fazer ballet quando conquistaram a maturidade.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Propósito

Pus o meu sonho num navio 
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio…
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Pus meu sonho no navio, Cecília Meireles

Este poema é uma descrição precisa do que é uma vida sem propósito. Para alcançarmos desejabilidade social, sermos aquilo que achamos que os outros esperam de nós, afundamos o nosso navio dos sonhos em águas profundas. O resultado? Uma aparente perfeição, uma vida padrão, mas sem sentido, e acompanhada de olhos secos e mãos quebradas.

Por diversos motivos, desistimos de nossos sonhos ao longo da estrada. Escolhemos caminhos profissionais que nos trazem conforto e segurança. E seguimos a vida correndo, estressados, esvaziados.

Ter conforto e segurança é ótimo e todos nós deveríamos tê-los, mas a vida precisa ter sentido, significado. Repito: nossa vida precisa ter propósito, seja ele qual for. Para uns, será a vida nos palcos, representar papéis que ilustram a magia da vida humana. Para outros, a vida adquire sentido ao se pintar um quadro, ao se permitir expor seus sentimentos mais profundos por meio dos pinceis e da arte. Abrir um restaurante e oferecer comidas saudáveis pode ser um grande propósito também.

Tenho conversado com muitas pessoas que conquistaram bons empregos, famílias felizes, possuem qualidade de vida, mas que se sentem vazias, como se tudo estivesse um pouco acinzentado. Viver sem propósito é abrir mão do colorido da vida, é anestesiar-se.

O que faz você brilhar? O que o motiva a superar os desafios, a se tornar melhor a cada dia, a estudar, a treinar, a se aprimorar? Qual a sua vocação?

Ter um propósito nos ajuda, inclusive, a passar por momentos difíceis, a superar perdas, fracassos e decepções.

Mas como descobrir o seu propósito, a sua vocação? Como ter coragem de voltar  a sonhar se não sabemos nem por onde começar?

Um caminho é tentar se conectar com sua criança interior, lembrar das brincadeiras de infância, dos sonhos e aspirações infantis. Essas tenras memórias podem nos reconectar com o que há de mais autêntico e genuíno em nós, pois durante a infância ainda não assimilamos completamente os padrões sociais, ainda não aprendemos a ter medo do futuro e a duvidar de nós mesmos.

Outro caminho é refletir sobre três aspectos importantes da vida e como eles se inter relacionam: sentido (o que eu valorizo, o que é importante para mim?), emoções positivas (o que me gera prazer?) e forças pessoais ou competências (o que eu faço bem feito?).

Uma terceira opção é procurar auxílio de um psicoterapeuta. Alguém que lhe auxilie a mergulhar em mares profundos para resgatar seu navio dos sonhos e que o acompanhe até que você esteja apto novamente a navegar levando consigo o seu coração.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

 

Crescimento Pós Traumático

No post anterior sobre lembranças positivas, apresentei rapidamente o conceito de Crescimento Pós Traumático – CPT (Posttraumatic Growth – PTG em inglês). Como algumas pessoas me procuraram para saber sobre o assunto, resolvi abordar um pouco mais este tema tão intrigante.

Como o próprio nome aponta, o conceito surgiu em contraposição ao diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós Traumático – TEPT, amplamente utilizado após a Guerra do Vietnã, momento em que se observou que muitos ex-soldados americanos apresentavam sintomas semelhantes decorrentes da violência vivenciada durante o conflito.

Este transtorno também pode emergir após acidentes, sequestros, assaltos ou estupros, situações de extrema violência que causam traumas psíquicos profundos. Em decorrência, a pessoa passa a experimentar os seguintes sintomas: torpor emocional, pensamentos intrusivos (flashbacks), pesadelos frequentes, isolamento social, hipervigilância, insegurança, ansiedade, pânico. O filme Nascido em 4 de Julho, com Tom Cruise, ilustra bem o quadro.

O que há em comum entre os dois conceitos (TEPT e CPT) é a vivência de uma situação de grande violência ou ameaça, em que a pessoa se sente completamente desamparada e isso marca a sua subjetividade. Em ambas as situações há um grande sofrimento associado, marcado por sintomas de ansiedade generalizada e depressão. Contudo, enquanto no primeiro caso a pessoa é acometida dos sintomas listados no parágrafo anterior e tem muita dificuldade em superá-los, no segundo caso, após decorrido um tempo, o indivíduo passa a relatar um nível de funcionamento psicológico superior, com o fortalecimento de suas forças pessoais.

