Como enfrentar o estresse sem descontar na comida

Um dos fatores que nos impulsiona a comer de forma desequilibrada é o estresse cotidiano. Além de provocar o aumento da produção do hormônio cortisol, que biologicamente atrapalha o processo de emagrecimento, o estresse ainda nos induz a comer mais e de forma pouco saudável. Quando estamos estressados a tendência é darmos preferência a alimentos doces ou gordurosos.

E por que isso acontece? Porque não aprendemos a desenvolver formas saudáveis de lidar com o estresse. Desde crianças, aprendemos a como nos comportar, a como dizer “por favor” e “obrigado”, aprendemos a ler e a escrever, história, geografia…, mas não aprendemos a lidar com as nossas emoções. Não sabemos lidar com a ansiedade, com a frustração, com o estresse, com a raiva e com o rancor. Mal sabemos lidar com o amor. Por isso, quando nossas emoções nos incomodam, utilizamos os gatilhos comportamentais que estão à nossa disposição: comer, beber, fumar, jogar, comprar, entre outros.

Esses são comportamentos que geram prazer imediato e aliviam o estresse momentaneamente. Contudo, por não agirem sobre a causa do estresse, ele continua a nos incomodar, nos induzindo a continuar comendo, bebendo, comprando, fumando…

E quais são as estratégias que efetivamente nos ajudam a lidar com o estresse e que ainda trazem benefícios à nossa saúde física e psíquica?

  1. Adquirir consciência do que está realmente acontecendo;
  2. Conhecer os nossos sentimentos mais íntimos;
  3. Entender quais necessidades pessoais precisam ser satisfeitas e como elas impactam nossas emoções;
  4. Identificar quais são os principais eventos que desencadeiam o estresse no dia a dia. Eventos positivos também podem ser fonte de estresse;
  5. Estabelecer estratégias para enfrentar os problemas, sem procrastinação ou sofrimento;
  6. Adotar hábitos saudáveis de sono, exercício físico, meditação e respiração consciente.

Mas não tente fazer tudo de uma vez, senão você provavelmente ficará estressado!! 🙂

Privilegie ações que terão os melhores resultados e que sejam mais fáceis para começar. À medida que você for percebendo diminuição no seu nível de estresse diário, reconheça e valorize suas ações e aprofunde o processo de transformação.

Fazendo pequenas mudanças, mas mantendo o processo em andamento, logo você terá uma vida menos estressante e mais feliz.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

 

Felicidade e consumo

Escrevi anteriormente um texto sobre como as nossas escolhas financeiras podem contribuir para o aumento da nossa felicidade. A conclusão de pesquisadores do tema é que investir em experiências (ex: viagem) traz mais felicidade a médio e longo prazo que gastar com objetos (ex: carro). No post apresento essa questão de forma mais aprofundada. Leia que vale a pena.

Me lembrei desse assunto após ler um texto chamado Pessoas felizes não precisam consumir sobre a obra do filósofo Serge Latouche. O primeiro ponto que me chama a atenção é o tema da matéria. A tal felicidade realmente está na moda. Anos atrás não veríamos um texto sobre felicidade divulgado na mídia de forma tão despudorada. Felicidade era um tema secundário, nada sério, associado à auto-ajuda. Agora virou assunto importante e amplamente divulgado. Que bom!

A segunda questão é o velho dilema entre o ser e o ter. Para os psicólogos essa discussão é antiga. Nossa sociedade conseguiu inverter os parâmetros que referenciam o que o ser humano deve ser, afastando-o de uma reflexão sobre quais são os valores e as virtudes fundamentais para a Humanidade e estabelecendo castas de consumo que definem quem você é e o quanto você vale. Dentro dessa lógica, eu não preciso questionar minhas ações, o que é importante para mim e qual o impacto do meu comportamento sobre o mundo. Eu preciso de uma bolsa de marca, um celular de última geração, um carro potente e fotos que atestem isso publicadas no Instagram.

