Revisitando o passado

Nos dois últimos textos, falamos sobre o presente e o futuro. No futuro é onde alocamos nossos sonhos, nosso propósito de vida, nossos projetos pessoais. No presente, está o prazer da jornada, a necessidade de sermos felizes agora, enquanto caminhamos. Mas tanto o nosso presente quanto o nosso futuro estão intimamente relacionados ao nosso passado, à nossa história de vida e, principalmente, aos significados que atribuímos a tudo o que vivenciamos.

É no passado que construímos as crenças que nos limitam e nos impedem de avançar e de alcançarmos sucesso e realização. Fico pensando sobre onde estaríamos agora se não fossem as âncoras que criamos a partir de nossas crenças… Com certeza nosso barco já teria avançado mais e estaríamos para além do nosso campo de visão atual, em mar aberto.

Criamos nossas crenças limitantes com o objetivo de nos protegermos do sofrimento, para evitarmos que nosso barco fique à deriva. Contudo, para não naufragarmos, mantemos o barco atracado, preso às nossas auto-limitações. De que serve um barco que não navega? E como navegar em alto mar sem correr nenhum risco?

Grande parte de nossas crenças autolimitantes são construídas a partir dos outros, principalmente nossos pais. Herdamos medos, expectativas, desilusões. Também criamos crenças a partir de eventos e dos significados que atrelamos a esses eventos. Se vou mal na prova de matemática é porque “não sou bom com números“. Se minha namorada me troca por outro é porque “não tenho sorte no amor“. Se perco dinheiro em um investimento ruim, é porque “não nasci para ganhar dinheiro“. E por aí vai…

E essas pseudo verdades são repetidas por nós mesmos até se tornarem verdades de fato. Ajustamos nossos comportamentos a essas crenças de forma a não contrariá-las, pois precisamos que elas sejam verdadeiras para que o mundo seja um lugar seguro e previsível para vivermos. Além disso, elas nos mantém em nossa zona de conforto. Para que vamos perder tempo estudando se não temos vocação com números mesmo? Aos poucos vamos reduzindo nossas possibilidades e potencialidades na vida. Vamos acreditando que podemos menos, que merecemos menos, que somos menos.

A boa notícia é que do mesmo jeito que nossas crenças podem nos limitar, elas também podem nos fazer brilhar! Seguindo a mesma lógica, se acreditamos que somos bons nadadores, iremos nadar bem. Se acreditarmos que somos inteligentes, teremos facilidade em aprender. Se nos consideramos esforçados, não vamos desistir facilmente.

E você? Quais são as crenças que estão limitando ou impulsionando a sua vida? Reveja suas verdades e aposte que você pode ir mais além. Se você acreditar que pode ser feliz, você será, pois seus pensamentos e decisões estarão conectados com este propósito de felicidade. Caso tenha dificuldade em descobrir quais são suas crenças, pois geralmente elas estão atreladas a conteúdos inconscientes, ou emocionalmente dolorosos, procure ajuda de um profissional.

O importante é acreditar e seguir em frente. Sempre. Como diriam os Los Hermanos: “Aponta pra fé e rema…”

Vania Moraes, psicóloga e life coach