Em seu livro Florescer, Seligman ilustra o conceito de CPT com o exemplo de Rhonda Cornum, médica e ex-prisioneira de guerra no Iraque. Após o helicóptero em que estava ser atingido, Rhonda foi capturada com dois braços e uma perna quebrados. Nem precisamos falar aqui sobre as violências sofridas após a captura. Libertada oito dias depois, Rhonda voltou como heroína de guerra e relata as seguintes sequelas de sua experiência pós traumática:

  1. melhora no seu relacionamento com os pacientes;
  2. fortalecimento de sua auto eficácia, pois sente menos ansiedade e medo quando se depara com desafios;
  3. valorização da família, se tornando uma esposa e uma mãe melhor e mais atenta;
  4. abertura para a percepção de uma vida espiritual (se tornou mais espiritualizada);
  5. mudança em suas prioridades de vida.

Observamos neste exemplo que a situação traumática foi ressignificada e transformada em um impulso propulsor de mudanças na vida de Rhonda, principalmente na forma como ela se relaciona com familiares e pacientes e como se sente diante de novos obstáculos e desafios.

São comuns relatos de pessoas que passam por um câncer e dizem terem se tornado pessoas melhores, mais sábias, fortes, condescendentes e espiritualizadas. Neste caso, a violência da doença desde o seu diagnóstico até a conclusão do tratamento é percebida como um evento traumático que, após um período de intenso sofrimento, promove mudanças subjetivas e comportamentais significativas.

Quais são os fundamentos do Crescimento Pós Traumático? A Psicologia Positiva se baseia justamente no entendimento de que a nossa vida, e consequentemente nossa felicidade, é construída a partir de nossas percepções e das interpretações que escolhemos dar aos acontecimentos. A partir do momento que Rhonda decidiu se tornar uma médica mais atenta e uma mãe mais presente, esta atitude repercute em todo o seu modo de vida, trazendo mudanças profundas.

Há atualmente nas Forças Armadas americanas um programa de formação de soldados que visa a prevenir a ocorrência de TEPT. Este programa foi desenvolvido pela equipe de Seligman com a participação de Rhonda e abrange técnicas e conceitos da Psicologia Positiva.

Estas técnicas também são utilizadas em psicoterapia para auxiliar as pessoas a enfrentarem seus traumas e sofrimentos pessoais, por meio da modificação de crenças conscientes e inconscientes, por meio do fortalecimento das forças pessoais e do reforço dos relacionamentos de suporte.

Clique aqui e assista a um vídeo de apenas 3 minutos do TED Talks que resume tudo o que foi dito neste post.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Florescer do Martin Seligman está disponível na Amazon: Florescer

Lembranças positivas

Dia desses meu filho levou um grande tombo de bicicleta ao não conseguir fazer uma curva em velocidade. Horas antes ele tinha visto um ciclista cair também, em razão de um pneu furado. No dia seguinte, as duas histórias haviam se misturado em sua mente: ele caiu de bicicleta porque o pneu furou.

Já reparou que cada pessoa lembra de um evento de uma forma? Passei a minha infância brincando com meu irmão. Quando falamos desta fase de nossa vida, cada um conta uma história diferente, com lembranças e significados distintos. Quem está contanto a verdade? Os dois.

Nossa memória não funciona como um computador, apesar das diversas metáforas utilizadas para comparar os dois sistemas de armazenamento de informações. Enquanto um funciona como um depósito de registros, o outro percebe, seleciona, interpreta, registra e, ao vivenciar novas experiências, ressignifica os arquivos anteriores. Assim, nossa memória é viva e vai sendo construída sob a interferência de nossas emoções e pensamentos.

A subjetividade presente no mecanismos de memorização e de recordação que constroem nossas lembranças nos permite ter influência sobre o processo. Podemos filtrar e reinterpretar nossa lembranças, mesmo que inconscientemente, de acordo com as personagens que criamos para nós mesmos.

Freud foi o primeiro a utilizar este mecanismo na clínica do sofrimento mental. Ao falar sobre um trauma e poder ressignificá-lo, o paciente se torna autor de sua história e deixa de ser vítima dos acontecimentos.

Martim Seligman escreveu sobre este processo em seu livro “Florescer” ao discorrer sobre o conceito de Crescimento Pós-Traumático. Enquanto nos casos de Estresse Pós-Traumático a pessoa fica presa em suas memórias negativas em razão da violência presenciada e sofre com diversos sintomas associados a estas memórias (lembranças angustiantes, recorrentes e involuntárias do evento traumático, pesadelos, flashbacks, etc), no Crescimento Pós-Traumático o evento negativo é reinterpretado sob uma nova ótica e torna-se uma oportunidade de crescimento pessoal.