O terceiro ponto é o argumento do texto que indica que o caminho possível para o capitalismo é a diminuição no consumo. Ai estamos falando um pouco de Minimalismo, uma proposta muito interessante de repensar o consumo a partir de valores pessoais e do que é realmente necessário possuir. Sem acúmulos, sem exageros, sem uso de produtos para cobrir falhas de autoestima. Afinal, de quantos pares de sapato você precisa para ser feliz?

Contudo, não podemos reduzir o consumo a uma questão de felicidade ou de autoestima. As pessoas não consomem apenas porque estão infelizes ou insatisfeitas com suas vidas e consigo mesmas. Isso acontece muito sim, mas temos de lembrar que existem milhares de pesquisas em neuromarketing ensinando pessoas a vender produtos a outras que não estão pensando em consumi-las. Criam-se necessidades, valores, soluções para problemas antigos. E tudo isso é muito sedutor.

Enquanto há um ramo da ciência pesquisando sobre como tornar as pessoas mais felizes (Psicologia Positiva), já também inúmeros laboratórios interessados em descobrir como fazer essas mesmas pessoas utilizarem o consumo como suposta forma de diminuir a infelicidade. Geralmente a primeira perde fácil, pois para ser feliz é preciso muito mais esforço do que para comprar algo novo, mesmo que para isso seja necessário se endividar.

Por fim, esse texto mostra que a felicidade não é um assunto individual e egoísta, mas um tema necessário para que toda a Humanidade possa progredir, com menos consumismo, menos degradação ambiental e com escolhas mais conscientes e coerentes com nossos valores pessoais e nosso propósito de vida.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Para ler o texto Pessoas felizes não precisam consumir clique aqui.

Para saber mais sobre o Minimalismo, há boas opções de leitura com preço acessível:

 

 

 

 

Como aumentar a autoestima?

A autoestima está relacionada à imagem que fazemos de nós mesmos e a um julgamento associado a essa imagem. Quanto pior o julgamento que fazemos, pior nos sentimos. Para nos protegermos dessa sensação negativa, criamos as barreiras ao redor de nós mesmos e assumimos atitudes que minimizam o nosso risco de exposição social.

Assim como acontece em outros fenômenos subjetivos, a nossa autoimagem é formada a partir de interpretações que fazemos a nosso respeito, tanto em relação ao nosso corpo físico quanto em relação ao nosso comportamento ou desempenho social. Ao longo do tempo, nos tornamos presos a essa autoimagem e ao que ela significa para nós. Deixamos de frequentar determinados ambientes ou até mesmo sabotamos nossas relações para evitarmos qualquer risco associado a um novo abalo à nossa já enfraquecida autoestima.

Existem dois níveis de problema de autoestima: um situacional e outro caracterológico (associado à identidade pessoal). O primeiro é mais superficial e está associado a determinadas situações ou circunstâncias. Nesse caso, a autoestima está comprometida em alguns aspectos, mas fortalecida em outros. Por exemplo, uma pessoa pode se sentir insegura nos relacionamentos amorosos, mas se sentir em casa em um ambiente corporativo altamente competitivo. Ou, ao contrário, se avaliar como um pai carinhoso e capaz, mas um fracasso no mundo dos negócios.

Para superar problemas de autoestima em nível situacional, a principal ferramenta é o tratamento das distorções cognitivas, que ocorre principalmente por meio da ênfase nas forças pessoais, do desenvolvimento de novas aptidões e da modificação de padrões de pensamento que conduzem a interpretações negativas sobre determinado comportamento ou característica pessoal.

Já problemas de autoestima relacionados à própria identidade pessoal, que conduzem a pessoa a um sentimento de ser ruim, envolvem um trabalho mais profundo. Nesse caso, a mudança dos padrões de pensamento apenas não é suficiente, pois a pessoa tende a se sentir incapaz e inapta em várias esferas da vida. Para pessoas que possuem esse tipo de problema de autoestima, o tratamento deve repousar na própria identidade pessoal, de onde se originam os pensamentos negativos.

Um ponto fundamental para modificação da identidade pessoal é o desenvolvimento de comportamentos de bom desempenho que vão, pouco a pouco, auxiliando na mudança de nossa percepção sobre nós mesmos. Dessa forma, para além do sentir-se bem consigo, é preciso principalmente investir em ações que reforcem a percepção de autoeficácia. Repetir para si mesmo que se é bom em algo sem sê-lo de fato não nos convence e gera dissonâncias cognitivas que não irão fortalecer a nossa autoestima.

Assim, alteração de autoimagem exige esforço, desempenho e não é feito de um dia para outro. Mas a partir do momento que começamos a perceber que nosso esforço vai, aos poucos, melhorando a nossa performance, seja em qual esfera da vida estamos nos dedicando (trabalho, estudos, relacionamentos) vamos nos sentindo melhor com nós mesmos.

Durante este processo, é necessário também assumir um compromisso de não julgamento e o desenvolvimento de compaixão por si mesmo.

Quando fortalecemos a nossa autoestima, ampliamos a nossa sensação de liberdade. Nos sentimos seguros e capazes de ousarmos mais, de agirmos em direção às nossas metas e de caminharmos com mais determinação em direção ao nosso propósito de vida. Para isso, o primeiro passo é identificar se a nossa autoestima está fortalecida ou se há problemas em níveis mais superficiais ou profundos. Em seguida, investir na mudança do nosso padrão de pensamento, minimizando distorções e cultivando a nossa autoaceitação.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Você conhece suas forças pessoais?

Tenho certeza de que você é capaz de encher uma folha de caderno com os seus defeitos… E as suas qualidades, você conhece? Quais são suas competências e habilidades? Você consegue responder a essa pergunta com facilidade? Sente vergonha em dizer em voz alta que você é bom em alguma coisa?

Geralmente nós focamos a nossa atenção nos nossos defeitos. Somos criados desta forma e aprendemos a sempre estar atentos ao que podemos fazer melhor. É a velha história de tentar ensinar o peixe a voar em vez de incentivá-lo a ser o peixe mais rápido do cardume. Quando recebíamos uma prova corrigida na escola, olhávamos para as questões que erramos e nem tomávamos consciência das questões que acertamos. O erro torna-se o foco da nossa atenção desde muito cedo em nossa vida.

A consequência mais comum disso é que não nos tornamos conscientes de nossas forças pessoais, que são as ferramentas de trabalho que carregamos conosco e que podem nos ajudar a superar os desafios e as dificuldades. Assim os problemas se tornam mais difíceis de serem superados, pois não temos ciência de quais são os recursos intrapessoais de que dispomos para resolvê-los. Se Mateus tem elevada capacidade de liderança, mas, por outro lado, é desorganizado, um bom exercício é começar a ser líder de si mesmo, distribuindo suas atividades, estabelecendo suas metas, acompanhamento seus resultados da mesma forma como ele faz com a sua equipe. Se Marlene tem uma grande capacidade de amar e está com dificuldade de cuidar da sua saúde, se alimentar bem e praticar exercícios, por exemplo, porque não voltar essa capacidade de amor para si mesma, se amando a ponto de cuidar de si como cuida dos demais?

São questões simples, que fazem diferença significativa em nossas vidas, mas que muitas vezes passam desapercebidas na correria do dia a dia. Como nosso olhar está treinado para buscar o erro, para encontrar os defeitos, não desenvolvemos a capacidade de nos apropriarmos de nossas forças pessoais para as utilizarmos sempre que precisamos. Fazemos isso com nossas vidas, com nossos filhos, com nossas equipes de trabalho. As avaliações de desempenho nas organizações valorizam o que pode ser melhorado em vez de reforçar os pontos positivos. Os diagnósticos buscam identificar os problemas, em detalhar e aprofundar no que não está indo bem. Por que não começarmos a focar no que funciona em nossas vidas, naquilo em que somos bons?