Não se trata de minimizar o sofrimento associado aos eventos traumáticos, mas de limitar o efeito negativo deles sobre a nossa existência. Em vez de deixa-los reverberar indefinidamente, comprometendo a nossa qualidade de vida e permitindo que eles gerem ainda mais sofrimento, podemos mudar o foco e transformá-lo em uma experiência transformadora, em um ponto de mudança, limitando o sofrimento e se permitindo ser feliz novamente.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Florescer do Martin Seligman está disponível na Amazon: Florescer

 

Permissão para ser humano

Muitas críticas à Psicologia Positiva relacionam-se ao entendimento equivocado de que esta disciplina apregoa a felicidade plena. Não se trata disso. Primeiro que a felicidade permanente não existe, pelo menos não na realidade que vivenciamos atualmente. Segundo, somos humanos e, portanto, passíveis de sentirmos toda a sorte de emoções. E mais que isso: sentir tristeza é fundamental para que também possamos sentir alegria. As duas emoções trafegam pelo mesmo canal e este deve estar desbloqueado para que elas possam fluir.

Assisti recentemente a um pequeno vídeo que ilustra muito bem isso. Ahmad Joudeh, um bailarino sírio (se ser bailarino no Brasil já é difícil, imagina na Síria!), fala sobre o preconceito e as dificuldades para dançar ballet em seu país de origem, principalmente após o início da guerra. Desafiando todo o status quo e correndo o risco de ser sumariamente executado em um anfiteatro, seu amor à dança percorreu o mundo e comoveu pessoas que puderam lhe ajudar. Ahmad foi então convidado pelo Dutch Nacional Opera & Ballet a integrar a companhia e a se mudar para a Holanda.

Teoricamente, um final feliz. Mas a nossa mente não funciona bem assim. Ao chegar à Amsterdã e poder ensinar e dançar ballet sem sofrer com os preconceitos e, principalmente, vivenciando a realidade de um país em paz, Ahmad sentiu culpa por sentir-se feliz. Pois é. Ele relata então algo que tem tudo a ver com a Psicologia Positiva: a guerra, que fez milhares de pessoas vivenciarem grandes perdas, o havia anestesiado. Para não sentir tanta dor, tanto medo, tanto terror, ele bloqueou suas emoções negativas, mas ao fazer isso, ele havia bloqueado as emoções positivas também. Assim, quando vivenciou aquele sentimento de felicidade que nos transborda, sentiu estranhamento e culpa. Sua tarefa agora era aprender a sentir novamente e permitir-se ser humano.

Em nossos pequenos dramas cotidianos, também nos fechamos para as emoções negativas. Bloqueamos tudo o que nos faz sofrer. Como efeito colateral, a alegria, a gratidão, a compaixão, o contentamento, também vão ficando mais distantes e a nossa vida, em vez de colorida, vai ficando cada dia mais cinza. Sentir raiva, inveja, tristeza, portanto, faz parte de nossa natureza humana e é o que nos torna tão plurais. Temos de reaprender a sentir e a nos permitirmos sermos algo que na infância aprendemos que era “feio”.

Na tentativa de nos ensinar a não sermos agressivos, a não roubarmos, a não mentirmos, nossos pais e educadores muitas vezes confundiram nossos comportamentos e emoções.  Até hoje, na vida adulta, as coisas ainda são muito confusas para nós e nos sentimos culpados pelos nossos sentimentos negativos e, por isso, os negamos ou os bloqueamos (A Psicologia Junguiana chama isso de Sombra). Mas sentir raiva e bater em alguém são fenômenos muito diferentes. O primeiro pertence ao campo das emoções, o segundo, das ações.

Precisamos policiar nossas ações para termos atitudes respeitosas com os outros e conosco mesmos. Mas nossas emoções são todas lícitas e fazem parte da nossa natureza humana. Vamos nos permitir sermos humanos!

Saiba mais assistindo ao filme Divertidamente , um desenho de animação da Disney que retrata muito bem a importância que as diferentes emoções possuem em nossa vida. 🙂

Vania Moraes, psicóloga e life coach

A Psicologia Positiva é para mim?

A Psicologia Positiva é para todos. Ciência do comportamento focada em ajudar as pessoas a definirem seus propósitos de vida de modo que ela seja plena de significado, a Psicologia Positiva também se preocupa com a jornada, com o percurso percorrido até se chegar à sua meta, à sua moeda final.

Em uma sociedade excessivamente materialista como a nossa, encontrar significado e propósito na vida muitas vezes não é uma tarefa fácil. Geralmente trabalhamos naquilo que nos provê dinheiro e segurança. E não há nada de errado nisso. Contudo, uma vida plena e feliz supõe o envolvimento com algo que tenha um sentido maior, algo que nos faça pular da cama de manhã motivados e animados para darmos mais um passo. E isso não é o comum. Pelo contrário, tem sido cada vez mais uma exceção. Acordamos cedo, corremos o dia todo, nos esforçamos para cumprir nossos afazeres, mas muitas vezes fica a sensação de que estamos fazendo muito e, ao mesmo, tempo, não estamos fazendo nada de nossas vidas. Se você se sente assim, a Psicologia Positiva é para você.

Por outro lado, há aqueles que encontram sua missão, seguem em frente e se motivam, se esforçam cada dia mais, mas não param para apreciar a jornada. Não reparam nas flores do caminho. Não fazem as pausas necessárias para usufruir os pequenos prazeres da vida que alimentam a nossa alma e fazem nossa vida mais feliz. Se você está nesta correria atualmente, a Psicologia Positiva é para você também.

Se você tem metas que nunca consegue realizar, começa a fazer algo novo, mas não consegue sustentar essas mudanças ao longo do tempo, a Psicologia Positiva pode te ajudar. Ela nos mostra como promover mudanças duradouras e significativas de modo a superarmos os empecilhos mais comuns que nos mantém na mesmice cotidiana e na procrastinação.

Se você tem filhos e quer prepará-los para enfrentar os desafios da vida, a Psicologia Positiva pode lhe dar dicas poderosas. Educar não é nada fácil, mas há balizadores que podem nos orientar nesta tarefa diária.

Ansiedade, insegurança, depressão, desorganização são problemas cada dia mais comuns e que podem ser abordados sob uma perspectiva leve e prática. Falta de autoestima, perda da capacidade de sonhar, relacionamentos confusos e infelizes também podem ser transformados.

Enfim, a Psicologia Positiva é para todos nós, que somos humanos, que amamos, que sofremos, que nos alegramos, que sonhamos e que nos esforçamos para termos uma vida melhor, uma vida mais feliz.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Yes, we can!

Auto eficácia, segundo Bandura* (1994), são crenças a respeito das nossas capacidades para obtermos determinado nível de performance em uma determinada atividade. Por que é importante estudar e compreender a auto eficácia? Porque ela influencia a forma como pensamos, agimos, sentimos e nos motivamos.

Características de pessoas com alto senso de eficácia:

  • Possuem segurança a respeito de suas habilidades pessoais e enfrentam os obstáculos como desafios a serem superados em vez de ameaças a serem evitadas.
  • Diante das dificuldades, em vez de desistirem, persistem e permanecem motivadas e, por isso, tendem a obter melhores resultados, o que reforça a sua auto imagem positiva.
  • Ampliam e sustentam seus esforços diante do fracasso, recuperando-se rapidamente diante de contratempos ou falhas.
  • Relacionam o fracasso ao esforço insuficiente ou a conhecimentos e habilidades deficitários e criam estratégias para superar essas dificuldades.
  • Não se posicionam como vitimas das circunstâncias e, por isso, são menos vulneráveis ao estresse e à depressão.

Veja abaixo um gráfico que esquematiza o funcionamento básico da auto eficácia:

Auto eficácia2

E como aumentar a percepção de auto eficácia? Há quatro caminhos possíveis:

Domínio de experiências desafiadoras. Um senso duradouro de eficácia advém da superação de obstáculos por meio do esforço perseverante. Neste sentido, dificuldades servem a um importante propósito: ensinar que o sucesso geralmente requer esforço permanente. Se em nossa história de vida triunfamos apenas em situações simples e fáceis, qualquer falha irá nos desencorajar. Por outro lado, se nos convencemos que possuímos as características necessárias para a superação dos desafios, perseveramos diante das adversidades e rapidamente superamos os contratempos.

Modelagem. Ao vermos pessoas parecidas conosco atingindo bons resultados em determinada situação, nós acreditamos que também somos capazes. Quanto mais semelhantes, maior a percepção de que temos chances similares de prosperarmos. Por meio destes modelos, observamos quais foram as estratégias e habilidades que deram certo e passamos a nos espelhar neles.

Persuasão social. Pessoas que são convencidas de que possuem as habilidades necessárias para realizar determinada atividade tendem a mobilizar maior esforço e sustenta-lo ao longo do tempo em vez de se ancorar nas dificuldades ou deficiências pessoais. Além de alimentar as crenças de que as pessoas são capazes, temos de estruturar situações em que elas possam praticar tais habilidades e obter êxito, evitando coloca-las prematuramente em situações em que elas provavelmente fracassarão. Mais importante do que aquilo que dizemos, é o que os indivíduos de fato observam na realidade ao se colocarem em ação.