Experimente conhecer e fortalecer as suas forças pessoais e você sentirá efeitos imediatos em sua felicidade.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Velha demais para isso… será?!!

Falando um pouco mais sobre a busca de um propósito na vida, tenho ouvido muitas pessoas lamentarem que já estão velhas para investirem em seus sonhos, que agora é tarde demais. Geralmente são pessoas que estão na faixa dos 40 a 50 anos e que se percebem em um ponto da vida profissional em que há pouca perspectiva de mudança. Entrar em um novo mercado e competir como os mais jovens para eles é impensável. Os poucos que desafiam esta lógica acabam se tornando exceções heroicas, que, muitas vezes, ganham destaque em matérias na mídia, reforçando o caráter de excepcionalidade de suas ações.

Há aproximadamente dez anos, participei de um curso com Joel Dutra, uma referência no Brasil em gestão de pessoas, no qual ele apresentava dados que indicavam um movimento interessante. Como saímos muito jovens da faculdade e começamos a investir em nossa carreira por volta dos 20 anos, quando chegamos aos 40, duas décadas depois, já temos muito conhecimento e experiência em nosso campo de atuação e, muitas vezes, nos sentimos pouco desafiados e desmotivados. É o momento em que muitos fazem a mudança na carreira, voltando a atenção para antigos projetos juvenis que insistem em nos cutucar de vez em quando. Geralmente surgem novos hobbies ou o investimento em serviços voluntários. Contudo, em meu círculo de convivência, poucas vezes vi este movimento se concretizar em uma verdadeira mudança de carreira, em um recomeçar do zero e partir para o desbravamento de um mundo novo.

Em um contexto de um país economicamente instável e vivenciando crises sucessivas, fica realmente difícil ousar um pouco mais. E é mais sensato fazer mudanças graduais na esfera profissional ou investir na realização de sonhos por meio de hobbies ou de projetos paralelos. A forma não é o mais importante. O que interessa é se mover, voltar a sonhar e transformar os sonhos em ações. Parar de se queixar e começar a transformar a sua própria realidade.

Para além das questões econômicas que não somos capazes de controlar, há aspectos subjetivos e psicológicos que demandam apenas o nosso esforço para que a mudança seja possível. A reflexão proposta aqui, portanto, é sobre o foco que damos em nossas características individuais. Quando dizemos que estamos “velhos demais para isso”, estamos focando em nossos defeitos (em nossa sociedade a juventude é percebida como um valor em si mesmo a ser perseguido eternamente) e não em nossas forças pessoais. A ditadura da perfeição em que vivemos atualmente, além de nos fazer acreditar que não somos bons o suficiente, ainda mata os nossos sonhos mais genuínos. Se, diante de nossos projetos, pararmos de focar em nossas rugas e cabelos brancos e passarmos a pensar em nossas virtudes, os desafios se tornam combustível de ação e não barreiras intransponíveis.

Quando focamos em nossa imperfeição, em nossos defeitos, estamos focando na escassez, na falta, e não na abundância, nas nossas virtudes e em nossos valores pessoais. Para sermos felizes, além de visualizarmos um propósito e exercermos ações em busca deste objetivo, precisamos acreditar em nós mesmos, no que temos de bom a acrescentar ao mundo e, para isso, precisamos ter a coragem de sermos imperfeitos. A permissão para sermos imperfeitos, além de nos libertar, nos possibilita nos conectarmos também. Ao nos permitirmos demonstrar nossas vulnerabilidade, nossa humanidade, permitimos àqueles que nos rodeiam que façam o mesmo e, assim, nos abrimos a conexões verdadeiras e genuínas, que nos farão crescer juntos. O medo de não sermos aceitos, nos mantém desconectados das demais pessoas, assim como o medo de fracassar é o que nos impede de termos sucesso.