Redução e reinterpretação de sintomas físicos. Tendemos a interpretar nossas reações fisiológicas e humores diante de eventos potencialmente estressantes como sinais de vulnerabilidade. Se vamos falar em público e sentimos o coração palpitar, podemos desenvolver a crença de que temos dificuldade com situações que exigem exposição e passamos a temer tais ocorrências. Por outro lado, qualquer grande autor relata sentir as mesmas emoções antes da estreia de um espetáculo, mas ele se energiza com tal sensação e a utiliza como facilitadora da performance. As reações corporais são as mesmas, mas a forma como elas são interpretadas são diferentes e influenciam a nossa crença de auto eficácia.

Mudanças na nossa percepção de auto eficácia, portanto, são fundamentais para aumentarmos a nossa performance e nossa realização pessoal. Com isso, aumentamos nosso bem-estar e autoestima e nos fortalecemos para enfrentar as dificuldades inerentes à vida.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Referência: Bandura, A. (1994). Self-efficacy. In V.S. Ramachaudran (Ed.), Encyclopedia of human behavior (vol. 4, pp. 71-81). New York: Academic Press. (Reprinted in H. Friedman [Ed.], Encyclopedia of mental health. San Diego: Academic Press, 1998).
*Albert Bandura, importante psicólogo canadense, professor da Stanford University, dedica-se, entre outros assuntos, ao estudo da auto eficácia e suas implicações para os processos cognitivos, afetivos e motivacionais dos indivíduos.

Vida financeira positiva

Para se ter uma vida com mais positividade, precisamos ter equilíbrio financeiro. Consumir de forma consciente e compatível com os nossos ganhos é fundamental ao nosso bem-estar. Contas que não fecham, consumismo exagerado e dívidas crescentes causam preocupação, ansiedade e gasto de energia psíquica.

Mas como ter equilíbrio financeiro diante de tantas opções de consumo? O primeiro passo é se organizar, analisar gastos e priorizar o que é realmente importante. Há despesas que são essenciais para a nossa qualidade de vida: habitação, saúde, transporte, educação, entre outros. Nesse caso, o que temos a fazer é escolher produtos e serviços que nos ofereçam uma boa relação custo-benefício e que caibam no nosso orçamento.

Porém a vida não são apenas necessidades vinculadas à sobrevivência. Opções de consumo que nos trazem prazer também são importantes. E aí a Psicologia nos oferece dicas de como fazer escolhas que maximizem o nosso bem estar e a nossa felicidade, tanto a curto quanto a longo prazo.

Experiências versus Bens Materiais

Em um artigo publicado no Journal of Consumer Psychology , Thomas Gilovich, Amir Kumar e Lily Jampol (2004) apresentam uma série de pesquisas que indicam que gastos com experiências (ex: viajar) trazem maior satisfação e felicidade que gastos com bens materiais (ex: comprar um carro novo). Isso acontece, entre outros motivos, porque:

  1. as experiências reforçam relações sociais (aspecto fundamental à nossa felicidade) de modo mais rápido e efetivo que bens materiais. Já reparou como conversas sobre experiências em comum facilita a aproximação entre pessoas e que conversas sobre posses pode gerar antipatias?
  2. experiências compõem uma grande parte da nossa personalidade. Boa parte do que somos, nossa identidade pessoal, diz respeito ao que fazemos ou já fizemos ao longo da vida e não aos bens que possuímos;
  3. mesmo que uma experiência não saia como programada, ela pode ser extremamente divertida, ao contrário do que geralmente acontece com a aquisição de um bem entregue com características diferentes do que foi combinado;
  4. experiências não sofrem depreciação. Uma boa lembrança não perde valor com o passar do tempo. Enquanto o seu tablet já não vale hoje o que valia no ano passado, a experiência de ter passado uma semana de férias com seus avós que já faleceram permanecerá para sempre significativa.
  5. experiências são avaliadas em si mesmas, gerando menor comparação social que os bens materiais.

Em relação a este último aspecto, os autores apresentam o seguinte exemplo: você pode estar muito satisfeito com o seu Toyota Corolla modelo básico, recém-adquirido. Contudo, sua satisfação diminui quando você compara sua recente aquisição com a versão luxo do mesmo carro. Comparar o que nós temos com o que os outros têm exerce um efeito poderoso sobre a nossa própria satisfação. É a velha história da “grama do vizinho”.

No entanto, quando se trata de experiências, a comparação fica mais difícil. Você pode comparar uma viagem de férias ao Nordeste com uma a Paris e achar que esta última lhe proporcionaria mais prazer. Será? Como afirmar que uma família que passou as férias nos Champs-Élysées se divertiu mais que uma família que passou as férias em uma pousada na beira da praia em Maceió? Difícil, pois diversos aspectos intangíveis entrariam na comparação. Mas você pode facilmente afirmar que um Audi A3 é melhor que um Fiat Palio, pois há muitos aspectos objetivos passíveis de mensuração.

Portanto, sempre que possível, reserve uma parte do seu orçamento à aquisição de experiências. Enriqueça a sua jornada, dê preferência na companhia de pessoas que multiplicarão o retorno do seu investimento.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Referências:
Gilovich, T., et al., A wonderful life: experiential consumption and the pursuit of happiness, Journal of Consumer Psychology (2014), http://dx.doi.org/10.1016/j.jeps.2014.08.004

O que temos a aprender com a Mulher Maravilha – parte 2

O filme Mulher Maravilha, atualmente em cartaz nos cinemas, surpreende pelo conteúdo mitológico e histórico que se sobrepõe às cenas de ação. Filme dinâmico, mas ao mesmo tempo envolvente e provocador, desperta reflexões sobre a igualdade de gênero, o papel da mulher na Segunda Grande Guerra, a inadequação das roupas tipicamente femininas às atividades laborais, entre outros.

Contudo, a reflexão que considero mais importante na história é sobre o merecimento. Ao se surpreender com uma humanidade extremamente corrompida pela guerra, a heroína passa a repetir o discurso que ouviu entre as amazonas que a criaram: a humanidade não a merece, não merece o seu esforço. Ao longo do filme, contudo, ela consegue amadurecer este entendimento e perceber que não se trata de merecimento ou não. Suas boas ações estavam atreladas aos seus valores pessoais, ao que ela acreditava ser certo e não sobre o mérito do recebedor da ação.

Muitas vezes ao longo da nossa vida, nos vemos diante de dilemas morais relacionados ao benefício de pessoas que não consideramos merecedoras de nossos préstimos. A Mulher Maravilha então nos dá seu exemplo de que o mais importante, o fator crucial em qualquer ação é se esta é compatível com nossos valores pessoais.

Além disso, avaliar o merecimento dos outros é uma tarefa muito difícil e arriscada, pois sempre estamos diante de uma realidade fragmentada, complexa e contaminada pelo nosso próprio viés de observador. Se não temos condições de julgar o mérito dos outros, melhor deixar o nosso julgamento para avaliarmos as nossas próprias ações, superando um modelo dicotômico de vilão ou herói, e fortalecendo nossa coerência pessoal por meio do investimento de nossa energia em algo que acreditamos ser bom.

Ser íntegro e agir em conformidade com o que valorizamos, nos fornece uma confiável bússola de atuação.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O que temos a aprender com a Mulher Maravilha – Parte 1

Sucesso nas telas, a personagem Mulher Maravilha tem muitas lições a nos ensinar. A primeira delas, mais relacionada à Psicologia Positiva, são as posturas de poder. Já reparou como os super-heróis estão sempre em posturas assertivas, demonstrando segurança e controle da situação?

Nós também podemos assumir tais posturas em nossa vida cotidiana, principalmente quando não estamos nos sentindo seguros. Amy Cuddy, psicóloga social americana, dedicou muitos anos ao estudo das posturas de poder ou de fraqueza e como elas influenciam a nossa autoestima e assertividade.

O que ela descobriu? Quando exercitamos posturas de poder ao longo do dia (são necessários pelo menos 2 minutos na postura para que o nosso cérebro aumente a produção de testosterona e reduza a produção de cortisol), começamos a acreditar que somos capazes de enfrentar os desafios do dia a dia e, ao acreditarmos em nós mesmos, obtemos um melhor desempenho. Ao obtermos um melhor desempenho, somos reforçados a respeito de nossa capacidade e assim vamos aos poucos fortalecendo a nossa autoestima, em um círculo virtuoso.

Mas precisamos ter cuidado no uso das posturas quando não estamos em um local reservado. Da mesma forma que transmitimos uma mensagem de poder ao nosso cérebro, repassamos a mesma mensagem àqueles que estão à nossa volta. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, ao assumirmos uma postura demasiadamente impositiva, os entrevistadores podem se sentir confrontados. Em uma situação como esta, a postura pode ser adotada na sala de espera ou até em um banheiro próximo.