Em vez de ficar se perguntando se você merece ser feliz, ser amado e ter sucesso na vida, dê um voto de confiança a si mesmo, siga em frente, trabalhe duro, saia de sua zona de conforto e depois de um tempo, colha os frutos de seu trabalho. E quando começar a ter uma colheita farta, você passará a acreditar mais em si mesmo e os seus defeitos ou a sua idade não terão mais importância.

Clique aqui e assista a um vídeo inspirador de mulheres que começaram a fazer ballet quando conquistaram a maturidade.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Crescimento Pós Traumático

No post anterior sobre lembranças positivas, apresentei rapidamente o conceito de Crescimento Pós Traumático – CPT (Posttraumatic Growth – PTG em inglês). Como algumas pessoas me procuraram para saber sobre o assunto, resolvi abordar um pouco mais este tema tão intrigante.

Como o próprio nome aponta, o conceito surgiu em contraposição ao diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós Traumático – TEPT, amplamente utilizado após a Guerra do Vietnã, momento em que se observou que muitos ex-soldados americanos apresentavam sintomas semelhantes decorrentes da violência vivenciada durante o conflito.

Este transtorno também pode emergir após acidentes, sequestros, assaltos ou estupros, situações de extrema violência que causam traumas psíquicos profundos. Em decorrência, a pessoa passa a experimentar os seguintes sintomas: torpor emocional, pensamentos intrusivos (flashbacks), pesadelos frequentes, isolamento social, hipervigilância, insegurança, ansiedade, pânico. O filme Nascido em 4 de Julho, com Tom Cruise, ilustra bem o quadro.

O que há em comum entre os dois conceitos (TEPT e CPT) é a vivência de uma situação de grande violência ou ameaça, em que a pessoa se sente completamente desamparada e isso marca a sua subjetividade. Em ambas as situações há um grande sofrimento associado, marcado por sintomas de ansiedade generalizada e depressão. Contudo, enquanto no primeiro caso a pessoa é acometida dos sintomas listados no parágrafo anterior e tem muita dificuldade em superá-los, no segundo caso, após decorrido um tempo, o indivíduo passa a relatar um nível de funcionamento psicológico superior, com o fortalecimento de suas forças pessoais.

Em seu livro Florescer, Seligman ilustra o conceito de CPT com o exemplo de Rhonda Cornum, médica e ex-prisioneira de guerra no Iraque. Após o helicóptero em que estava ser atingido, Rhonda foi capturada com dois braços e uma perna quebrados. Nem precisamos falar aqui sobre as violências sofridas após a captura. Libertada oito dias depois, Rhonda voltou como heroína de guerra e relata as seguintes sequelas de sua experiência pós traumática:

  1. melhora no seu relacionamento com os pacientes;
  2. fortalecimento de sua auto eficácia, pois sente menos ansiedade e medo quando se depara com desafios;
  3. valorização da família, se tornando uma esposa e uma mãe melhor e mais atenta;
  4. abertura para a percepção de uma vida espiritual (se tornou mais espiritualizada);
  5. mudança em suas prioridades de vida.

Observamos neste exemplo que a situação traumática foi ressignificada e transformada em um impulso propulsor de mudanças na vida de Rhonda, principalmente na forma como ela se relaciona com familiares e pacientes e como se sente diante de novos obstáculos e desafios.

São comuns relatos de pessoas que passam por um câncer e dizem terem se tornado pessoas melhores, mais sábias, fortes, condescendentes e espiritualizadas. Neste caso, a violência da doença desde o seu diagnóstico até a conclusão do tratamento é percebida como um evento traumático que, após um período de intenso sofrimento, promove mudanças subjetivas e comportamentais significativas.