A lógica da postura de poder é a ocupação de espaço: pernas e braços abertos, queixo para cima, ombros para trás, pernas abertas ou sobre a mesa. Isto também se refere à forma como utilizamos nossa voz: fala em um ritmo calmo, em tom de voz adequado, permitindo-se instantes de silêncio, ou seja, ocupando o espaço interpessoal necessário à boa comunicação.

Se você tem dificuldades relacionadas à assertividade e à autoestima, reserve dois minutos do seu dia para se sentir poderoso. Pare em frente ao espelho e assuma a postura da mulher maravilha ou do super homem. Permita que o seu corpo e, consequentemente seu cérebro, se sinta forte e capaz.

Assista aqui ao vídeo do TED onde Amy Cuddy apresenta de forma resumida o resultado de suas pesquisas.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Sugestão de leitura: O Poder da Presença, Amy Cuddy (Ed. Sextante)

Amor 2.0

Leitura inspiradora, Amor 2.0 de Barbara Fredrickson, é um livro provocador. Ao desconstruir o conceito de amor como algo seletivo e duradouro, a autora propõe que, por se tratar de uma emoção, o amor é estado momentâneo.

Momentâneo? Isto mesmo! E por ser momentâneo, exige conexão. E podemos estabelecer conexões verdadeiras até mesmo com estranhos. Opa! Mas amor não é algo que eu sinto apenas por pessoas íntimas, com quem estabeleço relações duradouras? A autora propõe que não.

Para experimentarmos o amor, precisamos da presença simultânea de três elementos:

  1. compartilhamento de uma ou mais emoções positivas com outra pessoa;
  2. sincronia entre a bioquímica e o comportamento de vocês dois;
  3. atenção mútua

Ou seja, sentimentos e comportamentos entram em sintonia e vocês se tornam reflexo e extensão um do outro. Abordaremos de forma mais aprofundada estes conceitos em outros posts, mas o ponto importante que destaco hoje é a necessidade de conexão.

Mensagens do tipo: “amo vc, bjs” não geram conexão. Não há contato físico, olhar, voz, toque ou sintonia. Trata-se de uma mera abstração.

Portanto, aproveite este dia para entrar em conexão verdadeira com quem você ama. Esteja verdadeiramente presente, olhe nos olhos, dedique atenção, desligue o smartphone. Afinal, o amor exige presença emocional e física. O amor exige tempo e dedicação.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Amor 2.0 da Barbara Fredrickson está disponível na Amazon: Amor 2.0

O poder da gratidão

Muitos livros de autoajuda têm defendido a importância de sermos gratos no nosso dia a dia como forma de aumentarmos nossa saúde e bem-estar. Culturas e religiões também defendem, quase como uma imposição moral, a importância de agradecermos a algo ou alguém que nos fez bem. No campo científico, contudo, são relativamente recentes os estudos sobre o tema. Com o advento da Psicologia Positiva, os resultados das pesquisas têm demonstrado que autores populares ou líderes religiosos estão corretos: ser grato faz bem sim à nossa saúde.

Mas o que é gratidão? Construto difícil de ser definido, pode estar relacionado a uma emoção, uma atitude, uma virtude moral, um traço de personalidade, entre outros. De forma geral, a noção de gratidão deriva da disposição de perceber um ganho obtido, merecido ou não, associada ao julgamento de que outro ator é responsável pelo este ganho, seja uma outra pessoa ou uma força abstrata como Deus ou a natureza. O ganho pode ser material ou não.

Dois aspectos se destacam na compreensão acima:

  1. A gratidão refere-se a uma disposição de perceber um resultado positivo e de ser grato a isso (trata-se de uma condição ao mesmo tempo cognitiva e emotiva). Pesquisas demonstram que a habilidade de notar, apreciar e saborear os aspectos cotidianos da vida é crucial para o bem-estar das pessoas e a gratidão envolve e reforça esta postura perante a vida.
  2. Uma força externa é responsável pelo resultado obtido. Trata-se, portanto, de uma emoção ou atitude interpessoal, que envolve voltar o olhar para além de si mesmo.

Robert Emmons e Michael McCullough verificaram que atitudes de gratidão aumentam as emoções positivas e o bem-estar das pessoas em diferentes grupos pesquisados. Além disso, em determinados grupos, as pessoas que foram experimentalmente induzidas a serem gratas experimentaram níveis maiores de afetos positivos, foram mais propensas a adotarem comportamentos de suporte ou auxílio a outras pessoas, e/ou perceberam a sua saúde física de forma mais positiva. Assim, em cada estudo, induzir um estado de gratidão por meio de um exercício guiado produziu benefícios emocionais, físicos ou interpessoais.