Quais são os fundamentos do Crescimento Pós Traumático? A Psicologia Positiva se baseia justamente no entendimento de que a nossa vida, e consequentemente nossa felicidade, é construída a partir de nossas percepções e das interpretações que escolhemos dar aos acontecimentos. A partir do momento que Rhonda decidiu se tornar uma médica mais atenta e uma mãe mais presente, esta atitude repercute em todo o seu modo de vida, trazendo mudanças profundas.

Há atualmente nas Forças Armadas americanas um programa de formação de soldados que visa a prevenir a ocorrência de TEPT. Este programa foi desenvolvido pela equipe de Seligman com a participação de Rhonda e abrange técnicas e conceitos da Psicologia Positiva.

Estas técnicas também são utilizadas em psicoterapia para auxiliar as pessoas a enfrentarem seus traumas e sofrimentos pessoais, por meio da modificação de crenças conscientes e inconscientes, por meio do fortalecimento das forças pessoais e do reforço dos relacionamentos de suporte.

Clique aqui e assista a um vídeo de apenas 3 minutos do TED Talks que resume tudo o que foi dito neste post.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

O livro Florescer do Martin Seligman está disponível na Amazon: Florescer

Yes, we can!

Auto eficácia, segundo Bandura* (1994), são crenças a respeito das nossas capacidades para obtermos determinado nível de performance em uma determinada atividade. Por que é importante estudar e compreender a auto eficácia? Porque ela influencia a forma como pensamos, agimos, sentimos e nos motivamos.

Características de pessoas com alto senso de eficácia:

  • Possuem segurança a respeito de suas habilidades pessoais e enfrentam os obstáculos como desafios a serem superados em vez de ameaças a serem evitadas.
  • Diante das dificuldades, em vez de desistirem, persistem e permanecem motivadas e, por isso, tendem a obter melhores resultados, o que reforça a sua auto imagem positiva.
  • Ampliam e sustentam seus esforços diante do fracasso, recuperando-se rapidamente diante de contratempos ou falhas.
  • Relacionam o fracasso ao esforço insuficiente ou a conhecimentos e habilidades deficitários e criam estratégias para superar essas dificuldades.
  • Não se posicionam como vitimas das circunstâncias e, por isso, são menos vulneráveis ao estresse e à depressão.

Veja abaixo um gráfico que esquematiza o funcionamento básico da auto eficácia:

Auto eficácia2

E como aumentar a percepção de auto eficácia? Há quatro caminhos possíveis:

Domínio de experiências desafiadoras. Um senso duradouro de eficácia advém da superação de obstáculos por meio do esforço perseverante. Neste sentido, dificuldades servem a um importante propósito: ensinar que o sucesso geralmente requer esforço permanente. Se em nossa história de vida triunfamos apenas em situações simples e fáceis, qualquer falha irá nos desencorajar. Por outro lado, se nos convencemos que possuímos as características necessárias para a superação dos desafios, perseveramos diante das adversidades e rapidamente superamos os contratempos.

Modelagem. Ao vermos pessoas parecidas conosco atingindo bons resultados em determinada situação, nós acreditamos que também somos capazes. Quanto mais semelhantes, maior a percepção de que temos chances similares de prosperarmos. Por meio destes modelos, observamos quais foram as estratégias e habilidades que deram certo e passamos a nos espelhar neles.

Persuasão social. Pessoas que são convencidas de que possuem as habilidades necessárias para realizar determinada atividade tendem a mobilizar maior esforço e sustenta-lo ao longo do tempo em vez de se ancorar nas dificuldades ou deficiências pessoais. Além de alimentar as crenças de que as pessoas são capazes, temos de estruturar situações em que elas possam praticar tais habilidades e obter êxito, evitando coloca-las prematuramente em situações em que elas provavelmente fracassarão. Mais importante do que aquilo que dizemos, é o que os indivíduos de fato observam na realidade ao se colocarem em ação.