Contudo, quais mecanismos psicológicos poderiam explicar porque os participantes das pesquisas acima evidenciaram níveis mais altos de bem-estar quando em condições de gratidão? O modelo utilizado por Barbara Fredrickson para explicar as emoções positivas (falaremos mais sobre a produção desta autora em outros posts) pode auxiliar nesta compreensão: emoções positivas ampliam nosso campo de visão (mindset) e constroem forças pessoais duradouras, que serão utilizadas em momentos difíceis futuros. Dentro desta perspectiva, a gratidão é efetiva em aumentar bem-estar porque ela constrói recursos psicológicos, sociais e espirituais, pois ela inspira reciprocidade social e altruísmo, fortalece forças sociais e relacionamentos, além de fazer com que as pessoas se sintam queridas e amadas pelos outros. Tudo isso em razão do que apontamos anteriormente: a gratidão nos faz olhar para fora de nós mesmos e a voltarmos nossa atenção para os outros ao nosso redor.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Referências: Emmons, R. A. e McCullough, M. R. (2003), Counting Blessings Versus Burdens: An Experimental Investigation of Gratitude and Subjective Well-Being in Daily Life. Journal of Personality and Social Psychology (2003), vol. 84. n2. 377-389.

Vamos sonhar juntos?

Precisamos ter altas expectativas sobre a nossa vida, pois elas se tornam profecias auto realizáveis. Ao focarmos nossas expectativas e nossos sonhos, podemos identificar nossos potenciais e trabalharmos nossas forças pessoais. Assim podemos cultivar a semente de grandeza em nós mesmos. Otimismo é a base da felicidade!

Alcançar o sucesso não necessariamente gera felicidade, mas a felicidade tem o sucesso como consequência. Por isso, precisamos aumentar a nossa felicidade cotidiana. E uma forma de fazer isso é aumentando as nossas emoções positivas, que levam a níveis mais altos de criatividade, generosidade, resistência, saúde física, longevidade e sucesso, além de melhorar os relacionamentos e de nos tornar mais generosos.

Mas a pergunta a ser feita não é: “como ser feliz?”, mas “como ser mais feliz?”. Enquanto a primeira pergunta nos remete à ideia de uma felicidade infinita e duradoura, sem momentos de tristeza e dificuldade, a segunda pergunta nos remete ao aqui e agora: como podemos ser mais felizes agora, neste momento, apesar das dificuldades e percalços que enfrentamos?

A resposta a esta pergunta passa pela transformação. Informação apenas não é suficiente. É preciso utilizá-la para mudar, para provocar mudanças, pequenas mas significativas. A transformação afeta a forma como vemos, percebemos e experienciamos o mundo. Nosso cérebro funciona com base na percepção do que focamos, no que pensamos. Criamos uma realidade em nossa mente, um foco a seguir e a mente abre o caminho para chegarmos lá.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Um pouco sobre a Psicologia Positiva

A Psicologia Positiva surgiu com o objetivo de ampliar a área de pesquisa e de atuação da Psicologia, até então muito focada no processo de adoecimento e de cura. Com este propósito, a Psicologia Positiva muda a pergunta de “qual é o seu problema?” para “o que funciona em sua vida?”. Esta simples mudança de foco já faz uma diferença enorme no nosso dia a dia, pois ao mudarmos o nosso olhar sobre as coisas, mudamos a própria realidade. Passamos a ter objetivos mais definidos, a sermos mais resilientes e a focarmos em nossas forças pessoais. Uma boa forma de exercitar isso é fazendo uma lista de o que funciona na sua vida. Experimente!

Isso funciona também para os relacionamentos. Quando focamos no que funciona em um relacionamento, passamos a ver as qualidades da relação e não as dificuldades enfrentadas. Esta também é uma postura importante para adotarmos com nossas equipes de trabalho, com nossos amigos e, principalmente, com nossos filhos. Fortalecemos a autoestima de nossos companheiros de jornada quando focamos no que eles fazem bem, nas qualidades positivas e não no que eles fazem de errado.

Há grandes autores e pesquisadores que produzem muitos conhecimentos importantes na área. Se quiser ler livros com embasamento científico e dicas práticas de mudança de vida, procure por Tal Ben-Shahar, Martin Seligman, Barbara L. Fredrickson, Amy Cuddy, Mihaly Csikszentmihalyi.

Aqui iremos publicar pequenos artigos baseados nas obras destes pesquisadores. No final de cada texto, a fonte será indicada para que você possa se aprofundar nos assuntos que mais lhe interessar.

Vania Moraes, psicóloga e life coach