Redução e reinterpretação de sintomas físicos. Tendemos a interpretar nossas reações fisiológicas e humores diante de eventos potencialmente estressantes como sinais de vulnerabilidade. Se vamos falar em público e sentimos o coração palpitar, podemos desenvolver a crença de que temos dificuldade com situações que exigem exposição e passamos a temer tais ocorrências. Por outro lado, qualquer grande autor relata sentir as mesmas emoções antes da estreia de um espetáculo, mas ele se energiza com tal sensação e a utiliza como facilitadora da performance. As reações corporais são as mesmas, mas a forma como elas são interpretadas são diferentes e influenciam a nossa crença de auto eficácia.

Mudanças na nossa percepção de auto eficácia, portanto, são fundamentais para aumentarmos a nossa performance e nossa realização pessoal. Com isso, aumentamos nosso bem-estar e autoestima e nos fortalecemos para enfrentar as dificuldades inerentes à vida.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Referência: Bandura, A. (1994). Self-efficacy. In V.S. Ramachaudran (Ed.), Encyclopedia of human behavior (vol. 4, pp. 71-81). New York: Academic Press. (Reprinted in H. Friedman [Ed.], Encyclopedia of mental health. San Diego: Academic Press, 1998).
*Albert Bandura, importante psicólogo canadense, professor da Stanford University, dedica-se, entre outros assuntos, ao estudo da auto eficácia e suas implicações para os processos cognitivos, afetivos e motivacionais dos indivíduos.

O que temos a aprender com a Mulher Maravilha – Parte 1

Sucesso nas telas, a personagem Mulher Maravilha tem muitas lições a nos ensinar. A primeira delas, mais relacionada à Psicologia Positiva, são as posturas de poder. Já reparou como os super-heróis estão sempre em posturas assertivas, demonstrando segurança e controle da situação?

Nós também podemos assumir tais posturas em nossa vida cotidiana, principalmente quando não estamos nos sentindo seguros. Amy Cuddy, psicóloga social americana, dedicou muitos anos ao estudo das posturas de poder ou de fraqueza e como elas influenciam a nossa autoestima e assertividade.

O que ela descobriu? Quando exercitamos posturas de poder ao longo do dia (são necessários pelo menos 2 minutos na postura para que o nosso cérebro aumente a produção de testosterona e reduza a produção de cortisol), começamos a acreditar que somos capazes de enfrentar os desafios do dia a dia e, ao acreditarmos em nós mesmos, obtemos um melhor desempenho. Ao obtermos um melhor desempenho, somos reforçados a respeito de nossa capacidade e assim vamos aos poucos fortalecendo a nossa autoestima, em um círculo virtuoso.

Mas precisamos ter cuidado no uso das posturas quando não estamos em um local reservado. Da mesma forma que transmitimos uma mensagem de poder ao nosso cérebro, repassamos a mesma mensagem àqueles que estão à nossa volta. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, ao assumirmos uma postura demasiadamente impositiva, os entrevistadores podem se sentir confrontados. Em uma situação como esta, a postura pode ser adotada na sala de espera ou até em um banheiro próximo.

A lógica da postura de poder é a ocupação de espaço: pernas e braços abertos, queixo para cima, ombros para trás, pernas abertas ou sobre a mesa. Isto também se refere à forma como utilizamos nossa voz: fala em um ritmo calmo, em tom de voz adequado, permitindo-se instantes de silêncio, ou seja, ocupando o espaço interpessoal necessário à boa comunicação.

Se você tem dificuldades relacionadas à assertividade e à autoestima, reserve dois minutos do seu dia para se sentir poderoso. Pare em frente ao espelho e assuma a postura da mulher maravilha ou do super homem. Permita que o seu corpo e, consequentemente seu cérebro, se sinta forte e capaz.

Assista aqui ao vídeo do TED onde Amy Cuddy apresenta de forma resumida o resultado de suas pesquisas.

Vania Moraes, psicóloga e life coach

Sugestão de leitura: O Poder da Presença, Amy Cuddy (Ed. Sextante)